<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562</id><updated>2012-02-16T13:44:11.598-02:00</updated><title type='text'>Ultramuito</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ultramuito.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>129</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-7259217212108553715</id><published>2010-08-31T07:48:00.000-03:00</published><updated>2010-08-31T07:49:27.906-03:00</updated><title type='text'>Feitiço do tempo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/THzd4tG9RLI/AAAAAAAAAo4/rmUrYdf7-Uk/s1600/Calend%C3%A1rio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5511524010245833906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 305px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/THzd4tG9RLI/AAAAAAAAAo4/rmUrYdf7-Uk/s400/Calend%C3%A1rio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Comprei no sebo um voluminho de contos de Otto Lara Resende (professores adoram livros de contos, para os quais sempre têm intenções perversas). A edição, de 1992, principia por uma entrevista com o autor. Na última pergunta, o entrevistador se anima: “Em 1992, você comemora 40 anos de vida literária desde o seu primeiro livro, &lt;em&gt;O lado humano&lt;/em&gt; (contos). Como se sente?”. A resposta é daquelas que ficam ecoando no cérebro: “[...] Como me sinto? Profundamente irrealizado, com um gosto terrível de incompletação e uma tremenda vontade de me reinaugurar. De começar. Há um velho em mim que não sou eu”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há um velho em mim que não sou eu. Realmente. Tem síntese melhor para o fato de não sermos culpados do número de dias que já vivemos? Há uma mulher de trinta anos em mim, por exemplo, que não sou eu. Posso ter respirado pela primeira vez na mesma data, até na mesma hora que muitas outras mulheres de trinta anos, mas algumas destas talvez já estejam com quarenta, cinquenta e cinco, sessenta e oito. Quem sabe começaram a se virar na adolescência, trabalharam no sol, não estudaram, estudaram pouco, pariram muito, foram exploradas por sete homens consecutivos, ficaram doentes, cuidaram de filhos ou pais doentes. Têm milênios de vida. Outras, talvez, andem ainda pelos quinze ou dezesseis aninhos, deslumbradas unicamente consigo mesmas e com o cheque especial. Uma outra leva dessas mulheres tem realmente trinta anos: são mães (ou planejam ser), são chefes de algum setor (ou planejam ser), são circenses que equilibram casa-marido-trabalho-pais-filhos com um chicote na mão direita e uma &lt;em&gt;Marie Claire&lt;/em&gt; na esquerda. Todas viveram a mesma quantidade de rotações da Terra, mas cada qual em torno de um eixo. Número igual, durações diferentes. Nenhuma dessas mulheres de trinta sou eu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu, de verdade, não cheguei ainda aos trinta. Estou há anos presa num moroso limbo pós-vinte, alegre e preocupado, expectante, ansiosamente tranquilo, sempre com ares de véspera. Não há mais adolescência – cheia de planos vaporosos –, mas a infância ainda existe de se pegar; seus cheiros e memórias estão a um esticar de braço. E o futuro não parece definitivamente instalado. Apesar do trabalho que detesto, corre um ventinho esperançoso de talvez-um-dia, uma seiva de fluidez que lubrifica os sonhos. Presumo que o ventinho sempre correrá. Para o bem ou para o mal, não me vejo mudando de mala e cuia para dentro de uma idade que não seja a minha. Não me faço nem mais nem menos realizada do que sou para atender a um número que dizem corresponder-me.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nós nos habitamos (ou deveríamos habitar-nos) cada um a seu modo. Desconfio até que podemos ter, confortavelmente, uma linha do tempo distinta em cada cômodo de nós mesmos. Profissionalmente, tenho centenas de anos por um lado – porque cada aula dada a adolescentes malcriados pesa como décadas – e menos de duas dúzias por outro – já que a ideia de começar, reinaugurar-me em melhor caminho, nunca vai embora. Sentimentalmente, tenho a serenidade de amar como uma mulher de trinta e muitas experiências – e o ocasional frio na barriga de quem começou há dezepoucos dias. Jamais acreditei que eu não tenha sido respingada, sem querer, fora do século XIX, porém não sobreviveria sem as facilidades do XXI. Amo as possibilidades de nosso tempo; odeio suas urgências. Reservo-me, pois, o direito de reinar absolutista sobre a página da folhinha onde vou morar, o direito de pousar no livro de estória ou História que me aprouver. Não me venham com Balzac, estou com Luís XIV e não abro. O calendário sou eu. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-7259217212108553715?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=7259217212108553715&amp;isPopup=true' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/7259217212108553715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/7259217212108553715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/08/feitico-do-tempo.html' title='Feitiço do tempo'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/THzd4tG9RLI/AAAAAAAAAo4/rmUrYdf7-Uk/s72-c/Calend%C3%A1rio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-3815114615283595364</id><published>2010-08-28T15:50:00.005-03:00</published><updated>2010-08-28T16:00:34.598-03:00</updated><title type='text'>Pânico na tevê</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/THe3GzlxYXI/AAAAAAAAAog/t6pFUVJ5ZI0/s1600/poltergeist.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5510073996666823026" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 275px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/THe3GzlxYXI/AAAAAAAAAog/t6pFUVJ5ZI0/s400/poltergeist.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Não sei se rio, se choro, se dou um berro, se me escondo debaixo da cama, se chamo de uma vez um exorcista ou os Caça-Fantasmas. O fato é que minha tevê não está bem. Todo dia, na mesma hora, ela interrompe minha novela favorita − só para me assombrar. E aí um bando de espíritos zombeteiros invade a casa sem cerimônia me oferecendo um lugar no paraíso. Vade retro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até seria bacanérrimo viver nesse paraíso tão prometido, mas invariavelmente perdido: um oásis com educação em tempo integral, saúde pública de qualidade, saneamento básico, segurança e outras miragens. Mas, infelizmente, ele não existe. Ou só existe na minha tevê − que, acho eu, está com algum encosto brabo, quiçá vários.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um deles é o tal do Zé Tucano, ectoplasma com cabeção enorme, dentes de vampiro brasileiro e motosserra a tiracolo. Vive (ou morre, sei lá) perseguindo uma fantasmona de rosto esticado e cabelo quase tão armado quanto os traficantes do Rio de Janeiro. Sorte sua que o Barbudo dos Nove Dedos − entidade poderosíssima − a protege dele e de outros bichos-papões.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E eles não são poucos: tem a Mulher Fruta-do-Conde-Drácula, capaz de torcer os pescoços de quem atravessa seu caminho; tem o Seu Florentina, antiga aberração do folclore nacional; tem a Abominável Criatura das Agulhas Negras, cujo maior prazer é furar suas vítimas até a morte; tem ainda o Fantasminha Carioca, talvez o mais assustador de todos, justamente por seu jeitinho de criança esperança e camarada... O horror, o horror!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já consultei gurus, esotéricos, especialistas em outromundologia, até o Paulo Coelho e a Maga Patalógika, e todos foram taxativos: não há como escapar desses seres obsessores antes do dia 3 de outubro, quando os planetas do meu sistema nervoso-medroso devem finalmente se desalinhar. Enquanto isso não acontece, o jeito é espalhar água benta pela casa, não comer depois da meia-noite, guardar a tevê no porão e rezar muito, para todos os santos − até o Cramulhão dizer amém. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-3815114615283595364?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=3815114615283595364&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3815114615283595364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3815114615283595364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/08/panico-na-teve.html' title='Pânico na tevê'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/THe3GzlxYXI/AAAAAAAAAog/t6pFUVJ5ZI0/s72-c/poltergeist.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-578876799209668299</id><published>2010-08-21T09:55:00.003-03:00</published><updated>2010-08-21T12:14:47.490-03:00</updated><title type='text'>Meu limão, meu limoeiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TG_sujxTcGI/AAAAAAAAAoI/agYl-jXNyvo/s1600/Menina+vendendo+limonada.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; DISPLAY: block; HEIGHT: 225px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507881153917579362" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TG_sujxTcGI/AAAAAAAAAoI/agYl-jXNyvo/s400/Menina+vendendo+limonada.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deu no jornal, há pouco mais de uma semana: garotinha americana de sete anos vai pagar as próximas férias dela e da mãe (na Disney!) com os quase dois mil dólares que conseguiu vendendo limonada. Tudo começou quando a pequena Julie Murphy montou sua barraquinha em um festival de artes. Malvadamente, autoridades sanitárias fizeram da limonada um limão: interditaram a banquinha porque a menina “não tinha licença para operar como restaurante”. Se a microempresária não suspendesse as vendas, seria multada em US$ 500 – fortuna astronômica, considerando que cada copo do refresco custava módicos 50 cents. Julie saiu aos prantos do festival e o país chorou com ela. Comoção. Debates acalorados na internet.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Penalizado, o diretor do conselho administrativo da região adoçou o suco, pedindo desculpas pela burocracia agressiva e defendendo a venda de limonada como tradição dos americaninhos. O caso evidentemente ganhou a mídia, que acabou por fazer do limão um limoeiro: uma estação de tevê local e uma loja de pneus patrocinaram nova barraquinha para que Julie vendesse a bebida durante uma tarde. Os frutos de US$ 1.838,31 vão render dias suculentos em terras de Mickey, nesse finalzito de agosto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A notícia marcou um triplo X no meu coração. Em terceiro lugar, por causa do exemplo de empreendedorismo que é bandeira dos jovens americanos de classe média. Trata-se, é fato, de uma nação financeiramente violenta – mas o jeito como a coisa termina, nas arenas de Wall Street, não é motivo para se deixar de admirar seus bons inícios. Ianquezinho que é ianquezinho não se pendura apenas em mesada de mãe: corta a grama da vizinhança, tira a neve da calçada, entrega jornal no quarteirão, se vira baby-sittando os filhos da professora. Faz a América – ainda e sempre. Não deita em berço esplêndido de cristal até os 22 anos (ou eternamente), aguardando o beijo que o acordará para o sol de um novo mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em segundo lugar, fiquei alegremente impressionada com a atitude da tevê e do comércio local em relação a Julie. Não, não vou falar de clichês que envolvam peixes e varas de pesca – pero que los hay, los hay. Quantos resistiriam à tentação de consolar a garotinha chorosa com uma boa e bem publicitária viagem (ou LCD, ou bicicleta, ou pirulito de cinco metros), que promovesse a marca em todos os sites e canais? E que moral a menina tiraria de uma fábula que lhe entregasse um castelo pelo preço de um beicinho? Em vez de virar mascote de luxo nas redondezas, a pequena Murphy ganhou de volta exatamente o que queria, exatamente aquilo por que chorou: o trabalho numa barraquinha de limonada. Se saísse de casa sonhando vender limonada e, sem ter vendido limonada, voltasse com um par de ingressos do Magic Kingdom, ela talvez desembestasse a crer em contos de fadas, mas dificilmente creria neste mundinho que é &lt;em&gt;a real world after all&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que me seduziu na notícia em primeiríssimo lugar, porém, foi a crença em contos de fadas (por que não?) do nosso &lt;em&gt;real world&lt;/em&gt;. A capacidade de transformar moeditas de 50 centavos em chapéus de orelhinhas redondas, de virar uma banquinha de refresco em Castelo da Cinderela, com o simples &lt;em&gt;bibbidi-bobbidi-boo&lt;/em&gt; de uma tarde inteira de labuta. Apesar do sobrenome, Julie Murphy é a embaixadora das possibilidades felizes. Daquela mágica que não precisa de mágica, que não transfigura abóboras: paga a própria carruagem com a paciência de espremer e adoçar limões. São coisas excelentes, sim, as histórias de varinha e condão – mas indispensáveis mesmo são as (pequenas?) maravilhas que nascem à prova de doze badaladas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-578876799209668299?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=578876799209668299&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/578876799209668299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/578876799209668299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/08/meu-limao-meu-limoeiro.html' title='Meu limão, meu limoeiro'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TG_sujxTcGI/AAAAAAAAAoI/agYl-jXNyvo/s72-c/Menina+vendendo+limonada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-2059795118295468075</id><published>2010-08-15T12:10:00.002-03:00</published><updated>2010-08-16T07:46:03.229-03:00</updated><title type='text'>Balabanianas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TGaF4hzz1AI/AAAAAAAAAoA/iIRYlVnSUAs/s1600/Aracy2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505234800701854722" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TGaF4hzz1AI/AAAAAAAAAoA/iIRYlVnSUAs/s400/Aracy2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Aracy é um vulcão em atividade. Um coração que não envelhece. Uma senhora locomotiva com motor Ferrari de mil cavalos. Um casarão onde cabem todas as alegrias. Um pecado rasgado, um deus-nos-acuda. Uma caixa de bombons cheia de surpresas, transas e caretas. A surpresa que sai da Toscana com sabor de mortadela; a transa que sai de baixo, de cima, do avesso; a careta que sai da Armênia com três "filhinhas" a tiracolo. Mangia che te fa bene!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela é Gemma Mattoli, a irmãe superprotetora, quiçá overprotetora de sua família. Uma leoa que cuida dos seus com unhas, dentes e o que mais estiver à mão: La Madonna, a sacola da feira ou até um rolo de macarrão. Ecco. O que veramente importa é desmascar la Chiara, aquela schifosa, farabutta, civettona senza pudore. Capisci?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já foi Cassandra Matias Salão Pereira para a sociedade, Cascacu para os íntimos e Cabeção para o Caco Antibes. Atendia ainda pela alcunha de Dona Casseta, viúva de um brigadeiro que só lhe deixou de herança Magda, a filha cuja maior – senão única – especialidade era o canguru perneta e outras zoologias. Morou tempos no apê do irmão (Vavá), no Largo do Arouche, onde destilava seu laquê e desfilava vestidos coloridamente esvoaçantes: como esquecer o amarelo quindim vitaminado? Ou o roxo hematoma gigante?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também foi Dona Armênia, um senhor de muita respeita, defensor do moral, das boas costumes e de suas filhinhas: Gérson, Gera e Gino (ou Gina, sei lá). Sua cabelo vermelha tinha tanto força e atitude, que a fez atravessar novelas – de &lt;em&gt;Rainha da sucata&lt;/em&gt; (1990) a &lt;em&gt;Deus nos acuda &lt;/em&gt;(1992), as duas do cambalacheiro Sílvio de Abreu –, e ela acabou se tornando um dos maiores highlanders da teledramaturgia brasileira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gemma, Cassandra, Armênia, Filomena, Marta, Maria Faz Favor, Violeta, Gabriela, até Shafika Sarakutian, Aracy balabaniou geral. Um gerador em altíssima voltagem, movido a muito sangue e passione. Uma atriz no limite do curto-circuito – capaz de explodir a cena, de fazer voar pelos ares gargalhadas e choradeiras, de botar o público (feliz da vida) na chon.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-2059795118295468075?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=2059795118295468075&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/2059795118295468075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/2059795118295468075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/08/balabanianas.html' title='Balabanianas'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TGaF4hzz1AI/AAAAAAAAAoA/iIRYlVnSUAs/s72-c/Aracy2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-9053211063242733781</id><published>2010-08-07T12:22:00.000-03:00</published><updated>2010-08-07T12:22:36.801-03:00</updated><title type='text'>Velha infância</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TFqqHc9cekI/AAAAAAAAAn4/nhpm0zC5kVU/s1600/O+pequeno+Nicolau.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5501896939796200002" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TFqqHc9cekI/AAAAAAAAAn4/nhpm0zC5kVU/s400/O+pequeno+Nicolau.