Quem costuma frequentar (como eu) aqueles sites estrangeiros de cartões virtuais já deve ter percebido que existe dia para tudo. Tudo mesmo. As maiores esdruxulices: Dia do Banho de Espuma (8 de janeiro), Dia de Aprender a Ler Mapa Rodoviário (4 de abril), Dia de Abraçar Seu Gato (30 de maio), Dia de Trazer o Ursinho de Pelúcia para o Trabalho (8 de outubro), Dia do Hobbit (22 de setembro), Dia da Camisa Branca (11 de fevereiro), Dia do Algodão-Doce (7 de dezembro), Dia do Brinquedo Estúpido (16 de dezembro)... por aí vai, numa criatividade malucamente infinita. Mas, no meio de tanta bobice, existem pérolas do calendário. Sem querer, outro dia garimpei uma delas. O site me informou, muito educadamente, que 8 de agosto era o Admit You’re Happy Day – em bom português, Dia de Admitir Que Você É Feliz. Sim, é verdade que a data já caducou há algumas semanas, que hoje é o último diazito de agosto, coisa e tal. Meu suposto atraso, porém, fica absolvido por um detalhe: não contente de assinalar uma única data para o evento, o site declarou solenemente que agosto é o Admit You’re Happy Month – ele inteirinho. E os culpólatras de plantão que se resignem a não ter mais (des)culpas.31 de ago. de 2009
Don’t worry, be happy
Quem costuma frequentar (como eu) aqueles sites estrangeiros de cartões virtuais já deve ter percebido que existe dia para tudo. Tudo mesmo. As maiores esdruxulices: Dia do Banho de Espuma (8 de janeiro), Dia de Aprender a Ler Mapa Rodoviário (4 de abril), Dia de Abraçar Seu Gato (30 de maio), Dia de Trazer o Ursinho de Pelúcia para o Trabalho (8 de outubro), Dia do Hobbit (22 de setembro), Dia da Camisa Branca (11 de fevereiro), Dia do Algodão-Doce (7 de dezembro), Dia do Brinquedo Estúpido (16 de dezembro)... por aí vai, numa criatividade malucamente infinita. Mas, no meio de tanta bobice, existem pérolas do calendário. Sem querer, outro dia garimpei uma delas. O site me informou, muito educadamente, que 8 de agosto era o Admit You’re Happy Day – em bom português, Dia de Admitir Que Você É Feliz. Sim, é verdade que a data já caducou há algumas semanas, que hoje é o último diazito de agosto, coisa e tal. Meu suposto atraso, porém, fica absolvido por um detalhe: não contente de assinalar uma única data para o evento, o site declarou solenemente que agosto é o Admit You’re Happy Month – ele inteirinho. E os culpólatras de plantão que se resignem a não ter mais (des)culpas.23 de ago. de 2009
Maracanices
Eu estava no metrô, a cinco minutos do Maracanã, quando meu celular tocou. Era Fernanda. Ela já estava lá, no meio de uma torcida bem feliz. Estou chegando. Os vascaínos estamos chegando – de carro, de ônibus, de trem, de caravela, de orgulho estampado no rosto. Encontrei minha pequena com a Cruz de Malta no peito, um sorriso nas bochechas e a inseparável máquina fotográfica na bolsa.
Entramos no estádio fácil, fácil. Sem filas, sem sustos, sem confusão. Uma organização digna de quem vai sediar uma Copa do Mundo e, no caso do Maraca, de quem vai sediar a final da Copa do Mundo. Tiramos fotos com o mascote do time – um portuguesinho bem simpático, daqueles de bigode típico (e honesto), chapéu de almirante e camisa com faixa de campeão –, compramos os tradicionais biscoitos de polvilho e copinhos d'água pra matar nossa sede de vitória.
Olê, olê, olê, olas dando a volta no estádio, flashes, tudo distraindo os olhos de homens, mulheres, crianças, velhinhos, famílias inteiras – até o Expresso da vez entrar no campo e multiplicar a festa, os gritos, os cânticos, as bexigas, as bandeiras, as bandeironas. Vamos vibrar, meu povão. É gol, é gol. A rede vai balançar. Somos vascaínos, temos amor infinito e o sentimento não pode parar.
