2 de jul de 2009

Antes do pôr-do-sol

Depois de uma temporada de (ótimos ou, pelo menos, bons) pipocas em série – Wolverine: X-Men origins, Star Trek, Anjos e demônios, O exterminador do futuro –, eis que voltamos um pouquinho à safra dos “alternativos”. Isto se combinarmos de considerar “alternativo” o filme que não é muito chegado aos Cinemarks e Kinoplexes da vida, fazendo-nos, pois, atravessar o Rio para revisitar nosso querido Espaço de Cinema (que vou chamar de Espaço Unibanco por toda a eternidade). Aquele tipo de filme que pede lanchinho mais de bistrô que de McDonald’s, saca? Pois Tinha que ser você é um desses. Pelo título e à primeira vista, ninguém diz: nome classiquinho de comédia romântica, Dustin Hoffman no cartaz, tal e coisa. Tudo muito mainstream. O roteiro também é previsível, não ousa de modo algum, não tem qualquer cabecice, não inventa absolutamente nada de extraordinário. Não aproveita o climão europeu para, por exemplo, deixar os personagens 25 minutos sem falar – enquanto apreciamos a bela fotografia –, nem para mergulhá-los em verborragia de congresso filosófico. Não se vale de sua pinta de “romance delicado” para abandonar a história no ar, as situações irrealizadas, o espectador com cara de interrogação-exclamação-reticências. Nada disso. E aí está, exatamente, o extraordinário do filme: transitar extraordinariamente dentro do que há de mais ordinário (no bom sentido).
Tinha que ser você é um bichinho totalmente sem artifícios, assim como seus personagens o são. Uma beleza de não-artificialidade. Simplesmente acreditamos naqueles seres próximos, plausíveis, com todo o jeito de serem nossos colegas ou vizinhos. Acreditamos no enredo como em um causo que um primo nos conte, dizendo que se passou com um cunhado seu. Fosse mais uma comediazinha romântica “americana” (entre aspas mesmo, porque não é exatamente nacionalidade: é estilo), provavelmente até o visual um tanto desleixado de Kate – personagem de Emma Thompson – tenderia para o comicamente estudado, para o caricato-baranga, em vez de refletir uma elegância particular e discreta. Suas amigas possivelmente teriam vozes mais agudas, olhares mais teatrais e risos mais nervosos, em vez de lembrarem muito as nossas próprias amigas. A música subiria em momentos impertinentes, ordenando-nos emoções, em vez de ficar muito sossegadinha no seu lugar. Fosse, pelo contrário, um romance delicado “cabeça”, tomaríamos um chá de Londres enquanto o casal faria uma longa jornada noite adentro, discutindo a relação mui articuladamente, como em um Antes do amanhecer de meia-idade. As decisões tomadas seriam sensatas, agridoces e esteticamente lindas, apesar de deixarem a plateia com raiva. Com habilidade quase invisível, porém, o roteiro acerta na corda bamba e se equilibra no cinzinha básico – sempre ele –, apostando corretamente que qualquer um dos extremos pegaria mal para a história que é: de outono e de transição (em todos os sentidos).
Em suma, Tinha que ser você é um grande outono, mimetizado inclusive pelas cores londrinas; é a narrativa dos últimos passos antes do branco total – no inverno, na vida, na carreira, no amor. Um filme de “últimas chances”, conforme diz o título original (Last chance Harvey). “Últimas” que não são últimas, mas que é praxe acreditarmos que sejam, numa mistura de boa sensatez e ruim desesperança. Se for assistir, não espere amargura nem epifanias, ou tema comprido de conversa pra mesa do bistrô: apenas aquela doçura calma, quentinha, de chá bem preparado e sorvido. Infinito enquanto dura o apagar das luzes.

29 comentários:

cariocax disse...

interessante legal o blog


BLOG>>>> http://cariocax.blogspot.com/ e

twitter>>>> http://twitter.com/cariocaxblog

Felipe disse...

hum hum hum, filmes é muito legal gostei do blog bem legal!

Pobre esponja disse...

Você escreve muito bem, parabéns.
Bom, se acontecer de eu ver esse filme, já terei ao menos a premissa do que se trata.

abç
Pobre esponja

Chris Marques disse...

Eu vi esse filme! É lindo! Afinal de contas, com Emma Thompson e Dustin Hoffman só podia sair coisa boa.
Tudo bem, eu me vi daqui a alguns anos, mas isso já é uma outra história...

Felipe disse...

Pela descrição que você adiantou na postagem, acho que é um filme meio parado. Sim, tem filmes parados que são muito bons como "A procura de Felicidade", mas eu particularmente gosto dos que tem mais ação e emoções a flor da pele.

http://cerebro-musical.blogspot.com

Hanna Estevam disse...