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;O cafuné de Mãe me acordando. O ônibus que sacolejava meus bocejos até a escola. A professora que segurava minha mão quando eu era o primeiríssimo da fila. O lanchinho Mirabel que eu comia todos os recreios. A troca de figurinhas com os colegas. O pique-pega, alto, parede. O purê de batata com caldo de feijão no almoço. O &lt;em&gt;Xou&lt;/em&gt; gravado para eu ver a tarde inteirinha. Pai chegando do trabalho com mais pacotes de figurinhas e perguntando "cadê meu beijo?". A novela das sete sassaricando. O jantar que eu não lembro. Os gibis do Tio Patinhas. Os travesseirinhos inseparáveis. A hora de dormir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu mundo era descomplicado. Nem nos sonhos impossíveis era tão perfeito. Como perfeito era o do pequeno Nicolau, menino inventado pelos franceses René Goscinny e Jean-Jacques Sempé (e que agora virou filme, &lt;em&gt;Le petit Nicolas&lt;/em&gt;). Muito amado pelos pais, o garoto vivia numa casa simples mas aconchegante, tinha amigos que adorava e uma professora docinho-de-coco. Que mais poderia querer? Que resposta poderia dar à surrada pergunta que toda criança um dia ouviu: que você quer ser quando crescer? Ele não sabia, eu também não. Porque não queríamos crescer. O mundo não tinha que mudar. O mundo não tinha &lt;em&gt;o&lt;/em&gt; que mudar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só que a vida de Nico (se me permitem a intimidade) sofreu uma reviravolta daquelas quando ele passou a acreditar que seus pais tinham encomendado um irmãozinho. Temendo ser deixado de lado e – pior – ser esquecido numa floresta, arrumou mil atrapalhices para mostrar a eles que era indispensável. Só que ele não agiu sozinho. Contou com a ajuda dos amigos, uma trupe intrepidamente batutinha: o Alceu, um &lt;em&gt;nhonho&lt;/em&gt; que sonhava ser ministro só por causa dos banquetes; o Clotário, um &lt;em&gt;godines&lt;/em&gt; que sentava na última carteira da sala e nunca sabia o que estava acontecendo; o&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Godofredo, um &lt;em&gt;riquinho&lt;/em&gt; que comprava todas as fantasias que o papai podia pagar; o Agnaldo, um &lt;em&gt;bumbunzinho-de-ferro&lt;/em&gt; que ia aos céus sempre que tinha a chance de, por exemplo, citar os principais afluentes do Sena diante dos colegas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esses (e outros) meninos eram de pintar o sete, enchiam qualquer tela de graça, leveza, de uma saudável ingenuidade – e mereciam nota dez por isso. Como também mereciam nota dez os pais de Nico. Os dois eram adoráveis, muitíssimo bem-humorados, embora soassem um bocado esquisitos quando nos convidavam para jantar em sua casa. Estavam sempre tropeçando na lagosta e viajando na maionese. Quantas vezes não os imaginei possuídos por um espírito tão zombeteiro quanto o Beetlejuice e dançando a "Banana boat song" pela casa. Pena que nem todo sonho bobo vire realidade colorida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou sentir saudades de Nico, de sua família, de sua turma. Do mesmo jeito que sinto saudades de um tempo em que a maior preocupação era um dever de casa, em que viajar na mala de uma linda Belina azul era a maior diversão, em que toda a maldade do mundo se resumia a Odete Roitman e Maria de Fátima, em que existia um sorvete chamado Sem Nome, em que Vó corria atrás de mim e do meu irmão no quintal, em que ainda não me preocupava (tanto) com vírgulas, pontos e letras, em que "o que você quer ser quando crescer" era apenas mais uma pergunta sem resposta. Um tempo em que Nico e eu só sabíamos de uma coisa – que era bom ser moleque enquanto pudéssemos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-9053211063242733781?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=9053211063242733781&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/9053211063242733781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/9053211063242733781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/08/velha-infancia.html' title='Velha infância'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TFqqHc9cekI/AAAAAAAAAn4/nhpm0zC5kVU/s72-c/O+pequeno+Nicolau.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-6073933686132669899</id><published>2010-07-31T11:51:00.004-03:00</published><updated>2010-07-31T12:19:31.170-03:00</updated><title type='text'>Crônica de uma morte anunciada</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TFQ-zZh828I/AAAAAAAAAng/_hx4BXWornU/s1600/JB1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 257px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5500090097673755586" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TFQ-zZh828I/AAAAAAAAAng/_hx4BXWornU/s320/JB1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;Desde criança, gosto de sentir o cheiro do que estou lendo. Das páginas compradas em sebo ou do livro zerinho, recém-saído da megastore. Da gramática, da lista telefônica e até da prova de vestibular. Distingo facilmente a &lt;em&gt;Cláudia&lt;/em&gt; da &lt;em&gt;Marie Claire&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt; do &lt;em&gt;Jornal do Brasil&lt;/em&gt;, apenas pelo aroma de folha e tinta. Loucura? Coerência, eu diria. Como todos sabem, nosso álbum afetivo é composto especialmente por pecinhas olfativas – e alguém que fez Letras não poderia guardar perfumices somente em frasquinhos de vidro. Fico, pois, um bocadinho órfã ao saber que uma página desse álbum será arrancada. Em breve, muito breve, não terei mais o aroma de folha e tinta do &lt;em&gt;Jornal do Brasil&lt;/em&gt;: jornaleiros amigos já soltaram a nota de seu futuro falecimento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perder o Jotabê é como ver morrer um estado do país, presenciar a demolição de um monumento ou a falência, sei lá, da Coca-Cola (embora eu não goste de coca-cola). O Jotabê é coisa que não &lt;em&gt;está&lt;/em&gt;: &lt;em&gt;é&lt;/em&gt; – ou deveria continuar a ser. Durante algum tempo, fomos assinantes do bichinho, então parte das manhãs de minha infância foi tão embalada pelos quadrinhos do Caderno B quanto pela música de &lt;em&gt;Cavalo de Fogo&lt;/em&gt;. Nos fins de semana, revista Domingo: eu lia – sem entender absolutamente nada – as colunas gastronômicas do Apicius, me divertia com as crônicas do (hoje global) Verissimo, me irritava com as bobagens de Tutty Vasques, me intrigava com os filmes anunciados nas páginas em preto e branco – sim, a Domingo tinha páginas em preto e branco, depois transferidas para a revista Programa das sextas-feiras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mesmo após largarmos a assinatura, acompanhei a eleição da “Musa do Verão” de vários anos, a contagem regressiva para a Domingo de número mil, as inteligências do caderno Ideias, o nascimento da Programa como hoje a conhecemos, cada transformação no design da minha querida revista de sexta – da qual me tornei dependente. Eu e minha irmã. Chegamos ao cúmulo de, morando na mesma casa, comprarmos dois Jotabês a cada sexta-feira, só para cada uma ter a sua Programa. A minha eu não amasso, não dobro, quase não carrego na pasta: conservo protegida, aninhada dentro do jornal em que ela veio, até a edição seguinte. Por que dentro do jornal? Para que ela não perca seu cheiro característico, o aroma de Jotabê que eu, maluca, preciso que ela tenha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando o &lt;em&gt;Jornal do Brasil&lt;/em&gt; enxugou as formas, colocando-se em tamanho de tabloide, soou o alerta: economia de papel. Percebi que a coisa andava feia, mas não queria acreditar que meu amigo velho de guerra perderia a batalha. Infelizmente, perdeu. Perdeu para as nojices compradas a 50 centavos, os arremedos de jornal sem cheiro de infância, com gosto salgadinho de sangue. Não digo que tenha perdido para &lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt;, porque este foi sempre um digno (e cada vez melhor) vencedor. Perdeu, sim, para a ignorância e a preguiça em sua pior espécie, a leitura acomodada, o sensacionalismo marrom. Sempre os houve, mas sempre houve também quem esperasse mais do que a notícia (e a não notícia) pingada nos olhos a conta-gotas, previamente mastigada. Não há mais. Pelo menos, não há &lt;em&gt;quorum&lt;/em&gt; suficiente no Rio de Janeiro para mais de um jornal – que faça jus ao nome.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acabou o Jotabê impresso. Agora, só cristalizado na internet, preso num aquário virtual sem aroma de folha e tinta. Acabou uma era longa e bonita, começada em 1891. Que venham os fins de semana sem Domingo, as sextas-feiras sem Programa. E um país progressivamente sem Ideias. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-6073933686132669899?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=6073933686132669899&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6073933686132669899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6073933686132669899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/07/cronica-de-uma-morte-anunciada.html' title='Crônica de uma morte anunciada'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TFQ-zZh828I/AAAAAAAAAng/_hx4BXWornU/s72-c/JB1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-3412383526796023967</id><published>2010-07-24T14:52:00.008-03:00</published><updated>2010-07-24T21:38:34.081-03:00</updated><title type='text'>De malas (des)feitas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TEuHaT_ksWI/AAAAAAAAAnY/UgePU_jVGos/s1600/malas5.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5497636656249090402" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TEuHaT_ksWI/AAAAAAAAAnY/UgePU_jVGos/s320/malas5.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TEuFj0LoOYI/AAAAAAAAAnQ/YzhnXpXUyr8/s1600/malas5.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TEuBP0gEvGI/AAAAAAAAAnI/WLlTBTfwoIA/s1600/Malas2"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TEtOz1QtN4I/AAAAAAAAAnA/8HGKQAvLS8k/s1600/Malas1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dias atrás, eu lia na Revista da TV d&lt;em&gt;O&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Globo&lt;/em&gt; uma entrevista com a dramaturga Elizabeth Jhin. Impressionei-me com um comentário da autora: “(...) é estranho porque todo mundo se prepara para tudo: estuda para entrar numa faculdade; faz curso de noivos para se casar; quando vai ter filhos, lê um monte de livros sobre bebês; até para preparar um bolo você precisa estudar uma receita. E para a morte, que é a única coisa certa na vida de todo mundo, ninguém se prepara”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar de não ser exatamente indiferente à ideia da morte, eu nunca tinha elaborado o pensamento dessa forma, e a considerei perfeitíssima. Absurdamente genial pela própria simplicidade sem tabus, sem rodeios. Somos educados para continuar, não para terminar. Pergunta-se às crianças o que elas pretendem se tornar ao crescer – mas jamais lhes perguntam quem desejarão ter sido ao morrer. Recomenda-se aos universitários que engordem o &lt;em&gt;curriculum vitae&lt;/em&gt; com mestrados e doutorados sem fim – mas ninguém lhes recomenda que seu curso de vida chegue bastante caudaloso a seu fim. Quer-se saber quando os jovens namorarão, quando os namorados casarão, quando os casados produzirão novas vidas – mas dificilmente se quer saber se todas essas vidas produzirão boas mortes. Obcecados que estamos pelo transitório, fingimos não ter tempo para pensar no definitivo. De fato não temos tempo: somos (tolamente cegos, pavões indefesos) tidos por ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como nos preparar para a morte? Mais ou menos ao contrário do que fazemos com a vida. Para viver, abarrotamos as malas rumo à maior das viagens: mais bens, mais figurinos, mais diplomas, mais informações, mais contracheques, mais celulares, mais seguidores, mais experiências, mais clientes. Arrastamos um trailer de bagagem ao longo do caminho, sempre de olho no próximo minuto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para morrer, estaremos tão mais preparados quanto mais coisas formos deixando pela estrada. Quanto mais histórias contarmos, em vez de as guardarmos para o livro que talvez não chegue a ser escrito. Quanto mais perdões concedermos, em vez de os estocarmos à espera do pedido que nunca será feito. Quanto mais brinquedos presentearmos, em vez de os encaixotarmos para o filho que não teremos. Quanto mais abraços distribuirmos, em vez de os reservarmos para os grandes amigos que não viremos a conhecer (ou que não conseguiremos reencontrar). Quanto mais conhecimento partilharmos, em vez de o destinarmos apenas ao emprego que não acredita em salvar o mundo. Quanto mais tempo emprestarmos. Quanto mais exemplos dermos. Quanto mais ouvidos (e mãos) oferecermos. Quanto mais conselhos. Quanto mais gargalhadas. Quanto mais sementes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto menos houver de exclusivamente nosso, no fim, mais equipados estaremos para ancorar sem desvios de rota. &lt;em&gt;Check-in&lt;/em&gt; bem-sucedido é o do viajante que chega a seu porto com as malas suficientemente vazias. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-3412383526796023967?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=3412383526796023967&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3412383526796023967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3412383526796023967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/07/de-malas-desfeitas.html' title='De malas (des)feitas'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TEuHaT_ksWI/AAAAAAAAAnY/UgePU_jVGos/s72-c/malas5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-6269353351224879672</id><published>2010-07-17T17:00:00.004-03:00</published><updated>2010-07-18T10:27:03.784-03:00</updated><title type='text'>It's raining...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TEMBEstnb9I/AAAAAAAAAm4/U4P2rorJoWM/s1600/A+gaiola+das+loucas4.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5495237150555729874" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TEMBEstnb9I/AAAAAAAAAm4/U4P2rorJoWM/s320/A+gaiola+das+loucas4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TEGfyOkeBbI/AAAAAAAAAmo/PPTYM2e9bJE/s1600/A+gaiola+das+loucas4.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Sol e chuva não dão casamento de viúva, nem chuva e sol dão casamento de espanhol. Podiam dar casamento de viúva com espanhol, mas não. Eles dão arco-íris, daqueles cheios de energia, todo trabalhado no technicolor. E, no final desse arco-íris, não está um pote de ouro. Está, sim, um pote de purpurina – uma casa de espetáculos chamada &lt;em&gt;A Gaiola das Loucas&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lá vivem felizes para sempre Georges e Albin: ele (ou ela) se transforma em Miguel Falabella – dono do cabaré mais famoso da Riviera, a Gaiola –, entretém seus convidados, tem vozeirão que até desengana, faz senhores, senhoras e o (não tão) respeitável público gozar de tanto rir de seus cacos e cassandras; o outro (ou outra) se transforma em Diogo Vilela – a estrela Zazá, nas horas de palco –, chama plumas e paetês para si, canta e encanta como uma "senhora" que apenas é... o que é, não importa a maquiagem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eles formam um casal como qualquer outro. Têm suas briguinhas, seus altos e baixos, mas estão juntos há mais de vinte anos. Têm também um filho, o Jean-Michel, que, como todo bom menino, gosta de contrariar os pais – e dá para gostar de meninas. O amor de sua vida é a docinho Anne, filha de Édouard Dindon, presidente do Partido da Família, Tradição e Moralidade (PTFM), uma bicha má que promete varrer da pista todos os espécimes "alegres" da Riviera, caso seja eleito (eleito a quê, só Gloria Gaynor sabe).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que situação. De ficar bege, quase creme, indo para um areia clarinho, bem Búzios. Mas abafa o caso, que tudo há de se ajeitar no final. Antes, porém, o – a esta hora da madrugada – nadíssima respeitável público se diverte com canções engraçadinhas, como "Masculinity" (em que Georges tenta ensinar Albin a comer um croissant feito John Wayne), fofas, como "With Anne on my arm" (em que Jean abre o coração para seu papá), ou simplesmente montadas na emoção, como "I am what I am" (em que Albin &lt;em&gt;shouts out loud &lt;/em&gt;que ele é o que é). Um luxo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vale demais fazer uma visitinha à Gaiola e conhecer suas "meninas" maluquinhas. Sem meda. O babado é fortíssimo, as perucas saem do armário, mas a plateia sobrevive. Eu sobrevivi. Minha pequena sobreviveu. Papai e mamãe sobreviveram. Embora eu não goste de bancar a Madame Zoraide, (quase) posso garantir: você sobreviverá. Especialmente se for simpatizante – dos bons musicais, é claro.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-6269353351224879672?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=6269353351224879672&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6269353351224879672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6269353351224879672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/07/its-raining.html' title='It&apos;s raining...'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TEMBEstnb9I/AAAAAAAAAm4/U4P2rorJoWM/s72-c/A+gaiola+das+loucas4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-19472716835338401</id><published>2010-07-11T11:50:00.003-03:00</published><updated>2010-07-12T08:53:35.570-03:00</updated><title type='text'>Jabulani e mais dez</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TDhhqX_dxXI/AAAAAAAAAl4/AMJqJyV0Xus/s1600/Jabulani.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 278px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5492247126200927602" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TDhhqX_dxXI/AAAAAAAAAl4/AMJqJyV0Xus/s400/Jabulani.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Juro que tentei. Me esforcei ao máximo. Até catei outro assunto "da hora" nos sites de notícia e de busca, mas só me ofereceram o goleiro Bruno, a Dilma Rousseff e o José Serra. Aí achei melhor declinar. E me render à Copa, ainda que aos 45 do segundo tempo. Tinhosa feito a Jabulani, ela acabou me pegando. Na veia. Onde a coruja dorme.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quer dizer, o Mundial não me pegou exatamente pelo futebol, muitíssimo menos pela seleção do Dunga, que, mesmo com tantos volantes, parecia sem direção (não foi à toa que nossa eliminação começou com uma "batida feia" entre Felipe Melo e Júlio César). Na verdade, o que mais chamou minha atenção sempre esteve fora das quatro linhas. A exceção, óbvio, foi a Jabulani, a bola mais "celebridade" da história das Copas. Periga ela aparecer no próximo &lt;em&gt;Big Brother &lt;/em&gt;e faturar – com justiça – o prêmio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a Copa não foi só dela. Houve outros momentos dignos de nota (em qualquer coluna social): o delicioso rebolation da Shakira no show de abertura; as caras, bocas e &lt;em&gt;besitos&lt;/em&gt;, à beira do campo, daquele-que-se-diz-melhor-que-Pelé; o polvo alemão que desbancou Mãe Diná, Robério de Ogum e Madame Mim; o mundo inteiro pedindo para que o Galvão Bueno calasse a boca; a campanha para que o Caio Ribeiro fosse libertado de seu cativeiro global; a torcida animadíssima de Larissa Riquelme pelo seu Paraguai... Ai, ai, ai, ui, ui!