Parou a vida fora do maior do mundo. Noventa minutos de alegria e esperança, sem medo, raiva ou desilusão. Só os bons ventos soprando a favor, empurrando pra bem longe as nuvens negras que um dia ameaçaram a viagem do heroico português. Meu pai pulava feito menino a cada gol – um, dois, três, quatro! –, a cada quase-gol, a cada passe, a cada lateral... Ele viveu quase duas horas de menino. (Cá entre nós, ele é um menino).
Acabamos o jogo 111 anos mais jovens, mais fortes, mais vivos. Ninguém à nossa frente, a não ser a multidão se dispersando e cantando de coração aberto. Fernanda e eu jamais vamos esquecer essas horas cheias, repletas, abarrotadas – quando tivemos de novo a certeza de que ser torcedor de fato, ser verdadeiramente popular (sem ser populista), é ser Gigante. Casaca!
16 de ago. de 2009
Pimba na gorduchinha!
Dez minutos para terminar o jogo, quinze para começar a peça. O Vasco tomando aquele sufoco do Juventude, na fria Caxias do Sul. O palco mostrando um caloroso "Bem-vindo a Baltimore". Cinco minutos para acabar a partida, dez para a fofíssima Tracy Turnblad acordar feliz o público. O torcedor aqui sofre com os cinco minutos de acréscimo dados pelo juiz, e a plateia espera mais cinco para o início de Hairspray, o filme que virou peça que virou filme que finalmente chega ao Brasil traduzida e adaptada pelo vascaíno Miguel Falabella. Ufa, final da peleja, a cortina sobe! O Gigante vence por 2 a 1, a gigantinha levanta da cama! Aplausos!10 de ago. de 2009
Superfantástico amigo
Mãe todo mundo sabe: é aquela decantada em verso e prosa, padecer no paraíso, desdobrar fibra por fibra, barriga, sangue, o cordão unindo indiscutivelmente duas (ou três, ou quatro...) pessoas durante quase um ano. Pai, não. Paternidade ninguém vê: não tem útero agigantando, não tem cordão umbilical cortável com tesoura física. Não tem provas materiais – além de um pouco romântico DNA. Por quase um ano, ele engravida de maneira teórica: destinatário paciente de uma encomenda que vem do exterior e demora meses para ganhar todas as peças, funcionar direito, ser finalmente liberada pela alfândega. A mãe acompanha o produto desde a fábrica; o pai (fazer o quê) está em casa aguardando, ansioso e confuso, o carteiro tocar a campainha. O filho lá, no forno, é ainda alguma coisa estranhamente terceirizada. E na vinda, um susto. Paternidade é espantada e súbita. Mãe é cargo com direito a estágio; pai começa numa promoção automática.5 de ago. de 2009
Muito barulho por nada
O sexto filme baseado nas aventuras de nosso bruxinho preferido, Harry Potter e o enigma do príncipe, tinha de cumprir alguns requisitos principais. Vejamos. E vejamos com alguns inevitáveis spoilers, certo? Em primeiro lugar, o longa se escora no livro que tem a maior quantidade de informações biográficas sobre um dos vilões mais vilanescos da literatura – o cara-de-cobra Lorde Voldemort. Logo, seria de se esperar que fossem muitos e fartos os mergulhos de Harry na Penseira (espécie de “bacia de memórias” do mundo bruxo), para visitar passagens essenciais da vida e pré-vida de seu futuro arqui-inimigo. Nesse ponto, bola fora. São parquinhas de dar dó as cenas que se referem à juventude de Tom Riddle (nome “civil” de Voldemort). Lamento profundo; sigamos para o próximo item. Nas páginas de J. K. Rowling, este foi o momento romanticamente mais decisivo para Harry, que finalmente assumiu seus sentimentos por Gina Weasley e a beijou com toda a fúria dos dezesseis anos, após uma vitória gloriosa no quadribol. E no filme? bem... Sentimentos assumidos: sim. Beijaço pós-quadribol: não. Os fãs que tentem não se irritar com a mixuruquice do namoro selado – e da própria Gina, uma mosca-morta incompatível com a ruivinha alegre e popular que brilha nos livros de Rowling. Suspiro desgostoso. Próximo item.