Ainda não assisti. Gostei muito da analise que fez e até fiquei curiosa para assistir, mesmo não sendo meu estilo predileto.

Beijos!

Bananada é 10 disse...

eu ja assitie
filme otimo

recomendo

abraços

*.*Allegr!a*.* disse...

Filmaço!
Ainda bem que vc já informa o que a galera pode esperar...

Parabéns pelo espaço!

Beijo

dmscontos disse...

E é bom o filme amigo? Aguardo resposta.

PanPum Flûor disse...

esse filme é fantastico *_*

adorei, perfeito pra levar a namorada XD
juuuro ^^


e Dustin Hoffman é perfeito, um ator em tanto!
achei mó loucura ele levar a mulherzinha pro casamento da filha, mas o filme é bem legal mesmo!

:D

Danilo Moreira disse...

Interessante sua analise do filme. Vc nao faz propriamente uma sinopse da história, mas as sensações e pensamentos a que o filme nos leva. Parabéns!!
Abçs!!!

http://blogpontotres.blogspot.com/

Rogerio disse...

esse tipo de filme não faz meu tipo...mas parabens pelo blog..ja passei aki varias vezes e sempre tem algo interresnate,,

Tiago Dadazio disse...

É AQUELE QUE A TIA TETA MORRE!

Marton Olympio disse...

Pois é.
Vi tb e gostei.
Gostei mais ainda porque me parece aum daqueles filmes feitos entre o final de 1970 e começo de 1980, onde atores soberanos, assim como o Hoffman, podiam atuar sem explosões ou subterfúgios como coadjuvantes.
Bela dica.
Bom filme.

E se quiser, apareça:

http://martonolympio.blogspot.com/

J. C David disse...

hum...muito mais ou menos esse filme..Dustin já fez coisas melhores.

Tiago Cervo disse...

Esse filme parece que não vai me agradar nem um pouco , mas quem sabe talvez eu veja..

grande abraço

C. disse...

Fiquei curioso a respeito desse filme xD

www.teoria-do-playmobil.blogspot.com

Juliana Mendes disse...

car, fui assistir transformers 2...
Uma merda... ñ se eh pq n gosto de filmes de robô...
Mas...
detestei...
:)

Tiago Dadazio disse...

É BOM!

Jack , disse...

adoreeeeei o blog ;)
parabénss !
fiqueeei atéah curiosa pra ver o filme
beeejos:*

Frank disse...

poxa vida, ainda nao tive a oportunidade de assistir este filme!!

le disse...

esse filme parece ser massa :D


http://liondesign.tk/

Bananada é 10 disse...

deve ser bom esse filme
curtie o blog

abraços

http://bananadae10.blogspot.com/

Fábio Flora disse...

A despretensão do roteiro, a discrição do diretor, as atuações maduras de Dustin Hoffman e Emma Thompson, a paisagem londrina, tudo isso transforma um filme simples num verdadeiro oásis de sensibilidade, em meio a um mundo tão barulhento, frenético, em que não há mais tempo para uma boa conversa num bistrô qualquer, um café, uma fatia de bolo saboreada sem pressa.

ederdbz disse...

Às vezes é bom sairmos um pouco dos blockbusters e irmos para filmes mais "alternativos".
Mas este em particular não me chamou muito atenção...
Mas quem sabe não o veja em DVD...

TOP DOWNLOAD FREE disse...

Gostei Muito do Seu Blog.

Textos interessantes.

Já ta nos Favoritos.

Gúh! disse...

Mais um pra minha lista !


Vou assistir :)

Anônimo disse...

Gostei muito do texto. Falar em Michael Jackson é falar do fictício, do irreal. Seria uma luz que ganhou/perdeu um corpo? Seria um camaleão bípede a dançar ofuscando os humanos ou apenas um menino grande, branco e esquisito? Não sei, não sei mesmo! Penso até agora se ele foi/é astro ou infinito, soberano ou vítima, concreto ou abstrato... O que sei é que semideuses vêm e vão (se é que vão) sem nos dar explicações. Abraços, M.M.

Euzer Lopes disse...

Eu vou ser sincero: adoro filmes meio fora do circuitão. Embora eu vá ao Cinemark, dois dos canais de filmes que vejo muito em minha casa são o "Telecine Cult" e o "Max Prime".
Lá passam filmes que não foram fenômenos de bilheteria, mas que fizeram história por algum elemento de qualidade, de primazia ou mesmo de interpretações memoráveis.
Desprovidos de efeitos especiais, estes filmes brindam telespectadores com tramas baseadas em bons atores e ótimos enredos.