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como não só de beldades vive um Mundial, tivemos também o velho Mick Jagger, que, como torcedor, é um excelente líder dos Rolling Stones; o ainda novo Cristiano Ronaldo, que, como jogador, foi o melhor garoto-propaganda do Gel do Seu Manuel; as onipresentes vuvuzelas, que, esperamos, sejam terminantemente proibidas em 2014; e os discursos improvisados do companheiro Lulalá, que, esperamos, sejam terminantemente proibidos em 2014, 2016...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por essas e outras (que não caberiam neste &lt;em&gt;top eleven&lt;/em&gt;), já está na história a primeira Copa na África. Claro, talvez tenha faltado um time da casa entre os semifinalistas – o que, cá entre nós, seria uma zebraça e confirmaria o jeitão de safári da festa. Mas &lt;em&gt;la mano de Dios&lt;/em&gt; não quis assim, fazer o quê. Com ou sem zebra, o Mundial à africana cumpriu – com sobras – sua maior promessa: a de que a "fauna" seria exuberante...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-19472716835338401?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=19472716835338401&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/19472716835338401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/19472716835338401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/07/jabulani-e-mais-dez.html' title='Jabulani e mais dez'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TDhhqX_dxXI/AAAAAAAAAl4/AMJqJyV0Xus/s72-c/Jabulani.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-91501542134742608</id><published>2010-07-05T19:12:00.000-03:00</published><updated>2010-07-05T19:12:05.271-03:00</updated><title type='text'>Não é brinquedo não</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/TDJYVNs9L-I/AAAAAAAAAME/72QkJ_0zG1E/s1600/toy-story-3-1893.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 250px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5490548017196773346" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/TDJYVNs9L-I/AAAAAAAAAME/72QkJ_0zG1E/s400/toy-story-3-1893.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;De vez em quando, cai bem fazer um check-upzinho pra ver se tudo continua em cima. Neste caso, vai uma sugestão. Se quiser ter a certeza de que permanece tão humano quanto no último exame, vá assistir a &lt;em&gt;Toy story 3&lt;/em&gt;. Saiu de coração e olhos sequinhos, incólumes, invictos? Meu amigo, sinto informar que você exagerou na blindagem e se aposentou do mundo. Gente que é gente – pele, carne, osso, nervos – chora em &lt;em&gt;Toy story 3&lt;/em&gt;. Ou tenta não chorar. Ou fica arrepiada. Ou fica incomodada. Ou fica nostálgica. Ou suspira. Ou soluça. Ou passa os dez minutos finais engolindo os soluços para, pelo menos, não aumentar o vexame. Ou todas as anteriores. Mas dos totalmente invulneráveis eu tenho medo, muito medo. Não vou querer encontrar um desses num beco à meia-noite. De preferência, nem na rua ao meio-dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu? Eu nunca tentei (tanto) não chorar tanto em um filme. Chorei, o Fábio chorou, saímos de olhos vermelhos, no banheiro chorei mais, choro mais ainda ao me lembrar da história – inclusive enquanto escrevo este úmido texto. Se for indício de humanidade, estou candidata ao Nobel. &lt;em&gt;TS3&lt;/em&gt; não é brincadeira. Sim, é um filme sobre brinquedos, aqueles mesmos que há tanto conhecemos: Woody, Buzz, Jessie, Sr. e Sra. Cabeça de Batata, Rex, Slinky, Porcão, Bala no Alvo e – meus preferidos – os etês fofíssimos do Pizza Planet (“Salvou nossas vidas! Seremos eternamente gratos!”). Aliás: é um filme &lt;em&gt;com&lt;/em&gt; brinquedos. Mas nunca foi tão demasiada e humanamente sobre nós. Sobre o tempo e o que fazemos dele. Sobre o tempo e o que ele faz da gente. Sobre o tempo e o que fazemos com o que ele nos fez.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar da aventura ritmada e dos alívios cômicos – como a metrossexualidade de Ken e o lado &lt;em&gt;caliente&lt;/em&gt; que aflora em Buzz –, o que fica de &lt;em&gt;Toy story 3&lt;/em&gt; se resume na dúvida do Fábio, que saiu do cinema com a estranha sensação de não saber se seus brinquedos antigos, doados, haviam encontrado um lar feliz ou uma creche Sunnyside (o “inferno” da história). “Que pergunta doida, a gente sabe que os brinquedos não sentem e falam de verdade”, ele próprio se censurou. Não importa. A questão procede. Woody, Buzz, meus queridos etezinhos e os demais bonecos não estão no filme para &lt;em&gt;se&lt;/em&gt; ser. Nem para ser os brinquedos que tivemos. Eles &lt;em&gt;nos&lt;/em&gt; são. Encarnam aquela parte coloridamente essencial de nós mesmos, quase sempre amassada e soterrada por pilhas de seriedade, medo, tempo e exaustão que lhe jogamos por cima.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se saímos massacrados da sessão, não é porque nos perguntamos quem ficou com a boneca Anjinha ou o carrinho Teteco, que nos conheceram aos cinco, sete, dez anos. Perguntamo-nos, sim, onde passou a morar aquilo que tanta importância teve para nossa parte colorida. Onde passou a morar nossa parte colorida. A quem (ou a que) entregamos nossa parte colorida. Em que mãos depositamos aquela pessoa que começou nossa vida em nosso lugar. Aquela pessoa que construía histórias com as folhas do jardim – antes de as construirmos com palavras. Aquela pessoa que acreditava em homem de capa vermelha, superforça e supervelocidade – antes de acreditarmos em salvar o mundo todo dia um bocadinho, mesmo sem sairmos voando de uma cabine telefônica. Aquela pessoa que colocava roupinhas num fósforo (!) de estimação – antes de aprendermos a cuidar de um ser vivente, às vezes até humano. Aquela pessoa, enfim, que inaugurou nossas vidas para nós, emprestando-nos a bagagem que se encheria ao longo do caminho. A pessoa que fomos antes de sermos; a pessoa que pintou um arco-íris de energia em nossos alicerces; a pessoa que (como o caubói Woody) não desistiu de nós, ainda que tenhamos temporariamente desistido dela. Aquela criatura esquisita e maravilhosa que salvou nossas vidas – e à qual seremos eternamente gratos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-91501542134742608?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=91501542134742608&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/91501542134742608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/91501542134742608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/07/nao-e-brinquedo-nao.html' title='Não é brinquedo não'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/TDJYVNs9L-I/AAAAAAAAAME/72QkJ_0zG1E/s72-c/toy-story-3-1893.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-5580035170417082406</id><published>2010-06-30T19:46:00.001-03:00</published><updated>2010-06-30T19:46:54.818-03:00</updated><title type='text'>Lollipop Guild</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/TCT4Q1YlxqI/AAAAAAAAAL8/jmDKvhQHgkw/s1600/Tanque+de+bal%C3%B5es+coloridos+2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 317px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486783214135920290" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/TCT4Q1YlxqI/AAAAAAAAAL8/jmDKvhQHgkw/s400/Tanque+de+bal%C3%B5es+coloridos+2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;Um daqueles anúncios de internet na página. O slogan “descubra um mundo que já é possível” e o provocativo “passe o mouse”. Tudo bem: passe. Clicar eu não clico. Sabe-se lá o que pode vir de um anúncio de internet. Mas dar uma esfregadinha com o mouse, como quem esfrega curioso a lâmpada mágica, vá lá. Passei o mouse. O anúncio se estendeu, fez aparecer um carrinho que caminhava pela estrada. E o complemento da propaganda: “blindagem a partir de R$ 18.950”. Nos pontos da estrada em que o carrinho deslizava mansamente, dentro de sua bolha de felicidade, tudo se coloria. O cinzento da cidade se açucarava. Postes, por exemplo, eram vistos como pirulitos de Natal – aqueles vermelhos e branquinhos que os americanos chamam de &lt;em&gt;candy canes&lt;/em&gt;. What a wonderful world.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Blindagem, claro; esse é o “mundo possível”. Santa tolice minha, Batman, achar que a minúscula inscrição abaixo do logotipo da marca – &lt;em&gt;the miracles of science&lt;/em&gt; – teria algo a ver com progresso científico, benefícios coletivos, melhor qualidade de vida para todos, essas bobagens. O negócio é prático. Não pode vencê-los? Isole-os. Isole-se. Blinde-se. &lt;em&gt;Blind&lt;/em&gt;-se, cegue-se, escude-se. Pague menos de vinte mil e construa sua redoma de açúcar, seu paraíso portátil, seu éden para viagem. Um universo de balas que não sejam perdidas. Entre para a Liga do Pirulito, a &lt;em&gt;Lollipop Guild&lt;/em&gt;, como cantavam os munchkins de &lt;em&gt;O mágico de Oz&lt;/em&gt;. Não tem 18.950 contos dando molezinha na carteira? Boa sorte com os tiroteios, os atentados, os sequestros, a vida fora da bolha. A casita de palha ou madeira prestes a cair ao primeiro sopro do Lobo Mau.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não estou irônica e polianamente sugerindo que não devamos nos blindar, ou que seja feio e careta ter medo. Os cariocas somos escaldados por natureza, apavorados de fábrica. Antes de sacar a chave de casa, dou uma espiada no entorno, em todas as direções da rosa dos ventos. Ando engalfinhada na bolsa, passo longe de qualquer bicicleta ou moto ou pivete que dê pinta – ou não dê pinta – de querer arrancá-la. Uso o caixa eletrônico com o sigilo de um Ethan Hunt em plena missão impossível. Sim, eu blindaria até o corpo se pudesse. No Rio de Janeiro, nunca se sabe. No Brasil, nunca se sabe. No planeta Terra, nunca se sabe. Eu sei, porém, que proteger-se é uma coisa; ter a petulância de chamar a proteção de “um mundo possível” é outra bem diferente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Blindemo-nos, mas com uma condição: não pensemos que resolve. Não pensemos em nenhum “agora sim”. Pensar “agora sim” nos faz ter a sensação de que, seguros, podemos nos aposentar do mundo – aquele &lt;em&gt;único&lt;/em&gt; mundo possível, ainda e sempre coletivo. Aquele que ainda não vem (que nunca virá) em porções individuais, de bolso. Blindagem não é passaporte para dimensão paralela, nem cidadania garantida em outro planeta. Dentro de seu carro, de seu condomínio, de seu abrigo nuclear, a Constituição permanece a mesma. O hino também. Os postes não viraram pirulitos, os pedestres não perderam a capacidade de sangrar, os vizinhos não se tornaram imunes à dengue, aids, gripe suína, fogo, música alta às 2h da madrugada. Nem você, aliás. A rua continua cheia de moradores. Os moradores de Alagoas continuam precisados de casas, roupas e alimentos. Sua mulher continua esperançosa de um minuto de atenção. Seu filho continua necessitado daquela boa e carinhosa bronca. Todos ainda o aguardam, todos ainda esperam você dar expediente, o escudo não substitui livro de ponto. Armadura não é alforria de mundo. Blinde-se, mas continue na ativa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Continue passando resolutamente o mouse, mas sem clicar em anúncio de internet. Nunca se sabe. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-5580035170417082406?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=5580035170417082406&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5580035170417082406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5580035170417082406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/06/lollipop-guild.html' title='Lollipop Guild'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/TCT4Q1YlxqI/AAAAAAAAAL8/jmDKvhQHgkw/s72-c/Tanque+de+bal%C3%B5es+coloridos+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-3818906523469351050</id><published>2010-06-25T09:05:00.032-03:00</published><updated>2010-07-01T21:26:32.706-03:00</updated><title type='text'>Superpop</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TCSboIXeMhI/AAAAAAAAAlw/wyhnE8oAILo/s1600/Kick-Ass1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 307px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486681359787110930" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TCSboIXeMhI/AAAAAAAAAlw/wyhnE8oAILo/s320/Kick-Ass1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Quem nunca quis ser um super-herói de verdade? Sair voando por aí, combater o crime, salvar a humanidade. Eu mesmo: já fui de Super-Homem a Change Dragon e, modéstia à parte, dei conta de todos os Lex Luthors e Gyodais. Pois é essa brincadeira de moleque, esse sonho juvenil de todos nós, o ponto de partida de &lt;em&gt;Kick-Ass&lt;/em&gt;, ultrafilme baseado na &lt;em&gt;graphic novel &lt;/em&gt;homônima escrita por Mark Millar e ilustrada por John Romita Jr.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dave Lizewski é um adolescente inseguro (dããã... redundância...), com jeitão de nerd, aficcionado por HQs, cujo único "superpoder" é ser invisível para as garotas. Um belo dia ele decide comprar um traje de cores berrantes na internet e se transformar no justiceiro que dá nome ao longa. Claro, as coisas não dão certo de início; afinal, o rapaz é alguém que "apenas existe". Mas nada que alguns acidentes (não, Dave não é picado por uma aranha) não mudem o rumo da história...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Graças a um instante de verdadeiro heroísmo (e às onipresentes câmeras de celulares), Kick-Ass acaba virando um megahit no Youtube, o que atrai não só a atenção de fãs, mas também de um vilão mau, nada a ver com o Pica-Pau – o mafioso Frank D'Amico. Sorte do nosso "herói" que ele encontra os superamigos (super mesmo) Big Daddy e Hit-Girl para salvá-lo do perigo: de um lado, um Nicolas Cage se divertindo à beça como uma espécie de Cavaleiro das Trevas; de outro, uma garotinha com ares de indefesa, meio mangá, meio a Noiva (de &lt;em&gt;Kill Bill&lt;/em&gt;), quebrando – literalmente – tudo. Uma dupla com muita dinâmica.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Politicamente incorretíssimo e pop até a última gota de sangue,&lt;em&gt; Kick-Ass&lt;/em&gt; é um superfantástico remix de referências: se não bastasse ir de Ennio Morricone a Mika sem pudor, consegue ser a um só tempo violento (como na corajosa cena em que dois personagens são espancados – até a morte? –, com direito a transmissão ao vivo pela tevê e pela internet), cômico (como nas sequências em que Kick sai à procura de um gatinho perdido ou em que sua mãe é vítima de um aneurisma) e terno (como no desfecho, levemente doce e otimista). Uma mistura improvável e poderosamente colorida, que leva os filmes de super-heróis ainda mais alto e avante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-3818906523469351050?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=3818906523469351050&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3818906523469351050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3818906523469351050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/06/superpop.html' title='Superpop'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TCSboIXeMhI/AAAAAAAAAlw/wyhnE8oAILo/s72-c/Kick-Ass1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-8731853644526649199</id><published>2010-06-18T20:06:00.005-03:00</published><updated>2010-06-18T21:00:58.970-03:00</updated><title type='text'>Muito barulho por tudo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/TBv8H-tn5EI/AAAAAAAAAL0/n7i4SY1zDOk/s1600/Vuvuzelas.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5484254185277350978" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/TBv8H-tn5EI/AAAAAAAAAL0/n7i4SY1zDOk/s400/Vuvuzelas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Não preciso escrever que não sou exatamente uma fã de futebol: todos sabem disso. Também vou evitar chover no encharcado – o que eu provavelmente faria ao lamentar, por exemplo, que o patriotismo brasileiro se limite a aparecer de quatro em quatro anos e nunca se volte para coisas mais importantes do que uma bola rolando, ou períodos mais duradouros do que os noventa minutos de bola rolando, ou pessoas mais determinantes para o país do que as onze que correm atrás da bola rolando (e aquele que comanda apenas essas onze). Acredito em toda a &lt;em&gt;political stuff&lt;/em&gt;, mas vou momentaneamente tirar meu time de campo – evitando também essa metáfora-clichê, para não parecer infame.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Justamente para não dizer o quanto eu gostaria de um Brasil menos supérfluo, menos deslumbrado, não menos festivo mas menos festeiro, que tivesse na folia uma consequência natural dos dias e não sua própria razão de ser, vou falar das vuvuzelas. É o ano delas: aquelas cornetinhas infernais que têm transformado os jogos e as ruas em manicômios a céu aberto. Sim, sempre houve cornetinhas infernais e torcedores barulhentos, e nem eu mesma defendo que se torça pelos respectivos &lt;em&gt;bafana bafana&lt;/em&gt; silenciosamente. O exagero, porém, tem sido assustador. Nunca na história deste país, ou de outros países, deu-se paixão tão histérica pelo barulho e tamanho desprezo pela gentileza sonora, pela delicadeza, pelo comedimento. Não basta mostrar alegria: há que se mostrar desespero. Um desespero de mostrar-se, fazer-se visto, sinalizar-se no mapa com a sutileza de um facão de bandeirante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não me restrinjo aos estádios da Copa. Todas as existências são vuvuzeladas obsessivamente. Nas escolas, alunos "comunicam-se" aos brados com o professor que está a vinte centímetros de distância – e gozam de gritar recreativamente nos intervalos entre as aulas, ou (de preferência) nelas próprias. No metrô, somos docemente forçados a acompanhar conversas alheias, cara a cara ou no celular, berradas nos mais alcoviteiros detalhes. Somos também compelidos a apreciar os gostos musicais do próximo, uma vez que os fones (quase sempre ineficazes, aliás) começam a parecer por demais incômodos. Para que usá-los, se naturalmente toda a condução se sentirá honrada ao viajar no embalo de meu funk preferido? Daí passamos ao metafórico: para que calar o privado, resguardar o íntimo, preservar o misterioso, se a ordem do dia é viver em voz alta? Casar, separar, recasar, sofrer, bater, apanhar, trair, coçar, jantar, juntar, comprar fósforos, pegar o jeans na lavanderia, trocar a fralda do bebê – tudo é mais interessante, ou aparentemente mais &lt;em&gt;for real&lt;/em&gt;, se feito no palco. Na frente das câmeras. Debaixo dos holofotes. Sobre as páginas dos jornais. Vuvuzela-se tudo sem a beleza antiga do pudor, esse nobre sentimento que recomenda evitarmos virar ópera de nós mesmos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"História cheia de som e fúria, contada por um louco, significando nada", matutou Shakespeare sobre a vida. Gol de placa do Bardo – quanto ao som e à fúria. O busílis é que a história vem distribuindo significados para cada vez mais nadas, e os narradores (sei não) nascem cada dia mais loucos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-8731853644526649199?