16 de ago de 2009

Pimba na gorduchinha!

Dez minutos para terminar o jogo, quinze para começar a peça. O Vasco tomando aquele sufoco do Juventude, na fria Caxias do Sul. O palco mostrando um caloroso "Bem-vindo a Baltimore". Cinco minutos para acabar a partida, dez para a fofíssima Tracy Turnblad acordar feliz o público. O torcedor aqui sofre com os cinco minutos de acréscimo dados pelo juiz, e a plateia espera mais cinco para o início de Hairspray, o filme que virou peça que virou filme que finalmente chega ao Brasil traduzida e adaptada pelo vascaíno Miguel Falabella. Ufa, final da peleja, a cortina sobe! O Gigante vence por 2 a 1, a gigantinha levanta da cama! Aplausos!
Aplausos para Simone Gutierrez (a nossa Tracy), que rouba todas as cenas gulosamente, como se atacasse a geladeira de madrugada para tomar sozinha dois, três potes de sorvete. Ela canta, dança, interpreta com uma leveza inversamente proporcional aos seus quilinhos a mais. Ao seu lado, a "mama" Edna Turnblad surpreende tanto quanto, graças a um Edson Celulari que não se vê todo dia, cheio de enchimentos, alegria e despudor, especialmente quando divide a canção "Eterno pra mim" com Edgar Bustamante (seu marido Wilbur). Já Danielle Winits faz o que pode como a (muito) chatinha Amber Von Tussle, enquanto Arlete Salles dá cá uns toques de Copélia à sua Velma Von Tussle, tornando a louríssima Miss Caranguejão ainda mais safada e divertida.
Pausa para o intervalo. Quinze minutinhos até o segundo tempo do espetáculo, chance de contar pro meu querido pai como foram os melhores e piores momentos de Vasco e Juventude (ouvidos pelo radinho do meu celular): o Adriano perdeu três gols feitos no final do jogo, o Carlos Alberto recebeu uma entrada duríssima mas está bem, o time correu muito, a defesa segurou a pressão do jeito que pôde, o Fernando Prass salvou um chute daqueles à queima-roupa, o Alex Teixeira terminou a partida de lateral-direito...
... as luzes se apagam novamente e voltamos contentes a Baltimore, a cidadezinha-metonímia de uma América ainda dividida entre gordos e magros, pretos e brancos. Por falar nos pretos, eles dão um show à la Motown, com o vozeirão de Graça Cunha (Motormouth Maybelle), a explosão musical de Corina Sabbas, Karin Hills e Maria Bia Martins (as Dinamites) e o suingue de Seaweed (Victor Hugo Barreto). Black is realmente beautiful! – embora os branquelos Jonatas Faro (Link Lark) e Heloísa de Palma (Penny Pingleton) também mereçam menção mais do que honrosa por suas performances... Dá-lhe, white power!
Enfim juntos – pretos, brancos, gordos, magros, o lado de cá e de lá do teatro, cruzmaltinos ou não –, chegamos ao divertidamente afetado Corny Collins Show, programa de tevê patrocinado pelo laquê Pegada Firme (porque tudo que uma mulher busca na vida é rigidez!) e apresentado pelo aprendiz-de-Sílvio-Santos Corny Collins (Frederico Reuter). Ali, diante das câmeras, Tracy faz um golaço no preconceito: realiza um sonho "tamanho G" – o de se tornar Miss Hairspray – e outro ainda maior, "tamanho GG" – o de integração total, independentemente de cor, forma e penteado. Ao som de "Não vamos parar" ("You can't stop the beat"), moçoila e elenco encerram a noite com um gran finale ultracoloridíssimo, megapurpurinado, que desce superlativamente redondo, redondo...

30 comentários:

Laís disse...

vc escreve bem =D
eu queria ver hairspray! :D

Rubens Rodrigues disse...

Não vi o primeiro filme, nem a peça, mas vi o último filme e é ótimo, o que me faz querer ver o primeiro e me dá vontade também de ver a peça!

Parabéns pelo texto, uma crôsenha? Crônica com resenha, haha.

Brincadeiras a parte, ótimo post ;)

Alam Oliveira disse...

Vou te falar a verdade, li pelo menos cinco vezes o primeiro parágrafo, mas tá muito bem construído. A simultaniedade dos fatos: o jogo a peça... o texto todo está muito bom, mas pra entendê-lo o leitor tem que ter um pouquinho de bagagem cultural para não se confundir com nomes estrangeiros!

Adorei o texto! Nota 10!

Leo disse...

Muito boa essa ligação que você fez.
Ficou divertido.
Você foia assistir Hairspray?!?
Nossa que sonho.
O filme já é bom demais imagine a peça de teatro.
Deve ser maravilhoso.
O Edson Celulari se da bem como Edna Turnblad?!?

http://parada-ob.blogspot.com/

Ugly Dréh disse...

nun tinha nein ouvido fala, mais acheiingraçadin... mto loco

http://pinkfashiondrag.blogspot.com/

Wander Veroni disse...

Gostei do modo como vc escreveu a crítica da peça "Hairspray". Ficou muito interessante e deu vontade assistir! Pela foto, o elenco promete. Tomara que o espetáculo venha à BH.

Abraço,

http://cafecomnoticias.blogspot.com

Habib Sarquis disse...

Cara tomara que Hairspray venha pra Sampa!!! Bom texto cara e segura oo Vascão.

