A notícia de que a Atari relançou seu website e, como estratégia para chamar a atenção do público, disponibilizou gratuitamente alguns de seus arcades mais clássicos, como Asteroids, Adventure e Battlezone, mexeu com a minha memória afetiva – esta superfantástica amiga, capaz de guardar de tudo um pouco sem reclamar da poeira e do acúmulo de bugigangas.Verdade verdadeira, não me lembro desses jogos que a Atari resolveu ressuscitar depois de tantíssimos anos. Minha lembrança dos tempos em que a gente enchia a mão de calos tentando controlar o joystick começa com o Pac-Man, conhecido também pelo carinhoso apelido de Come-Come. Era difícil engolir todos os tracinhos da tela sem ser “consumido” pelos fantasminhas nada camaradas (ao som daquela trilha eletrônica que todo atariano há de se recordar).
Outro clássico das minhas férias (quando o tempo era inteirinho dedicado a bater recordes no mundo virtual) era o River Raid, com um aviãozinho que tinha de detonar aeronaves e navios inimigos sem se esquecer, claro, de reabastecer nas faixas vermelhas e brancas com a inscrição “fuel”. Até pontes eu derrubava! Com tiros hoje inofensivos, de pouquíssimos kilobytes...
Eu também não resistia às desventuras em série do Pitfall, no qual um rapazito vestido todo de verde tinha de encarar os maiores desafios numa floresta barra-pesada: buracos, troncos de árvore desgovernados, lagoas infestadas de jacarés, escorpiões e outros bichos. Era preciso coragem e talento de Indiana Jones para sobreviver a tantos perigos!
Muitas saudades desse planeta de traços simples e aventuras infinitas chamado Atari. Talvez o charme que hoje enxergamos nele – um charme retrô – esteja justamente no fato de ser ele apenas um esboço da “realidade”, um rascunho “malfeito” – mas não menos divertido – de mundos possíveis e impossíveis, em que podíamos imaginar com mais liberdade, sem a interferência de zilhões de gigabytes...
Ih, lá vem o fantasminha!... Game over.