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=8731853644526649199&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8731853644526649199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8731853644526649199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/06/muito-barulho-por-tudo_6620.html' title='Muito barulho por tudo'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/TBv8H-tn5EI/AAAAAAAAAL0/n7i4SY1zDOk/s72-c/Vuvuzelas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-2459497487967541329</id><published>2010-06-12T11:17:00.023-03:00</published><updated>2010-06-17T23:22:44.047-03:00</updated><title type='text'>I will</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-fb057902742677ba" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v22.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dfb057902742677ba%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D11EBB608E393ECA58E9CFE579F9B5F97877F25E4.4876D5BAEBC679CBC2AC98C6B5DACD3A82623393%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dfb057902742677ba%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DJboNriXDuIBU6ikNOxdTlTyoY0A&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v22.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dfb057902742677ba%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D11EBB608E393ECA58E9CFE579F9B5F97877F25E4.4876D5BAEBC679CBC2AC98C6B5DACD3A82623393%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dfb057902742677ba%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DJboNriXDuIBU6ikNOxdTlTyoY0A&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal" align="right"&gt;Chegou o Dia dos Namorados, a data em que pombinhos trocam presentes, beijos, abraços e o que mais eles quiserem trocar. O encontro pode ser romântico, pode ser algo brega, pode ser até inteiramente cafona. Depende do senso estético de cada um. Há casais que arriscam noites temáticas, com direito a pétalas da rosa mais vermelha sobre a cama e “Bésame mucho” de trilha sonora...&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal" align="right"&gt;Pois é. Pensei o mesmo que o leitor: “argh!”. O Dia dos Namorados pode ir além disso. Além da história dos pombinhos. Claro, troquem um milhão de presentes, beijos, abraços e o que mais quiserem (não necessariamente nessa ordem). Mas aproveitem também o Dia – de preferência todos os dias – para recordar (o tal do &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;trazer ao coração&lt;/i&gt;) o que fizeram até aquele momento e para sonhar o que farão dali em diante. Juntar passado e futuro no mesmo presente faz um bem danado.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal" align="right"&gt;Se esse “presente” ainda for embrulhado com um papel bonito, uma fita elegante e discreta, vale até salpicar um bocado das rosas mais vermelhas sobre a cama. Mas só um bocado. Vale baixar a luz. Vale dar play na trilha sonora. Mas evitando-se “Bésame mucho”, pois – esperamos – &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT" lang="PT"&gt;esta noche&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT" lang="PT"&gt; não será &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;la última vez&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;. Que tal uma canção do Elton John? Ou dos Beatles? Ou dos Bee Gees? Roberto Carlos também está valendo.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal" align="right"&gt;Eu vou fazer isso. Vou trocar presentes, beijos e abraços. Vou recordar a viagem inesquecível que fizemos, a comidinha diferente que experimentamos, o melhor e o pior filme que vimos. Vou sonhar a viagem inesquecível que faremos, a comidinha diferente que experimentaremos, o melhor e o pior filme que veremos. Com um bocado das rosas mais vermelhas, a luz baixa, uma boa música. Vou fazer isso todos os dias. I will.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-2459497487967541329?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=2459497487967541329&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/2459497487967541329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/2459497487967541329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/06/i-will_12.html' title='I will'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-1915367732941776768</id><published>2010-06-06T11:14:00.042-03:00</published><updated>2010-06-17T23:06:57.150-03:00</updated><title type='text'>Noite de cinema</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TAutfpV2rqI/AAAAAAAAAlg/iRR_X_FvxTY/s1600/OSB2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 270px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5479664130811408034" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TAutfpV2rqI/AAAAAAAAAlg/iRR_X_FvxTY/s400/OSB2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51);font-size:100%;" &gt;É um pássaro, é um avião? Não, é o maestro Roberto Minczuk subindo no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, ao lado da Orquestra Sinfônica Brasileira, para reger o tema super-heroico composto por John Williams para o mais famoso filme sobre o filho de Jor-El. Só faltou a capa vermelha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51);font-size:100%;" &gt;E não faltou mais nada. A noite começou com a visão do Municipal dominando a Cinelândia. Luzes novas, tintas novas, e o charme nada discreto das coisas antigas. A escadaria, os mármores, os vitrais, os lustres, até os banheiros são uma atração à parte – não só merecem a visita, como muitas fotos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51);font-size:100%;" &gt;Voltemos, porém, ao concerto, o tributo a John Williams que valeu tão-somente minha segunda vez naquele teatro. A primeira de fato inesquecível. Depois de sobrevoar Metrópolis, vieram os acordes hitchcockianos de &lt;i&gt;Tubarão&lt;/i&gt;, capazes de fazer gelar minha espinha mesmo estando a uma distância segura do mar. Ainda bem que, para diminuir a tensão, a trilha seguinte nos levou até Hogwarts. Cerveja amanteigada na veia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51);font-size:100%;" &gt;Terminada a magia da pedra filosofal, os ouvidos ficaram mais jazzísticos, com o tema central de &lt;i&gt;Prenda-me se for capaz&lt;/i&gt;, a prova de que Williams consegue escapar da pompa sonora dos épicos sem perder a circunstância das histórias mais intimistas. Mas esse parêntese minimalista durou pouco. Logo Minczuk, como se pusesse o chicote na cintura e o chapéu na cabeça, reiniciou a busca pela Arca da Aliança – a marcha vibrante de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Indiana Jones&lt;/span&gt; antes do intervalo de quinze minutos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51);font-size:100%;" &gt;Na volta (após a aventura dos banheiros lotados), uma paradinha no bar do teatro para comprar água. Copinho de plástico sobre o balcão, e um leve trepidar – tum, tum – fez o líquido tremer. Ninguém mexe um fio de cabelo. A visão do T-Rex é baseada no movimento. Brincadeirinha. Só para dizer que a trilha da vez era a de &lt;i&gt;Jurassic Park&lt;/i&gt;, um tema que fascina (quase) tanto quanto os dinossauros de Spielberg.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51);font-size:100%;" &gt;Em seguida, veio o violino triste, triste de &lt;/span&gt;&lt;i&gt;A lista de Schindler&lt;/i&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(0,0,0)"&gt;, de fazer a plateia tirar os lenços dos bolsos. Felizmente, o clima holocáustico não foi suficiente para levar ninguém até o lado negro da Força. Já os acordes inconfundíveis da Marcha Imperial, regidos pelo próprio Darth Vader (com seu sabre de luz vermelho)... estes, sim, fizeram o público delirar e aplaudir de pé o vilão mais amado (e pop) do cinema.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Last but not least&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;, Minczuk e orquestra encerraram a noite com a provavelmente mais lírica peça de John Williams, &lt;em&gt;E.T.&lt;/em&gt;, um delicado voo de bicicleta sobre as notas musicais, e a lua ao fundo, enorme e romântica. &lt;em&gt;Gran finale&lt;/em&gt; para a mais incomum sessão de cinema a que assisti, em que os olhos – sempre tão imprescindíveis – deram lugar aos ouvidos. Bravo! Bravíssimo!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-1915367732941776768?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=1915367732941776768&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1915367732941776768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1915367732941776768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/06/noite-de-cinema.html' title='Noite de cinema'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/TAutfpV2rqI/AAAAAAAAAlg/iRR_X_FvxTY/s72-c/OSB2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-5538173409878151007</id><published>2010-05-31T20:26:00.010-03:00</published><updated>2010-05-31T20:54:06.755-03:00</updated><title type='text'>Força do hábito</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/TARFo0oVt4I/AAAAAAAAAKs/xiXc9WAXqHE/s1600/05-Tudo-Pode-Dar-Certo.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5477579614414288770" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/TARFo0oVt4I/AAAAAAAAAKs/xiXc9WAXqHE/s400/05-Tudo-Pode-Dar-Certo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;Assisti ao novo filme de Woody Allen, &lt;i&gt;Tudo pode dar certo&lt;/i&gt;. Mediozinho – no máximo. A não ser que o leitor seja um daqueles que levariam o diretor para uma ilha deserta, eu garanto: pode evitar o longa sem remorsos. Nenhum filme, porém, passa totalmente em branco; no caso deste, o maior interesse (para mim, pelo menos) foi criado pela relação do protagonista Boris com a lolita Melody Celestine. Rabugento e misantropo até o último fiapinho de DNA, Boris simplesmente não quer gente. Melody acontece em sua vida e sua casa, como um toró: vem de não sei onde e vai ficando, ficando. Sem muito que fazer durante esse longo gerúndio, ela começa a se apaixonar por Boris, que obviamente a rejeita. O chato insiste que a moça procure um homem mais jovem e mais feliz – até que passa a se incomodar com a ideia (e mais ainda com o fato) de ela sair com um homem mais jovem e mais feliz, ou com qualquer outro homem. O passo seguinte é o casamento de Boris e Melody. Sim, você e eu já vimos esse filme com outros títulos, em outras salas de cinema. É um daqueles filmes (ao menos até certo ponto do enredo) em que o casal não surge, apenas se reconhece. Se constata. Um daqueles amores que não nascem do amor, e sim do costume.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sei que o tenebroso “senso comum” se encarrega de detonar furiosamente esse tipo de relação. Em geral, exalta-se a &lt;i&gt;romeu-julietice&lt;/i&gt; constante, os beijos inflamados, os olhos faiscando, os sinos repicando, o fogo, a paixão, raio-estrela-e-luar, meu iaiá, meu ioiô. O hábito, pelo contrário, é considerado um poderoso inseticida dos relacionamentos. “Não se pode cair na rotina nunca, nunca, nunca”, martela o mundo em nossos ouvidos. Quanta inocência. Afinal, mesmo os casais que não principiaram no hábito (que se conheceram no réveillon de Copacabana, no alto da Torre Eiffel, num bale de máscaras em Veneza) fatalmente chegarão a ele, caso tenham de fato se tornado um casal. Os que conviveram antes de se apaixonar, os que se apaixonaram antes de conviver – todos desembocarão em alguma espécie de rotina, estejam numa casinha com cerca branca ou dentro de um barco que dará a volta ao mundo. A principal, inevitável rotina já reside no fato de estarem sempre um com o outro. Mesmo para o mais ardente dos pares, em algum momento a presença do parceiro se tornará uma certeza macia e confortável. Um hábito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A vilania não está nesse hábito. Ele é necessário em certa dose, como é necessário o costume de pisarmos no chão, andarmos para a frente, constatarmos que o céu continua azul, que ainda falamos nosso idioma. O hábito nos descansa do perigo que o próprio ato de viver já é. Vilões são os dois excessos: o pavor do hábito e o apego exagerado a ele. A primeira situação é a daquelas pessoas tão doentiamente crentes no “senso comum” que preferem decapitar o relacionamento antes que ele ameace adoecer, ou sequer espirrar. Repetem papagaiamente que “a fila anda” e que “o importante é ser feliz” para esconder que não têm peito suficiente de procurar o iogurte que ele/ela gosta, de lembrar do aniversário, de encarar homem gripado ou mulher na TPM. De gastar um mínimo de tempo para fazer alguém (um pouco mais) feliz. O segundo caso é o de quem, ao contrário, refestela-se na crença de que nunca abandonará ou será abandonado e, portanto, acha que não têm motivo suficiente de procurar o iogurte que ele/ela gosta, de lembrar do aniversário... De gastar um mínimo de calorias para fazer alguém (um pouco mais) feliz. O problema não é do hábito, mas do habituado – o habituado a achar que o outro não vale seu esforço, seja de aceitá-lo, seja de (re)conquistá-lo. O problema, em última instância, é a descomunal importância que inventamos para nós mesmos (&lt;i&gt;nosso&lt;/i&gt; tempo, &lt;i&gt;nossa&lt;/i&gt; vontade, &lt;i&gt;nossa&lt;/i&gt; realização) e roubamos proporcionalmente dos outros. Como de costume.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-5538173409878151007?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=5538173409878151007&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5538173409878151007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5538173409878151007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/05/forca-do-habito_31.html' title='Força do hábito'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/TARFo0oVt4I/AAAAAAAAAKs/xiXc9WAXqHE/s72-c/05-Tudo-Pode-Dar-Certo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-1386852203463575083</id><published>2010-05-27T19:46:00.004-03:00</published><updated>2010-05-27T19:50:20.358-03:00</updated><title type='text'>Os incomodados que emudeçam</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S_72dQZZUiI/AAAAAAAAAJg/cN4CVW4Ru-k/s1600/Boca+fechada.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5476085179407225378" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S_72dQZZUiI/AAAAAAAAAJg/cN4CVW4Ru-k/s400/Boca+fechada.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Outro dia, a cena de uma colega de trabalho esbravejando na bilheteria do metrô (porque “não havia troco disponível” para ela) trouxe à tona, mais uma vez, uma impressão antiga: não há espaço para os incomodados no Brasil. O país é continental, mas os incomodados não cabem nele. Pelo menos, não são bem-vindos. Se não me acredita, basta observar a reação daqueles que gravitam em torno dos incomodados, presenciando suas – quase sempre justas – indignações. Dois quintos da plateia suspiram chateadamente, olhando o relógio; dois quintos disfarçam o constrangimento trocando risinhos cúmplices com outros não-incomodados. Um quintinho, se tanto, ensaia algum apoio – mas raramente é forte o bastante para que o incomodado consiga, por clamor popular, a justiça que não consegue por ética, por cidadania ou (que piada!) por lei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um incomodado que demonstra seu incômodo é, em nossa terra, sinônimo de chato. Não admira. Somos filhos de uma história de violência e adulação. Nossa origem é metade pisoteada, metade pisoteante; somos tão descendentes dos que foram oprimidos – pelo chicote dos feitores, pelas armas dos jagunços, pelas botas dos bandeirantes, pela primazia dos nobres, pelas negociatas dos coronéis – quanto dos que bajulavam seus opressores em troca de um apadrinhamento de filho, de um título de barão ou de mais dois dias de sobrevivência. Nosso decantado (e às vezes odioso) “jeitinho” nasceu desse cruzamento da humilhação com o poder. É o jeito malandro de subsistência dos fracos, mas é simultaneamente um grito de indiferença: eu arranjei maneira de me virar, um braço em que me pendurar, não quero saber das consequências para os outros, que cada um se vire também. Quebrados pela História, aprendemos a ser lobos individualmente e cordeiros em grupo. Um incomodado reclamão é alguém que nos convoca a ser lobos em grupo, alguém que tenta nos tirar de nosso confortável anonimato malandro – e isso, definitivamente, não podemos permitir. Reclamar contra o patrão? Só na rádio-corredor, durante a pausa do cafezinho, e olhe lá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escandalizados, alguns jurarão que não, que o povo brasileiro é extremamente compassivo e solidário. Concordo. O brasileiro é extremamente compassivo e solidário quando se trata de solucionar problemas sem perturbar o sono dos governantes. É muito mais fácil fazer, recolher e separar doações para os desabrigados do morro do Bumba do que ficar, noite e dia, infernizando a vida dos políticos para que nunca mais haja desabrigados. É muito mais rápido se tornar um “Amigo da Escola” do que exigir mudanças que diminuam as discrepâncias da educação. Tornou-se muito mais acessível para nós, os pisoteados, lamber as feridas do que evitá-las; aceitamos levar as chibatadas no tronco em pleno dia, e só no escondidinho da noite experimentamos o auxílio dos que vêm limpar os machucados. Somos solidários sim, mas nos remendos. Solidários no vazamento e no curto-circuito, não na troca do encanamento e da fiação. Solidários nos fins, não nos princípios. Unidos mesmo – daquela união de base, que faz revoluções, que peita governos, que cobra providências, que é capaz de paralisar um país inteiro numa resistência organizada, seja esperneante ou muda – nós não somos, raramente fomos, Deus sabe se ainda seremos. Seremos, talvez, quando tacarmos no lixo nosso “jeitinho” &lt;em&gt;Superbonder&lt;/em&gt; e remobiliarmos a casa com peças sem rachadura; quando jogarmos fora os epítetos de “cordial” e “pacífico” que algemam nosso povo a uma história de falso cor-de-rosa. Seremos quando nos assumirmos derrotados, em vez de brincar de apêndice do grupo dos vencedores. Quando engrossarmos a reclamação dos incomodados em pleno horário de expediente, em lugar de suspirarmos, atrás de nossos relógios e coleiras, pelo momento de eles calarem a boca.