Blog: Cultura Dinâmica - www.culturadinamica.wordpress.com

Neto Morais disse...

Pelo menos o vasco ganhou uma! rsrs

Diogo C. Scooby disse...

Muito boa a maneira de descrever a peça. Eu não sou muito fã de espetáculos musicais, mas essa peça especificamente parece ser bem divertida. O filme é legal.

Abraço!

FAGGH® disse...

muito bacana o blog , e não é novidade o vascão tomar sufoco de time pequeno huauhauha
abrç

www.celebritypoke.blogspot.com

30 e poucos anos. disse...

Vasco, Hairspray, sorvete, música ... hahaha ... o texto ficou muito bom

Leonardo I disse...

Quero muito ver esse espetáculo!

Fabricio bezerra da guia disse...

Se eu não me engano Hairspray é o peça que virou filme que virou peça,e não filme que virou peça que virou filme,mas eu não sou especialista nisso.O povo brasileiro devia assitir mais teatro,eu sei que esa é uma adaptação,mas o tearo brasileiro é demais

FAGGH® disse...

Passando mais uma vez aqui no seu blog para marcar presença huahuah
abrç
www.celebritypoke.blogspot.com

Vini e Carol disse...

Uau, que texto!
Ficou super legal você mesclar a história do jogo do seu time (mesmo não gostando nenhum pouco vo Vasco da Gama) com essa peça.
Eu nunca tinha escutado de ninguém, ou lido em algum lugar sobre essa peça, me parece super interessante.
O que o Miguel Falabella não consegue ser como ator (mesmo não sendo tããão ruim assim), ele consegue ser como diretor, e suas peças sempre são boas.

Cara, valeu pelas dicas em meu blog, realmente eu tinha errado naquelas palavras, e não tnha percebido.
Mas normal, erros sempre acontecem.

Abraço.

J.F. Marques disse...

Não vi o filme e nem a peça, mas deve ser muito bom. Parabéns pelo jeito que você escreve.
Continue assim.

Irving Maynard disse...

O enredo do filme se passa assim? Igual ao que você descreveu? Se for deve r ser muito bom!!!

Avassaladoras Rio disse...

Querido amigo avassalador...
Morta de inveja! Não tive tempo de ir a peça.. só vi o filme!
Não sei porque não me surpreendi comsua critica a Winnits e Salles....
Amei sua postagem.

Vanessa Lee disse...

Você me deixou na maior vontade de assistir essa peça! Será que virá a Salvador?

Nada disse...

AHHH, ja vi uns cartazes na rua sobre essa peça e parece ser bem legal...
parabens pelo post!

Medusa disse...

hahaaa.......adorei!!!! Qdo vcs vem pra Itabuna...qro ver...abraços

TAIS MOREIRA disse...

Eu quero muito ver o filme, todo mundo diz que é bem legal!!^^
A peça parece ser muito boa, tb!!hehehehe
Beijos

Rhá disse...

não gostei do filme, mas tenho uma paixão imensa por teatro e tenho até vontade de ver essa peça, pena que por certeza ela n virá pra minha cidade. rs

rhaíssa morais

www.conteudosuspenso.blogspot.com

Marcelo A. disse...

Já vi os dois filmes (o primeiro com o (a)"Divine") e também a peça. Realmente é maravilhosa! E o paralelo com o jogo do Vasco então... Putz!

Rapaz, quero ser igual a você quando crescer, pode crer... Pra mim, um dos que mandam melhor na Blogosfera.

Sou seu fã!

Abração!

Marcelo
www.marcelo-antunes.blogspot.com

JuANiTo disse...

INteressante a forma que vc alinhou.
Mas fiquei meio perdido pos não conheco nenhuma dessas obras.
Abraço

Lara Sousa disse...

To doida pra ver o filme, pq sei que a peça não vai chegar em minha cidade mesmo, mas fiqui muito curiosa em ver, adoro musicais;
beijos

Guttwein disse...

Cara, não tive a oportunidade de ver a peça e muito menos o filme. Mas sua descrição, detalhada, animou-me para tal ( ao menos o filme esta aom eu alcance agora)
E outra coisa... Falabella é o cara... como diretor ele é muito bom hein!

Andréa Ramos disse...

Não dava para não postar nada quando o assunto é... MUSICAL.

O espetáculo (aquilo não é somente uma peça, é um espetáculo!) está muito bem adaptado, dirigido, com um elenco afinado e um espacate da Simone divino!! O que foi aquilo?!?!

Recomendo!

Beijos.

Fernanda disse...

E a gorduchinha do Miguel conseguiu mesmo um gol de placa, faixa e cartaz! Confesso que eu receava pela qualidade do texto, pois já vira uma peça do Falabella e achara supergrosseira. Mas "Hairspray", como boa adaptação, respeitou o mix de doçura e safadice do original. Traduções bacanas, que mantiveram o espírito das letras (com algumas restrições à versão de "I can hear the bells", que manteve o espírito até demais e ficou um cadim balofa de sílabas no refrão). Elenco, em todos os sentidos, afinado (também com certas restrições à intérprete de Penny, que insistia numa personagem um tanto tapada e "miguxesca"). Peça cheinha de "pegada firme"! Noite technicolor que nem confete, redondinha e coloridíssima, de todos os tons, de todos os sons! Supervale quanto pesa!!!

Richard disse...

Eu ainda não assisti, mas vc me deixou com agua na boca