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-1386852203463575083?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=1386852203463575083&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1386852203463575083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1386852203463575083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/05/os-incomodados-que-emudecam.html' title='Os incomodados que emudeçam'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S_72dQZZUiI/AAAAAAAAAJg/cN4CVW4Ru-k/s72-c/Boca+fechada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-8026751532568999441</id><published>2010-05-21T20:59:00.006-03:00</published><updated>2010-05-21T21:16:16.847-03:00</updated><title type='text'>Speechless</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S_cejtXi54I/AAAAAAAAAlQ/_seaIvfZtB0/s1600/lady-gaga-bad-romance.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 318px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5473877470914733954" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S_cejtXi54I/AAAAAAAAAlQ/_seaIvfZtB0/s320/lady-gaga-bad-romance.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;O monstro mais famoso do mundo desde os zumbis thrillerianos. A mulher que todo Chapeleiro Maluco gostaria de ter. O guarda-roupa que faz morrer de inveja Cher, Bjork e todos os vilões de Gotham City. Uma tela de Dalí que canta e dança. A boneca Emília do século 21. A Xuxa dos tempos pós-baixinhos. A filha bastarda que Elton John jamais teve.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez Lady Gaga caiba numa dessas definições. Ou não. Talvez elas não sejam tão exageradas quanto a moçoila-esfinge merece. Talvez o Chapeleiro não passasse da primeira xícara de chá ao lado dela – e olha que o sujeito convive há anos e mais anos com a Lebre Maluca, a Rainha Vermelha, o Gato Risonho...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem sabe Cher, Bjork, Charada, Espantalho, Hera Venenosa sejam básicos demais e nem mereçam a comparação? Talvez Dalí não seja suficientemente surrealista. Suas pinturas podem até cantar e dançar – só que nos sonhos. Já a menina da poker face canta e dança nos videoclipes, algo que, cá entre nós, vai muito além da realidade, digo, da surrealidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Emília do século 21? Sei não. Ela não parece ser feita de pano, mas de plástico – daquele plástico que leva décadas para se decompor. Ah, também não deve pensar como um ser humano, o que, aí sim, é uma maravilha. E Xuxa dos tempos pós-baixinhos? É, tem chance. Já foi vista usando ombreiras e tagarela uns mantras tão ou mais gagaístas que ilari-lari-lariê (ô, ô, ô) ou tindolelê nheco-nheco xique-xique balancê. Rah-rah-ah-ah-ah-ah! Rama-ramama-ah! Gaga-ooh-la-la!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seria, então, “a filha bastarda que Elton John jamais teve” a melhor definição para nossa Lady? Seria ou não seria, não é a questão. Isso é o que menos importa. O que vale é colecionar algumas (in)definições divertidas até ficar mais do que sem palavras – irremediavelmente speechless –, até que a pista pop, pop, pop e a gente dance. Just, just, just, just dance.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-8026751532568999441?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=8026751532568999441&amp;isPopup=true' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8026751532568999441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8026751532568999441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/05/speechless_6485.html' title='Speechless'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S_cejtXi54I/AAAAAAAAAlQ/_seaIvfZtB0/s72-c/lady-gaga-bad-romance.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-1625142113800311524</id><published>2010-05-14T20:33:00.004-03:00</published><updated>2010-05-14T20:39:47.627-03:00</updated><title type='text'>Lentes de contato</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S-3d_OU7YOI/AAAAAAAAAJY/l2mrC869Rls/s1600/A+princesa+insens%C3%ADvel.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 290px; DISPLAY: block; HEIGHT: 236px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5471273200572391650" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S-3d_OU7YOI/AAAAAAAAAJY/l2mrC869Rls/s400/A+princesa+insens%C3%ADvel.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Quando eu era pequena (quer dizer: menor), adorava assistir àqueles programinhas da TVE que reuniam animações do mundo inteiro, como &lt;em&gt;Glub glub&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Lanterna mágica&lt;/em&gt; e quetais. Outro dia me lembrei de um desses desenhos perdidos no tempo: a série francesa &lt;em&gt;A princesa insensível&lt;/em&gt;, feita de miniepisódios que não chegavam a cinco minutos. Uma pérola. Praticamente sem falas, mostrava as tentativas que os diversos pretendentes da princesa faziam para conseguir que ela esboçasse alguma reação (e, por tabela, se casasse com o herói). Em cada episódio, um pobre rapaz se exibia diante da moça cheio de esperança, explorando sua maior habilidade de forma espetaculosa. Era um tal de malabarista malabaristando, cozinheiro cozinhando, príncipe montado em unicórnio – domando cão de três cabeças –, jardineiro brotando flores e folhagens mágicas de cada canto do palácio... E a princesinha ali, sentada no trono com cara de parede de consultório, sem mover um músculo. Todos iam embora decepcionados, ninguém entendia por que a megerinha demonstrava tanta indiferença diante da beleza. Até que, no último capítulo, o pretendente vencedor teve um único gesto: chegou perto da princesa e tascou-lhe... não, não um beijo! e sim um par de óculos no rosto. Pela primeira vez os olhos miudinhos da menina se abriram, o sorriso acompanhou e ela começou a aplaudir entusiasmada o show que faziam no castelo. Injustamente, todos no reino consideravam insensibilidade o que era apenas uma miopia escandalosa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A “lição” para qualquer criança era clara: não se deve julgar pelas aparências, blablablá. Verdade. Mas a adulta de hoje, com as (sempre) novas lentes que a vida vai nos depositando no rosto, vê que a moral da história não parava por aí. Uma observação adultamente apropriada é a de que a princesinha só conseguiu ser si-mesma ao se unir a alguém muito mais interessado em &lt;em&gt;fazê-la ver&lt;/em&gt; do que em &lt;em&gt;ser visto&lt;/em&gt;. Não sermos vistos é nossa constante frustração, mas não costumamos nos dar ao trabalho de perceber que nem todos têm as pupilas reguladas para a “frequência” em que operamos; nem todos enxergam no mesmo espectro que enxergamos; não é o hardware de qualquer um que roda o software que nós rodamos. Podemos, sim, colocar nossas lentes em contato, fazer conversões do nosso tipo de “arquivo” para o do outro, traduzir o nosso mundo para a linguagem do mundo alheio. Porém, antes de mais nada, devemos reconhecer – sem sofrer – que existe esse &lt;em&gt;gap&lt;/em&gt; entre a nossa plataforma e todas as demais. Ignorar o abismo é mergulhar dentro dele. Teimar em caminhar no universo de outra pessoa usando os óculos errados é a melhor forma de dar com a cara no poste.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seria falsa, pois, a velha máxima de que visões opostas se atraem? Não acho que sim, não acho que não. É verdade que sempre confiei muito mais no poder das semelhanças, mas não é difícil encontrar quem relate cinco ou seis casos de romances estranhos e bem-sucedidos, entre apaixonados de diferentes planetas: a zen-budista e o pastor luterano, a intelectual sedentária e o alpinista radical, a corintiana e o palmeirense, a macrobiótica e o dono de churrascaria. Ser ou não ser oposto – esta &lt;em&gt;não&lt;/em&gt; é a questão. Há torcedores de times rivais que partilham a pipoca no sofá e há almas praticamente idênticas que se divorciam por causa da posição do rolo de papel higiênico. A única regra possível não é a de falar a mesma língua do parceiro, mas de se dispor a andar com um dicionário debaixo do braço – se for preciso, por toda a vida. A única bandeira branca não é a igualdade, e sim a disponibilidade para a diferença. Miopia social, todos têm; só alguns, entretanto, se lembram de corrigir o próprio grau antes de conseguir espiar o mundo alheio com olhos e coração suficientemente abertos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-1625142113800311524?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=1625142113800311524&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1625142113800311524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1625142113800311524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/05/lentes-de-contato.html' title='Lentes de contato'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S-3d_OU7YOI/AAAAAAAAAJY/l2mrC869Rls/s72-c/A+princesa+insens%C3%ADvel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-6779373903433196635</id><published>2010-05-07T10:55:00.010-03:00</published><updated>2010-05-10T08:09:37.826-03:00</updated><title type='text'>Menina maluquinha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S-Qb8QPwgrI/AAAAAAAAAkA/YGz7cL75riA/s1600/Alice1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 285px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468526569501786802" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S-Qb8QPwgrI/AAAAAAAAAkA/YGz7cL75riA/s400/Alice1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Ela acorda no meio da noite, muito assustada. Sonhou mais uma vez que caía na toca do coelho. Sonhou não, pesadelou. O medo da Rainha Vermelha, o medo de perder a cabeça, o medo de ficar louca. Um medo cheio de razão, por mais irracional que possa parecer. Porque Alice está perdendo as estribeiras. Se é que já não perdeu. Mas isso não é necessariamente ruim. Ao contrário. Pode ser o início de uma vida sã.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por mais bizarro que seja (e é, ou não), voltar a Wonderland – o estranho mundo recolorido pelo Chapeleiro Tim Burton – é tudo que Alice precisa para crescer. Mas não crescer tanto. Alto lá. Ou seria &lt;em&gt;baixo lá&lt;/em&gt;? O fato é que, às vezes, diminuir um bocado é o melhor a ser feito – se quisermos passar por uma porta minúscula, que se abre com uma chavinha menor que nosso dedo mindinho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois a gente aumenta, diminui, diminui outro tanto, aumenta de novo, estica e puxa até descobrir o tamanho ideal (que não existe de se pegar, pois não há vestido azul que nos sirva a vida inteira). Alice e Tim, se serve de consolo, acharam os amigos ideais numa terra cheia de maravilhas, mistérios e perigos: um chapeleiro com os olhos maiores que qualquer espelho e as caras do Johnny Depp, um gato com o poder de aparatar, além de uma intrépida trupe de bichinhos à moda de Nárnia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acharam também a vilã mais que ideal: mimadíssima, crudelíssima, tiraníssima e issimamente cabeçudota. Uma delícia vermelha. Como um morango mofado. Talvez ela fosse mais útil – e, melhor ainda, desagradável – do lado de cá da toca do coelho. Nosso mundinho anda igualmente cheio de maravilhas, mistérios e perigos, não necessariamente nessa desordem. E uma rainha como ela cortaria sem dó nem piedade aquelas cabeças que não merecem os corpos que têm.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas voltemos a Alice, que, depois de voltar a Wonderland e cumprir sua missão impossível (de se desacreditar), volta à sua vida louca vida, nada breve – aquela vidinha mais ou menos, tantas vezes sem mais nem menos, em que a maioria das lagartas morre ainda no casulo, em que poucas e boas (como ela, menina maluquinha) viram borboletas e voam muito além do arco-íris, sem perder sua saudável loucura.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-6779373903433196635?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=6779373903433196635&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6779373903433196635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6779373903433196635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/05/menina-maluquinha.html' title='Menina maluquinha'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S-Qb8QPwgrI/AAAAAAAAAkA/YGz7cL75riA/s72-c/Alice1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-1728656712023738100</id><published>2010-04-30T20:13:00.003-03:00</published><updated>2010-04-30T20:19:31.932-03:00</updated><title type='text'>Segredos de liquidificador</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S9tkfABJBhI/AAAAAAAAAJQ/Ge6b8yVL-gE/s1600/o+segredo+dos+seus+olhos.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 294px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466073056487736850" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S9tkfABJBhI/AAAAAAAAAJQ/Ge6b8yVL-gE/s400/o+segredo+dos+seus+olhos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Como já disse o Fábio, &lt;em&gt;O segredo dos seus olhos&lt;/em&gt; foi o filme que mais vezes nós &lt;em&gt;não&lt;/em&gt; vimos. Foram cinco tentativas até conseguirmos cumprir a missão. Na primeira, faltou luz no cinema e o dinheiro foi devolvido; na segunda, a falha de refrigeração da sala (em pleno Saara carioca) fez com que desistíssemos de pegar a sessão. Na terceira e na quarta, pepinos de última hora no serviço riscaram o cinema da agenda. Eu já estava começando a achar que teimar nesse objetivo era desafiar uma impossibilidade cósmica – mas felizmente, na quinta tentativa, os céus se abriram e nós cumprimos nosso trabalho de Hércules. Valeu a insistência. &lt;em&gt;El secreto de sus ojos&lt;/em&gt; (no sonoro título original), Oscar de melhor filme estrangeiro de 2010, é um filmaço – um &lt;em&gt;peliculón&lt;/em&gt;, como diriam seus conterrâneos argentinos. Quem já assistiu aos adoráveis &lt;em&gt;O filho da noiva&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;O mesmo amor, a mesma chuva&lt;/em&gt; sabe, de antemão, que a atuação de Ricardo Darín e a direção de Juan José Campanella fazem uma tabelinha para Pelé nenhum botar defeito. É pôr na jogada a habilidade magistral de Guillermo Francella e Soledad Villamil (nos respectivos papéis de amigo e amada do protagonista) e correr pro abraço.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nos olhos dos personagens de Soledad (Irene Menéndez Hastings) e Darín (Benjamín Esposito) reside boa parte do “segredo” do título: o amor presente, nascente, crescente, visualmente dialogado mas nunca verbalizado (a não ser tendo o papel como intermediário). Além de no relacionamento mudo do casal principal, o “segredo” mora nos olhos de Isidoro Gómez, considerado culpado pelo crime que movimenta a trama – e mora duas vezes: no olhar pidão que ele dirige à vítima, Liliana, e no olhar devorador que pousa sobre o decote de Irene. O “segredo” mora também nos olhos de Ricardo Morales, marido da jovem assassinada – olhos que caçam o suspeito implacavelmente, mas que são, no dizer de Benjamín, “olhos de puro amor” em tudo que se refere a Liliana. Interessante notar que os olhares de Benjamín, investigador do assassinato, “rimam” e se misturam com os dos personagens que deste participam: a câmera fotográfica o flagra tão encantado por Irene quanto Gómez por Liliana, e não há um só momento em que ele não imite Morales nos “olhos de puro amor” dirigidos à amada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para quem se animou ao ler “assassinato”, um porém. Embora seja a espinha dorsal do enredo, o crime não envereda por investigações mirabolantes e se presta, antes, a servir de base para análises psicológicas, pretexto para críticas políticas e – principalmente – espelho de sentimentos e vivências do protagonista. Mais pessoal do que factual, &lt;em&gt;El secreto&lt;/em&gt; é história de espírito machadiano, em que as impressões e memórias são filtradas pelos olhos (eles aí de novo!) alheios, tal qual em &lt;em&gt;Dom Casmurro&lt;/em&gt; ou no famoso conto “Missa do Galo”. São segredos de liquidificador, como diria Cazuza – lembranças, simpatias, opiniões pessoais batidas no mesmo suco com os fatos e as informações objetivas. Bebe-se relatividade. No decorrer de toda a trama, há pequeninas pistas de que o que estamos vendo pode não ser 100% fiel aos acontecimentos, ao mesmo tempo que não há provas de que não seja. Isso é muito bem representado na metáfora da tecla que falta na máquina de escrever de Benjamín: falta-nos também, por vezes, esse elemento que poderia “fechar” cada frase do texto, esse elo perdido que nos levaria à terra de todas as certezas. Entretanto, como prova Benjamín ao fim da trama, é perfeitamente possível dispensarmos essa “tecla” e completarmos as lacunas por nós mesmos. Coisas de pós-modernidade, coisas de Machado. Não é uma narrativa “cheia de nadas” – como a vida que Morales deseja para quem o afastou de seu amor –, é uma história repleta de tudos: os muitos silêncios falam eloquentemente, de maneira doce ou perversa. Uma história sem únicas respostas, na qual – diria Guimarães Rosa – mais se aprende ao fazer outras maiores perguntas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-1728656712023738100?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=1728656712023738100&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1728656712023738100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1728656712023738100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/04/segredos-de-liquidificador.html' title='Segredos de liquidificador'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S9tkfABJBhI/AAAAAAAAAJQ/Ge6b8yVL-gE/s72-c/o+segredo+dos+seus+olhos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-4095071735853978286</id><published>2010-04-24T10:55:00.003-03:00</published><updated>2010-04-24T10:57:10.307-03:00</updated><title type='text'>Libertos e agiotas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S9L4c0pv-YI/AAAAAAAAAJI/n-3FHG7Xjbw/s1600/Tio+Patinhas.png"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 373px; DISPLAY: block; HEIGHT: 295px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5463702472007612802" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S9L4c0pv-YI/AAAAAAAAAJI/n-3FHG7Xjbw/s400/Tio+Patinhas.png" /&gt;&lt;/a&gt;A chuva que torturou Rio de Janeiro e Niterói já foi há algumas semanas, e as cidades – que jeito? – seguem adiante. O morro do Bumba evaporou dos noticiários. Políticos já estocaram no freezer as urgências que desaparecem em dias de sol, e só voltarão a existir na “surpresa” da próxima enchente. Brasileiros que somos, varremos a lama (literal e figurada), suspiramos e prosseguimos, com o para-brisa limpo o suficiente para andarmos mais alguns metros. Mas a chuva continua por aí – chovendo metáforas e consequências.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu caso, por exemplo. Naquela terça-feira de manhã, cheguei ao trabalho com a água pelos joelhos. Por que não fiquei em casa? Porque, simplesmente, não sabia do apocalipse. Com tevê e rádio desligados, confiei no que via pela janela: uma chuva aparentemente normal, como tantas outras. Do outro lado do metrô, ela não era como tantas outras. E aí já era tarde. Por pura desinformação, fui a única professora a conseguir chegar à escola, além da própria diretora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquei, depois, matutando a situação. Sei bem que não foi exclusivamente por falta de notícias que apareci por lá naquele dia. Muitíssimo menos por amor ao serviço ou preocupação com a diretora, com os alunos, com quem quer que seja. Apareci na escola por total incapacidade de faltar – exatamente como quando era eu a aluna e, mesmo sem estar a fim de assistir às aulas, não queria ter mais trabalho após a falta, nem queria precisar “catar” algum caderno com a matéria completa. Apareci na escola pelo mesmo motivo de sempre: por mim. Já que não tinha ideia completa do caos, queria mostrar que, ainda numa situação tão adversa, eu seria capaz de tudo para estar presente. Eu seria a funcionária mais comprometida possível. E para que mostrar isso? Elementar: para ter uma espécie de “bônus” a ser usado quando eu realmente precisasse me ausentar. O lado mais egoísta da responsabilidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é raro agirmos assim: ficarmos obcecados em ser sempre credores e nunca devedores; construirmos uma piscina de bônus inesgotáveis e nadar neles todos os dias, como o Tio Patinhas em suas riquezas – sem jamais gastá-los. Sermos, enfim, agiotas familiares, profissionais, emocionais, sentimentais: emprestadores de boas ações, mas sob altos juros. Nem sempre esse tipo de “agiota”, porém, quer que a dívida seja paga em novos favores; basta-lhe, às vezes, a eterna culpa e gratidão dos beneficiados, espécie de algema invisível. O maior senão é que o “agiota”, acostumado a converter relações em transações, nunca estará preparado para elogios, auxílios ou afetos gratuitos, uma vez que não poderá merecer o que não segue a lógica do merecimento. Nunca poderá pagar o valor do que não tem preço. A fortuna de um agiota emocional é feita apenas de promissórias; se receber, em gratuidade, muito mais do que é capaz de oferecer, seu coração acaba entrando em choque e abrindo falência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O oposto dos agiotas emocionais são os libertos – aqueles que estão realmente livres de culpas e conseguem, portanto, receber e doar com a mesma naturalidade e alegria. Ainda usando a situação das chuvas, temos exemplos de libertos naquelas pessoas que não hesitam em largar o trabalho (ou os filhos, ou a faxina, ou o controle remoto) no momento em que percebem que alguém tem de ajudar a separar as doações que chegam para as vítimas das enchentes. Libertos são aqueles que perguntam “por que não eu?” e descartam todas as desculpas que conseguem criar como resposta. Libertos têm exata noção de seu próprio valor: exatamente o mesmo que o de todos os outros. Liberta é algo que eu serei um dia – espero que breve –, quando já não me preocuparei em fazer bonito e preferirei fazer o necessário, o urgente, o imperativo. Porque ficar cuidando só de sua própria vida é coisa de quem não tem mais o que fazer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-4095071735853978286?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=4095071735853978286&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4095071735853978286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4095071735853978286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/04/libertos-e-agiotas_24.html' title='Libertos e agiotas'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S9L4c0pv-YI/AAAAAAAAAJI/n-3FHG7Xjbw/s72-c/Tio+Patinhas.png' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-2692681245373708237</id><published>2010-04-17T21:24:00.007-03:00</published><updated>2010-04-17T21:32:00.779-03:00</updated><title type='text'>Vou-me embora pra Helgoland</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S8pRXpEStiI/AAAAAAAAAjw/VDaJKO5cZAs/s1600/Helgoland.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 276px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461266964742845986" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S8pRXpEStiI/AAAAAAAAAjw/VDaJKO5cZAs/s400/Helgoland.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;Lá sou amigo do rei e, nas horas de folga, amante da rainha. Lá tenho a cama que eu quero, no quarto que o Marcelo Rosenbaum decorou. Até sou feliz aqui. Mas em Helgoland – que, para quem não sabe, é uma ilhota alemã situada no Mar do Norte – não há ex-BBBs falando de seus “projetos” no &lt;em&gt;TV Fama&lt;/em&gt;, não há políticos falando de seus “planos” depois da chuva e do morro derramado, não há o José Roberto Wright falando da arbitragem do Campeonato Carioca. Na verdade, lá não há &lt;em&gt;TV Fama&lt;/em&gt;, não há chuva nem morro derramado, muito menos Campeonato Carioca (o que, convenhamos, é melhor ainda).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lá em Helgoland a existência é uma aventura à Indiana Jones, de tal modo vibrante e inconsequente que ouvimos a trilha sonora de John Williams a cada amanhecer. E como não farei ginástica, pois não vou precisar: lá a pizza e o sorvete não engordam, e o pior que pode haver é você ter um piriri, oh yeah! Também não andarei de bicicleta, porque não sei, não tenho que saber e ninguém tem raiva de quem não sabe. Aliás, não saber e não querer aprender isto, isso ou aquilo é coisa muito bem vista em Helgoland.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lá na ilha tem tudo. É outra civilização. Tem até a Dona Benta contando estórias na beira da praia. E não tem a moça do Santander, do Itaú, do Bradesco, do Banco Mundial, do FMI, do FBI, da CIA, da C&amp;amp;A, da Nasa, aquela chata com voz de robô enferrujado que me liga cinco vezes por dia para me oferecer crédito consignado e, ao ouvir um “não, não estou interessado”, pergunta por que não estou interessado, por que vou &lt;em&gt;estar deixando passar&lt;/em&gt; a chance de realizar os maiores sonhos da minha vida: “O senhor não sonha &lt;em&gt;estar comprando&lt;/em&gt; um carro, uma casa, &lt;em&gt;estar fazendo&lt;/em&gt; uma viagem?”. No gerúndio, não, minha filha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É por essas e tantas outras que vou-me embora pra Helgoland. Lá, quando eu estiver mais feliz, mas feliz de não ter jeito, quando de noite me der vontade de dar uma festinha à fantasia – lá sou amigo do rei e, nas horas de folga, amante da rainha –, terei Sir Elton John cantando e tocando no piano vermelho que escolherei (as minhas canções favoritas) e os melhores amigos da vida inteira com seus celulares devidamente desligados. Vou-me embora pra Helgoland. E não volto mais. (Quer dizer, até volto, quando acordar...).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-2692681245373708237?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=2692681245373708237&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/2692681245373708237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/2692681245373708237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/04/vou-me-embora-pra-helgoland.html' title='Vou-me embora pra Helgoland'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S8pRXpEStiI/AAAAAAAAAjw/VDaJKO5cZAs/s72-c/Helgoland.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-2394588540525432350</id><published>2010-04-11T11:53:00.008-03:00</published><updated>2010-04-11T12:10:14.103-03:00</updated><title type='text'>Aquarela animada</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S8HlvE6KpfI/AAAAAAAAAjo/NKUItUUdSY4/s1600/Animaq.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 250px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5458896820284073458" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S8HlvE6KpfI/AAAAAAAAAjo/NKUItUUdSY4/s400/Animaq.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S8HjkWrbM_I/AAAAAAAAAjQ/3m-4AH2oFYI/s1600/animaq1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faz uma semana entrei numa livraria como quem não queria nada e dei de cara com um livrão de capa colorida e rostos bem familiares: Charlie Brown, Manda-Chuva, os Flintstones, os Jetsons, Tom &amp;amp; Jerry e outros tantos superamigos da minha nada velha infância. Saudade deles. Saudade que me fez garimpar um cantinho tranquilo da loja para folhear página por página do tal livro, o &lt;em&gt;Animaq – almanaque dos desenhos animados&lt;/em&gt;, de Paulo Gustavo Pereira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem um dia se divertiu com as travessuras do Pica-Pau, acompanhou Scooby e sua turma desmascarando “fantasmas” nada sobrenaturais ou já se imaginou pilotando o Mach 5 certamente vai adorar essa antologia, que reúne zilhares de desenhos e curiosidades do fantástico mundo da animação. Uma verdadeira corrida maluca, que começa nos anos 1930, com o charme da provocante Betty Boop, e vai até o melhor desenho de todos os tempos da última semana, que pode ser o Ben 10 ou qualquer outro animê legitimamente norte-americano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma delícia reencontrar Eric, Hank, Diana, Sheila, Presto e Bobby (ainda) perdidos na Caverna do Dragão; o lalalalá dos Smurfs azucrinando Gargamel; Zé Colmeia e Catatau surrupiando cestas de piquenique em Jellystone; o (nada) bom e (muitíssimo) velho Mum-Rá evocando antigos espíritos do mal a transformar aquela forma decadente no ser de vida eterna... (Tudo isso enquanto o He-Man dançava um rock gravado por Tom Jobim, e a She-Ra namorava o Esqueleto no jardim...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tempos bons que invariavelmente voltam quando um sujeito ultrafeliz – como deve ser esse Paulo Gustavo – resolve embarcar numa aventura bem à moda &lt;em&gt;Ducktales&lt;/em&gt; (uh-uh!) e desenterrar moedinhas que ficam mais valiosas com o passar dos anos, tesouros como o &lt;em&gt;timing&lt;/em&gt; cômico da dupla Papa-Léguas e Coiote; a ironia de cada “que que há, velhinho?” do Pernalonga; e as altas viagens que os Muppet Babies faziam – sem sair do quarto – até que a Babá (só as pernas dela, é verdade) aparecesse e perguntasse “Is everything all right in here?”. Yes, Nanny!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, se o leitor pensa que &lt;em&gt;that’s all, folks!&lt;/em&gt;, está ligeirinhamente enganado. Pois esse &lt;em&gt;Animaq&lt;/em&gt; é um almanacão de mais de trezentas páginas, e nele cabem ainda todo o reino de Dar-Shan, a lendária Flor das Setes Cores e latinhas de um espinafre especialmente vitaminado, além de tantas outras estórias de um mundo que não cabe numa folha qualquer, que não se faz com apenas cinco ou seis retas – um mundo que, contrariando a famosa letra de Toquinho, jamais descolorirá.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-2394588540525432350?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=2394588540525432350&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/2394588540525432350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/2394588540525432350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/04/aquarela-animada.html' title='Aquarela animada'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S8HlvE6KpfI/AAAAAAAAAjo/NKUItUUdSY4/s72-c/Animaq.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-8162185741951903897</id><published>2010-04-03T20:35:00.004-03:00</published><updated>2010-04-03T20:41:38.819-03:00</updated><title type='text'>Feliz reaniversário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S7fRAqB2adI/AAAAAAAAAJA/P1YZsd6BC7s/s1600/bolo+com+velas+acesas.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5456059282794899922" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S7fRAqB2adI/AAAAAAAAAJA/P1YZsd6BC7s/s400/bolo+com+velas+acesas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Todo mundo faz pelo menos dois aniversários por ano. Um deles é (óbvio) no dia em que completa &lt;em&gt;x&lt;/em&gt; anos de nascimento. O outro é na Páscoa. Digo isso independentemente do tipo de crença religiosa que se tenha – ou que não se tenha. Qualquer vida neste mundo teve (ou terá) de se refazer depois de uma queda, de um erro, de uma fase, de uma decepção, de um obstáculo, de uma tristeza, de uma pequena morte. Qualquer vida neste mundo, por conseguinte, merece e precisa celebrar sua &lt;em&gt;revida&lt;/em&gt;, seu novo capítulo, sua cura, seu aperfeiçoamento, ou mesmo a simples esperança do aperfeiçoamento e da cura (porque decidir virar a página é o primeiro passo para dar continuidade à história). Todo mundo tem sua Páscoa – essa feliz edição revista, ampliada e melhorada de si mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O nome &lt;em&gt;Páscoa&lt;/em&gt;, como sabemos, tem sua origem e essência na palavra &lt;em&gt;passagem&lt;/em&gt;. Para os judeus, representa especialmente a passagem da escravidão (no Egito) para a liberdade (de buscar uma terra totalmente sua). Para os povos anteriores aos judeus, a passagem de um tempo de natureza estéril (o inverno) para o viço e a abundância de cores, calor e promessas de frutos (a primavera). Para os católicos, a passagem da morte de Jesus Cristo (numa cruz) para sua ressurreição (poucos dias após). Em todos esses casos, tão absurdamente forte é a pulsão de vida que as muralhas – embora também absurdamente fortes – não podem deixar de se render diante da intensidade estarrecedora. A Páscoa dos judeus dobrou os joelhos e o orgulho de um faraó cabeça-dura, que, como todos os faraós, se considerava um deus na terra. Dividiu ao meio o Mar Vermelho, a ponto de ele se deixar atravessar a pé enxuto. Enfrentou quarenta anos de pedreira e caminhada no deserto. A Páscoa dos povos antigos se sobrepunha à nevasca que parecia matar qualquer expectativa de se continuar extraindo o sustento da terra – muda, desolada por três meses. A Páscoa de Jesus fez um corpo mudo, sepultado há três dias, rolar a pedra do túmulo e ressurgir mais pleno. Vida (com vezão): 1; Morte (com emezão): 0 – a &lt;em&gt;ultimate fighting&lt;/em&gt; de todos os tempos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse deve ser sempre o placar. Através dos anos, séculos e milênios, esse é o abençoado clichê que deve continuar se repetindo, &lt;em&gt;over and over&lt;/em&gt;. Também para você. Seja qual for o seu faraó cabeça-dura (quem sabe não é você mesmo?), que ele ganhe ouvidos de escutar e mãos de libertar. Seja qual for o seu Mar Vermelho, que ele se abra sob os seus pés e se curve à sua imensa vontade de seguir caminho. Seja qual for o seu deserto – arenoso ou gelado –, que você saiba buscar o frio ou o quente que lhe faltam para que aquele caminho floresça. Seja qual for o seu túmulo neste instante, que não haja pedra no mundo capaz de sepultar seus sonhos por muito tempo. Seja qual for sua pequena e provisória morte, que ela seja diariamente substituída por uma vida teimosa, grande e definitiva. Que todo “desaniversário” (como se diz no País das Maravilhas) seja na verdade um “reaniversário” – mais uma chance de dizer sim ao que pode ser e ao que virá; mais uma oportunidade de comemorar a vitória sobre o que já foi. Feliz Páscoa! felizes páscoas, felizes passagens; que essa força esteja com você – sempre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-8162185741951903897?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=8162185741951903897&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8162185741951903897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8162185741951903897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/04/feliz-reaniversario.html' title='Feliz reaniversário'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S7fRAqB2adI/AAAAAAAAAJA/P1YZsd6BC7s/s72-c/bolo+com+velas+acesas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-7304808562675958595</id><published>2010-03-31T20:11:00.003-03:00</published><updated>2010-03-31T20:22:59.513-03:00</updated><title type='text'>Além do arco-íris</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S7PW_sdZzGI/AAAAAAAAAI4/OTIS3WvS8iI/s1600/Pulseiras.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454939963430390882" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S7PW_sdZzGI/AAAAAAAAAI4/OTIS3WvS8iI/s400/Pulseiras.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Mesmo quando criança, nunca fui fã inveterada da Xuxa – não comprava roupas dO Bicho Comeu e jamais manifestei a vontade de participar do programa, a que só assistia de vez em quando (e mais por causa dos desenhos). Conhecia as músicas, via alguns filmes: o básico, e olhe lá. Mas, como qualquer filha dos oitenta, cresci com o “Ilariê” tocando em um ouvido e a ladainha dos detratores da Xuxa (e de apresentadoras louras em geral) papagaiando no outro. As beldades – com botas maiores do que seus shortinhos – “erotizavam precocemente” as crianças, diziam. As minissaias de couro com saltões eram ícones fetichistas, resmungavam. Essa loura já até fez filme de sacanagem com um “baixinho”, sussurravam. Enquanto isso as crianças – que, na época, nunca tinham ouvido a palavra “fetichista” na vida e não tinham uma ideia lá muito concreta do que pudesse ser “erotizar” – só queriam defender o time das meninas (ou dos meninos) no palco, ter sua carta lida no ar, garantir as figurinhas que faltavam no álbum, vencer o Baixo Astral, pintar um arco-íris de energia e mandar um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra você. Ganhando prêmio em brinquedo, é claro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez meus olhos de menina estivessem fechados para essa tal “ultraerotização” da infância dos oitenta; talvez eu não visse o símbolo perigosíssimo que um homem vestido de tartaruga representava, a entidade perversa que uma nave espacial sugeria e o aspecto fálico que ombreiras pontiagudas continham – vai saber. Só sei que hoje, em nossos tempos sem apresentadoras ombrudas na TV, o arco-íris é outro. Crianças de dez, onze, doze anos têm ideias bem diferentes das antigas sobre o que sejam jogos de meninas e meninos – e o prêmio não é em brinquedo. No play, no parque, na rua, na sala de aula, exibem pulseirinhas docemente coloridas que, uma vez arrebentadas por outrem, não levam a uma queixa soluçante para a mãe ou professora (“E...le... es...tra...gou... mi... nha... pul...sei...ra! snif, snif...”), e sim a uma prendinha básica a ser paga pelo arrebentador de pulseiras (ou pela vítima do cujo). Coisas leves, de acordo com a cor da pulseirinha trucidada: dar beijo de língua, mostrar os seios, fazer dança erótica, sexo oral, sexo anal, sexo “propriamente dito”...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei se é possível comentar o fato. Não sei se precisa. É preciso, porém, recapitularmos em que momento o elo foi perdido; por que se rompeu aquilo que ligava a infância à imagem de inocência. E por que foi fabricado um novo elo, atando perigosamente as brincadeiras de criança àquelas próprias dos adultos. Não, não foram os 1980s a cena do crime – ou eu teria presenciado pique-pegas bem menos lúdicos nos recreios de escola. Foi (tem sido) mais recentemente, no play, no parque, na rua, na sala de aula, debaixo de nossos narizes, que a (quase) inocente “pêra, uva, maçã, salada mista – o que você quer, sem eu dar nenhuma pista?” vem se transformando num papai-e-mamãe direto, sem rodeios, sem ilusões. O que, eventualmente, vem transformando crianças em papais e mamães diretos, com menos ilusões ainda. Trocando aquilo que eram pelo que ainda não deveriam ser; aquilo que merecem pelo que (inadvertidamente) desejam. Não é uma troca justa; não há pote de ouro algum no fim de um arco-íris não autêntico, que desmancha nos dedos. E não há terra alguma para além do arco-íris que tanto afagam. Pelo menos não uma como o lar. O que está se arrebentando na infância, no mundo, não é (só) algo físico ou palpável como as coloridas pulseirinhas de silicone; mas – assim como elas –, uma vez que se arrebenta, não tem mais volta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-7304808562675958595?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=7304808562675958595&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/7304808562675958595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/7304808562675958595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/03/alem-do-arco-iris.html' title='Além do arco-íris'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S7PW_sdZzGI/AAAAAAAAAI4/OTIS3WvS8iI/s72-c/Pulseiras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-8837825495514755426</id><published>2010-03-27T12:03:00.006-03:00</published><updated>2010-03-27T12:13:16.532-03:00</updated><title type='text'>Corrida maluca</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S64fanYSxZI/AAAAAAAAAi4/QW-Q0GCc3TY/s1600/Corrida+maluca.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 274px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453330740900185490" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S64fanYSxZI/AAAAAAAAAi4/QW-Q0GCc3TY/s400/Corrida+maluca.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Outro dia me perguntaram se estava tudo bem por aqui. E eu, quase automático, respondi que sim, que tudo corria bem, que a vida seguia em frente, ligeira, ligeira, e que a gente tentava acompanhá-la. E aí me dei conta do “problema”, se isso for um problema: o tal &lt;em&gt;corria&lt;/em&gt;. O mundo tem girado tão rápido que às vezes me deixa suficientemente tonto para não gozar – ou gozar menos do que poderia – a parte do &lt;em&gt;tudo&lt;/em&gt; e do &lt;em&gt;bem&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu pai fez sessenta anos na última semana; uma (melhor) amiga casou há quinze dias e já está com um filhote na cabeça (só na cabeça, que eu saiba...); outra, dos tempos da escola, deixou o Brasil, fez um &lt;em&gt;pit stop&lt;/em&gt; nos States e agora aparece em Israel, casadíssima, grávida e feliz... Todas boas, ótimas notícias, mas que correm tão apressadas quanto os 140 caracteres do Twitter; basta um clique, uma piscadela, e a página da vida é atualizada!...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E eu, do lado de cá, tento resistir. Vou levando a vida com os pés no freio, enquanto a vida se encarrega do acelerador. Leio meus livros com a atenção que cada vírgula merece; faço as vezes do professor careta e chato para meus alunos “moderninhos”, cheios de pressa de deixar a infância; e vivo um namoro romanticamente sossegado, certo de que um roteiro bem escrito só vira bom filme com uma direção sensível e cuidadosa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não estou – não estamos – aqui para vencer uma corrida maluca; não estamos aqui nem mesmo para correr. A vida em si já é afobada demais, abarrotada de prazos, cobranças e outros badulaques desnecessários. Vamos com calma, aproveitemos o &lt;em&gt;tudo&lt;/em&gt; e o &lt;em&gt;bem&lt;/em&gt; nosso de cada dia. Olhemos a paisagem, seus detalhes, curtamos – e não encurtemos – o caminho. O corre-corre, a gente deixa pro Dick Vigarista, que, bem sabemos, não vai ganhar nenhum “grande prêmio”, a não ser as risadinhas do Muttley...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-8837825495514755426?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=8837825495514755426&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8837825495514755426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8837825495514755426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/03/corrida-maluca.html' title='Corrida maluca'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S64fanYSxZI/AAAAAAAAAi4/QW-Q0GCc3TY/s72-c/Corrida+maluca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-1760118455815814984</id><published>2010-03-21T21:47:00.004-03:00</published><updated>2010-03-21T21:53:50.355-03:00</updated><title type='text'>As cinco frases</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S6a-bTBZYoI/AAAAAAAAAIw/ca2Tpx8IHVU/s1600-h/forgiveness.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5451253775150441090" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S6a-bTBZYoI/AAAAAAAAAIw/ca2Tpx8IHVU/s400/forgiveness.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Domingo passado, na Revista d&lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt;, veio uma entrevista com Claudia Burlá, geriatra respeitada e médica paliativa (medicina paliativa – que aparece de passagem, inclusive, na atual novela das nove – é aquela que se dedica a melhorar a qualidade de vida das pessoas com doenças incuráveis). Em dado momento, ela contou o caso de uma paciente com demência, cuja filha morava no exterior devido, em grande parte, ao mau relacionamento que tinha com a mãe. A médica ligou para a filha da paciente e tascou: “Você não vai ter outra chance de resolver as pendências com sua mãe. Posso pôr o telefone no ouvido dela para você falar cinco frases: me desculpe, eu te desculpo, muito obrigado, eu te amo e adeus”. A mulher concordou, a reaproximação foi feita e, no dia seguinte, a doente morreu com esse capítulo devidamente encerrado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que mais me tocou na entrevista foi o poder de síntese de Claudia Burlá ao propor as cinco frases essenciais à filha pródiga. Se esse &lt;em&gt;script&lt;/em&gt; foi de fato seguido, em uma conversa que provavelmente não durou nem uma hora, talvez nem meia, talvez nem quinze minutos – dado o estado crítico da paciente –, falou-se muito mais do que normalmente se falaria em dez anos. Às vezes, numa vida inteira. Nessas cinco frases, de no máximo três palavras cada uma, está o mais básico dos básicos de qualquer relação humana bem-sucedida: a autocrítica, a compaixão, a gratidão, o amor e a consciência de que todo segundinho merece um fecho redondo, de ouro, para o caso de ser um epílogo. O sábio roteiro de morte feito pela dra. Burlá é um dos mais belos, objetivos e completos roteiros de vida. Nem todos os &lt;em&gt;to-bes&lt;/em&gt; de Shakespeare, nem todos os condores de Castro Alves ou a oratória de Vieira chegam perto do impacto dessas onze palavras. Tivesse eu poder, a dra. Claudia vestiria o fardão da ABL só por elas. E não haveria chá no mundo que as pagasse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sempre me angustiou a ideia de uma despedida tão súbita que nem desse ocasião a essas onze palavras, ou pior: que pairasse como uma lembrança negativa, com um “a culpa é sua”, um “você não tem mesmo jeito” ou até um mero “que saco!” suspenso no ar. Suspenso eternamente, sem nenhuma cena do capítulo seguinte, nenhum diálogo posterior. Uma despedida não feita, malfeita. Hoje eu sei exatamente o que espero: que quaisquer despedidas (todas as provisórias, todas as definitivas) sejam permeadas por aquelas cinco frases, por aquelas onze palavras, e naquela mesma ordem. Primeiro, a admissão dos nossos erros – porque nenhuma aproximação é feita com uma pedra na frente. Depois, a remoção gratuita (e irreversível) das pedras alheias – porque um perdão não concedido encrava no peito como uma unha que não cortaram bem. Em seguida, o reconhecimento de que o outro tem muito mais delícias do que pedras. Quando a (re)conquista já for total, nada melhor do que celebrar o momento com a frase mais inteira de todas. É o único modo de deixar os laços tão apertados que nem a quinta frase consiga parti-los. &lt;em&gt;Ever&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro que o objetivo não é repetir as sentenças da dra. Claudia a cada instante, como um mantra enlouquecido. Mesmo porque, se não forem sinceramente sentidos, dizer os trechos a toda hora será mera canastrice. A intenção é que se os diga numa frequência saudável, sempre que as circunstâncias pedirem; nem engoli-los, nem cuspi-los a torto e a direito. Mas a intenção, sobretudo, é tirar o monopólio dos lábios e deixar essas frases penduradas nos olhos, nos braços, na vida, de maneira que a voz não tenha a exclusividade de dizê-las. E mais sobretudo ainda: é dizê-las mesmo assim, mas antecipando-as com exemplos tão concretos que falar nem seria preciso. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-1760118455815814984?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=1760118455815814984&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1760118455815814984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1760118455815814984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/03/as-cinco-frases.html' title='As cinco frases'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S6a-bTBZYoI/AAAAAAAAAIw/ca2Tpx8IHVU/s72-c/forgiveness.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-8529715078499284810</id><published>2010-03-16T07:47:00.004-03:00</published><updated>2010-03-16T07:51:49.093-03:00</updated><title type='text'>Rapsódia in blue</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S59h66Rc0LI/AAAAAAAAAIg/OuQA0cOiHh0/s1600-h/500-dias-com-ela.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5449181738844344498" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S59h66Rc0LI/AAAAAAAAAIg/OuQA0cOiHh0/s400/500-dias-com-ela.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Uma das maiores alegrias para o cinéfilo é sair da sala de projeção segurando uma pérola inesperada, recém-descoberta. Na última semana, eu e Fábio fomos os premiados. Era filme que eu, na verdade, há muito tempo perseguia, mas cujo horário só agora cruzou os meus: o ultra-adorável &lt;em&gt;(500) dias com ela&lt;/em&gt;, estrelado por Joseph Gordon-Levitt (clone moreno de Heath Ledger) e Zooey Deschanel (clone exato de Katy Perry, com aqueles olhões espantosos que afogam a tela de azul).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;(500) dias com ela&lt;/em&gt; não é apenas um filme fofo-alternativo como os igualmente deliciosos &lt;em&gt;Cashback&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Pequena Miss Sunshine&lt;/em&gt; e (o meu adorado) &lt;em&gt;O fabuloso destino de Amélie Poulain&lt;/em&gt;, por exemplo. Trata-se, por que não dizer, de uma pequenina rapsódia. Rapsódia, na música, é uma colagem de melodias populares, juntinhas ao sabor do artista e não presas numa estrutura rígida. Guardadas as devidas proporções, é a definição perfeita para o simpático longa de Marc Webb. Em pouco mais de uma hora e meia de projeção, há um bocadinho de muita coisa: o recurso do narrador que reforça o tom de fábula da ação; a apresentação retrô da magnética Summer, personagem de Zooey Deschanel (por sinal, tanto o uso do narrador quanto as cenas biográficas de Summer lembram bastante o clima de &lt;em&gt;Amélie Poulain&lt;/em&gt;); os episódios divididos pelo número de dias passados desde o primeiro encontro do casal – número este que surge ora numa tela alegremente “summer” (para os momentos felizes do protagonista Tom), ora num cenário cinzento (para seus dias de bola murcha); o musical saborosíssimo que resume o estado de espírito de Tom após a primeira noite de amor com Summer; a hilária recriação do cinema europeu &lt;em&gt;cabeça&lt;/em&gt; que, por outro lado, retrata um protagonista confuso e deprimido... Estilices para dar e vender. Cada minuto é um &lt;em&gt;flash&lt;/em&gt;. Destaque também para a sacada genial de, a certa altura, dividir a tela entre a metade da expectativa (de Tom) e a da realidade (do encontro). Simultâneas e ligeiramente diferentes, as versões do que &lt;em&gt;teria sido&lt;/em&gt; e do que &lt;em&gt;foi&lt;/em&gt; dão o tom exato do longa: o interesse do roteiro não é nem açucarar com soluções fáceis, nem azedar a vida dos apaixonados, e sim extrair desse embate sua necessária (e sustentável) leveza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Boa parte da leveza de &lt;em&gt;(500) dias com ela&lt;/em&gt; mora na onipresença do azul, adequadamente identificado com o “céu de verão” que a mocinha representa. Nos olhos oceânicos de Summer, em quase 100% dos figurinos da personagem, nos detalhes de sua casa, nas roupas de todos os figurantes que dançam com Tom na cena musical – lá está a cor que, em inglês, simboliza a tristeza, mas que visualmente funciona como uma lufada fresquinha. A dualidade do azul (e de Summer) é a mesma do filme: paradisíaco e algo tristonho, um quê de celestial e um quezinho de aflitivo, muito de masculino e muitíssimo de delicado, bastante de jovem e de clássico. Foi assim como ver o mar – a primeira vez, este ano, em que saímos com os olhos brilhando na certeza de termos inaugurado nosso próximo &lt;em&gt;top ten&lt;/em&gt;. Imperdoável foi a ausência de &lt;em&gt;(500) dias&lt;/em&gt; no &lt;em&gt;top ten&lt;/em&gt; da Academia, ou a falta de uma indicação, pelo menos, para melhor roteiro original. Como disse o Fábio: paciência. Venceu o bege-areia, não era ano de azul no Oscar. Mas aqui em nossas plagas, distantes das pelejas americanas e já suficientemente escaldantes, nada melhor do que refrescâncias coloridas onde seja impossível não mergulhar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-8529715078499284810?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=8529715078499284810&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8529715078499284810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8529715078499284810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/03/rapsodia-in-blue.html' title='Rapsódia in blue'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S59h66Rc0LI/AAAAAAAAAIg/OuQA0cOiHh0/s72-c/500-dias-com-ela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-4197913001448855342</id><published>2010-03-10T20:27:00.013-03:00</published><updated>2010-03-10T21:16:47.199-03:00</updated><title type='text'>Valeu por John Hughes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S5grIE3KbBI/AAAAAAAAAio/4avS_yCP5dk/s1600-h/Oscar+2010,+John+Hughes.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 285px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447151167048674322" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S5grIE3KbBI/AAAAAAAAAio/4avS_yCP5dk/s400/Oscar+2010,+John+Hughes.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Não foi uma noite daquelas. Sem números musicais grandiosos, sem as paródias dos filmes indicados (que o Billy Crystal fazia como ninguém), sem as estrelas da música pop soltando a voz pelas melhores canções, sem aqueles velhinhos premiados pelo conjunto da obra recebendo seus troféus no palco, ao vivo, e – claro – sem a vitória de um gigante hollywoodiano como &lt;em&gt;Avatar&lt;/em&gt;, a cerimônia do Oscar ficou devendo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava tudo muito &lt;em&gt;low profile&lt;/em&gt;, contido, correto, básico. Bege demais. Aquele tom de areia que “colore” a maior parte da fotografia do grande vencedor da noite, o superestimado &lt;em&gt;Guerra ao terror&lt;/em&gt;. Ok, ok, o filme tem vários méritos: a direção macho-sensível de Kathryn Bigelow; a performance surpreendente de Jeremy Renner, que foge do estereótipo soldado-herói-americano com a mesma habilidade com que desarma bombas; e o roteiro corajoso, que encara um sujeito “viciado” numa droga pesadíssima, a guerra (um sujeito que pode funcionar como a metonímia de uma nação).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, ainda assim, eu preferia &lt;em&gt;Avatar&lt;/em&gt;: o filmaço que vai além da nossa dimensão, do nosso mundinho mais ou menos (embora não deixe de falar de nossas mazelas). Seria ótimo ter visto o esforço épico de James Cameron para criar Pandora e os na'vi – uma jornada que durou mais de dez anos – ser reconhecido pela Academia. Não foi. Paciência. O jeito agora é esperar a próxima aventura do autointitulado Rei do Mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que mais valeu nesse Oscar foram os prêmios justíssimos para Mo’Nique, a mãe-bruxíssima de &lt;em&gt;Preciosa&lt;/em&gt;, e Christoph Waltz, o magnético vilão de &lt;em&gt;Bastardos inglórios&lt;/em&gt;, além da homenagem, mesmo póstuma, ao genial John Hughes. Foi encantadoramente nostálgico reencontrar aquele clubinho dos anos 80, liderado pela dupla Molly Ringwald e Matthew Broderick, lembrando as pérolas cinematográficas do diretor e roteirista que sintetizou como poucos as nuances de uma geração. De curtir e emocionar adoidado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-4197913001448855342?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=4197913001448855342&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4197913001448855342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4197913001448855342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/03/valeu-por-john-hughes.html' title='Valeu por John Hughes'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S5grIE3KbBI/AAAAAAAAAio/4avS_yCP5dk/s72-c/Oscar+2010,+John+Hughes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-910672050367283706</id><published>2010-02-28T11:09:00.004-03:00</published><updated>2010-03-05T09:13:34.687-03:00</updated><title type='text'>Medo de lagartixa</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S5D1WHgVQ6I/AAAAAAAAAig/L3fM0IZtaOA/s1600-h/godzilla_560b.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 260px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5445121709811516322" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S5D1WHgVQ6I/AAAAAAAAAig/L3fM0IZtaOA/s400/godzilla_560b.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S4p5ktRwMAI/AAAAAAAAAiY/Kpeio3ho9cU/s1600-h/Medo1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Hoje acordei com uma vontade inexplicável de listar meus medos: os eternos, os temporários, os sérios, os bobinhos, os que me fazem parar, os que me fazem seguir. Alguns são tão óbvios e me causam tamanho pavor – o medo da morte, por exemplo – que não merecem o espaço de uma cova. É melhor fingir que não existem; se, por acaso, eles insistirem e derem o fúnebre ar da desgraça, o jeito é não ter medo – de fugir. É o que faço. Corro pra bem longe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só não quero ficar longe de quem gosto. Nem pensar. A distância é outro medo eterno e sério. Daqueles que só fazem uma crônica mais cinzenta do que deveria. Minha ideia inicial era escrever sobre o medo da colorida comida japonesa (já superado com os devidos sushis e sashimis); da cabeleira selvagem do Caetano tropicalista (felizmente há muito substituída por fios grisalhos e comportados, bem menos assustadores); e do Baixo Astral, o ultravilão que por pouco não descoloriu o arco-íris de energia da Super Xuxa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também tenho medo de passar a vida inteira e não rabiscar uma obra-prima que seja; que seja da literatura, do cinema, da tevê, do Youtube. Um videozinho mambembe de quinze segundos, um flagrante filmado com a câmera do celular, uma bobagem com a poesia da “Dança do quadrado”; se tiver um milhão de acessos e a minha assinatura, já está valendo – valendo, quem sabe, uma visitinha ao programa do Jô, um convite para o sofá da Hebe!...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sonhos... deixemos eles de lado. Porque o assunto aqui são os medos. Meu medo cotidianíssimo dos livros mal escritos, dos alunos mal-educados, do juiz que vai apitar o próximo jogo do Vasco, do metrô abarrotado e irrespirável na hora do rush. Claro, tenho também aqueles medos mais “coletivos”, compartilhados com boa parte da humanidade: o medo dos políticos que guardam dinheiro na cueca, dos homens-bomba que ameaçam a paz do planeta, das catástrofes provocadas pelo aquecimento global, dos figurinos da Lady Gaga.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas verdade seja dita: nenhum desses medos é tão forte quanto o horror (o medo ao quadrado) que tenho das lagartixas que moram no quintal aqui de casa. Só de pensar naquelas criaturinhas frias e rastejantes – saindo de seus covis no cair da noite – já sobe aquele arrepio!...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-910672050367283706?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=910672050367283706&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/910672050367283706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/910672050367283706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/02/medo-de-lagartixa.html' title='Medo de lagartixa'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S5D1WHgVQ6I/AAAAAAAAAig/L3fM0IZtaOA/s72-c/godzilla_560b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-1477682936370918437</id><published>2010-02-21T20:07:00.003-03:00</published><updated>2010-02-21T20:14:02.194-03:00</updated><title type='text'>Nós, os dissimulados</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S4G9IoM6jFI/AAAAAAAAAIY/x7nq0AQbMZU/s1600-h/Dissimulados.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 306px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5440837780768459858" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S4G9IoM6jFI/AAAAAAAAAIY/x7nq0AQbMZU/s400/Dissimulados.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Semanas atrás, a ex-bebebê Elenita acusava outra moradora da Casa, Fernanda, de ser a mais dissimulada do programa. “Ela força amizade com todo mundo para não ser votada”, diagnosticava a linguista. Aquilo me intrigou. Primeiro porque “forçar amizade” é expressão absurda; pode-se no máximo conquistar um amigo, seduzi-lo ou tentar chegar perto disso, mas forçá-lo é impossível. Pode-se também forçar alguém – e então não será um amigo. Os dois conceitos se excluem. Em segundo lugar, até onde pude perceber, minha xará lourinha sempre se mostrou controlada, doce e sorridente no jogo, sem se envolver sensivelmente em intrigas ou semear venenos pelos quartos. Pelo menos não enquanto eu estava assistindo. Mas o que mais me intrigou foi que, talvez, exatamente isso tenha motivado a acusação de Elenita: não uma atitude realmente falsa por parte da adversária, e sim a ausência da atitude hostil, neurótica e defensiva que se assumiu como natural aos participantes do programa. No BBB (segundo o código de conduta dos próprios bebebês), simpatia é dissimulação e gritaria é autenticidade. Só no BBB?...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cá entre nós: dentro ou fora da Casa, não são poucos os que defendem essa psicologia “muderna” e torta. Se foi grosseiro, implicante, brigão, egocêntrico, insensível, desaforado, beleza! eis um autêntico. Se foi bonzinho, condescendente, gentil, suave, eis um banana – ou um falso. Parte-se do princípio (hoje em dia, sagrado) de que não se deve “trair” sua vontade, sua voz, sua ideia – esquecendo-se o detalhe de que todos têm vontades, vozes e ideias distintas e, portanto, a vida social iria à falência sem pequenas “autotraições”. Em outras palavras: qualquer convivência civilizada é impossível sem dissimulação. Não falo aqui, é óbvio, do cara-de-pau que faz ar de inocente enquanto mete dólares na meia ou na cueca, nega conhecimento de falcatruas, oferece droga dizendo que não faz mal, engana o marido (ou esposa) com o(a) colega do escritório, fofoca com o chefe sobre Fulaninho e com Fulaninho sobre o chefe. Isso é dissimulação &lt;em&gt;do mal&lt;/em&gt; – puro egoísmo que só ajuda a tornar a sociedade inviável. O que aponto como fundamental é aquela dissimulação &lt;em&gt;do bem&lt;/em&gt; que nos impede de agir como tratores. Quer se chame isso de generosidade, equilíbrio, superego ou de algum grau (necessário) de bananice.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sem a dissimulação do bem, seríamos todos Isabéis. Sabe a Isabel, irmã da modelo Luciana de &lt;em&gt;Viver a vida&lt;/em&gt;? pois é. Alguns ainda conseguem ser fãs de seu jeito perverso de dizer “verdades”, como se a crueldade (embora sincera) tivesse mais valor de mercado do que o hábito de tornar as pessoas menos infelizes. É preciso ser positivamente dissimulado para se transmitir esperança ao doente, mesmo que por dentro estejamos morrendo de tristeza e medo. É preciso ser corajosamente dissimulado para dizer ao filho que tudo vai ficar bem, ainda que se tenha sido demitido. É preciso ser equilibradamente dissimulado para não esganar a colega tagarela de voz estridente, o vizinho que pede tudo emprestado e não devolve, o atendente do hospital público lotado. É preciso dissimular para não deixar de dar “bom dia” quando estamos deprimidos, não faltar ao trabalho quando só queremos dormir, não fechar a cara quando recebemos um presente nada-a-ver (dado com carinho). Dissimular é preciso. Para viver, para conviver, para sobreviver – e deixar os outros sobreviverem na mais santa paz, na paz acessível. Dissimular para o bem não é mentir: é (se) aperfeiçoar. Afinal, não há mérito algum em manifestar exatamente o que somos e sentimos se, com isso, deixamos o mundo pior do que quando entramos nele.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-1477682936370918437?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=1477682936370918437&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1477682936370918437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1477682936370918437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/02/nos-os-dissimulados.html' title='Nós, os dissimulados'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S4G9IoM6jFI/AAAAAAAAAIY/x7nq0AQbMZU/s72-c/Dissimulados.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-5139379770017356970</id><published>2010-02-15T10:59:00.011-02:00</published><updated>2010-02-16T10:20:37.504-02:00</updated><title type='text'>Come fly with me</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S3lFe48GhCI/AAAAAAAAAiQ/3C_AbZwABu4/s1600-h/Up+in+the+air1.bmp"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5438454422009447458" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S3lFe48GhCI/AAAAAAAAAiQ/3C_AbZwABu4/s400/Up+in+the+air1.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;Ryan Bingham é um sujeito livre, leve e solto, cujo trabalho é voar de cidade em cidade mundo afora demitindo funcionários de empresas que precisam cortar gastos. Ele carrega consigo uma pequena mala que guarda apenas o essencial. Nas raríssimas horas de folga, volta a seu apê básico, branco, sem fotografias, sem nada que o personalize – prático, funcional. Sua única meta é acumular milhagens. Não para fazer &lt;em&gt;aquela&lt;/em&gt; viagem dos sonhos; mas para atingir a marca de dez milhões de milhas. Um recorde para poucos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim é o protagonista de &lt;em&gt;Up in the air&lt;/em&gt;, novo filme de Jason Reitman (o diretor dos bons &lt;em&gt;Obrigado por fumar&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Juno&lt;/em&gt;). Vivido por um George Clooney a cada dia mais à vontade no papel do sedutor cínico, Ryan se vê sem chão – ou sem céu, no caso dele – ao se deparar com a possibilidade de não precisar mais viajar para eliminar suas vítimas. Graças a um sistema de teleconferências a ser implantado em sua firma, ele poderá fazer seu trabalho no conforto do escritório, diante do computador, pela internet. E o melhor: no final do dia, poderá voltar para casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Péssima ideia. Pois a “casa” de Ryan são os aeroportos, as filas de &lt;em&gt;check-in&lt;/em&gt;, as salas de embarque e desembarque, os aviões. É ali, naquele ambiente convenientemente impessoal, que ele pode viver a vida nômade que escolheu para si, uma vida em eterno movimento, para o alto e avante, de conexões apenas casuais, sem aquelas escalas “chatas” e “descartáveis” como família, amigos e outros etcéteras que só fazem crescer – e pesar – ainda mais nossa bagagem no decorrer dos anos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada, porém, que a linda Alex – aparentemente tão "desencanada" quanto Ryan –, a jovem e promissora Natalie – responsável pelo tal sistema de teleconferências e que, de certo modo, ocupa o lugar da filha que ele jamais teve – e um inescapável convite para o casamento de sua irmã não pudessem mudar. Com um roteiro agridoce – que não aterrissa no &lt;em&gt;happy end&lt;/em&gt; fácil –, a direção precisa de Reitman e canções escolhidas a dedo, o carismático anti-herói acaba conduzido a rever seus conceitos sobre a vida e, em última instância, sobre o que pode ser (muito) bom levar em nossas mochilas de viagem, ainda que elas pesem um pouquinho mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-5139379770017356970?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=5139379770017356970&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5139379770017356970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5139379770017356970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/02/come-fly-with-me.html' title='Come fly with me'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S3lFe48GhCI/AAAAAAAAAiQ/3C_AbZwABu4/s72-c/Up+in+the+air1.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-818076310033952235</id><published>2010-02-07T11:37:00.005-02:00</published><updated>2010-02-08T08:02:28.635-02:00</updated><title type='text'>Prazer em conhecer-me</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S27PFHd5hUI/AAAAAAAAAiE/QmFMc6a6hbI/s1600-h/DSC00422.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435509487093515586" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S27PFHd5hUI/AAAAAAAAAiE/QmFMc6a6hbI/s400/DSC00422.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S27N46uZ0gI/AAAAAAAAAIQ/E0MUHaNj5kM/s1600-h/DSC00543.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S27M55USWUI/AAAAAAAAAII/w5H_KMtUwCk/s1600-h/DSC00391.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como o Fábio já contou no post anterior, acabamos de voltar de uma viagenzita a Cabo Frio, com direito a uma esticadinha em Búzios. E quem leu o post deve ter ficado com a impressão de que sempre fui exímia (ou, pelo menos, apaixonada) mergulhadora, admiradora convicta do mar e frequentadora assídua do Pepê ou Posto 9. Nada mais absurdo. Quem me conhece mais de perto sabe que costumo fugir de praia como o Cadu foge da Anamara, não levo o menor jeito pra camarão empanado e nunca tive, com o mar, intimidade que fosse muito além do “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite”. Sempre jurei de pés juntos que preferiria, até a morte, uma viagem de serra-mato-montanha a uma de sol-areia-oceano. Sabe aquele avatarzinho que você cria para si mesmo em alguns sites (e dentro da cabeça)? O meu jamais surgiria numa paisagem que se parecesse com o Havaí ou Fernando de Noronha. Provavelmente ele apareceria, dando adeusinhos sorridentes, diante da Torre Eiffel, do Castelo da Cinderela, de casinhas coloniais ou de uma cerejeira florida. Praia nunca foi minha praia; nunca me representou ou definiu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E aí viajei. No primeiro dia, uma caminhada à beira-mar, água batendo na perna e a estranha sensação de pertencimento àquela paisagem alienígena, deliciosamente salgada e gelada. No segundo, um passeio de escuna e a oportunidade de cair no meio do mar de Búzios. O Fábio mergulhou e eu – para não perder a coragem e a chance – o segui sem pensar muito. Nos dias seguintes, em cada praia visitada, era eu quem mais se demorava entre as ondas; uma ânsia esquisita de sentir os lábios rachando de sal e a água abraçando o corpo inteiro, geladamente. Fiz as pazes com o mar – que aparentemente não sabia que estávamos brigados, tal a simpática alegria com que me recepcionou. Talvez ele tivesse razão. Não foi com ele que eu brigara, e sim com a superpopulação, o desassossego, a areia emporcalhada e o sol saariano do Rio de Janeiro. Nada que a praia vaziamente matinal (no horário certo, na temporada certa), a segurança e o vento fresquinho de Cabo Frio não pudessem resolver.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma viagem ou situação de exceção não muda a personalidade de ninguém; faz, pelo contrário, uma depuração ocasional. Um efeito salina: longe das ondas costumeiras, das influências de sempre, o que era menos sólido evapora e o que sobra é você. Você com mais ou menos refinamento, mais ou menos medos, mais ou menos frescuras do que achava que tinha. Às vezes necessidades diferentes, reações distintas. Claro: uma situação de exceção também é uma onda, também é uma influência. Nossa autenticidade não é, necessariamente, exclusiva nem absoluta nesses períodos. Mas é nesses períodos que levamos menos bagagem, física e emocional (o que é uma mala perto de uma casa inteira, do trabalho, das contas...?), ou temos menos tempo de acessá-la. Contamos mais com menos; somos o que nos fica de mais básico. Temos um espaço menor para carregar todas as autoinformações sobre as quais dormimos confortavelmente – e, por isso, nos vemos obrigados a ser mais quem &lt;em&gt;tendemos&lt;/em&gt; a ser e menos quem nos &lt;em&gt;acostumamos&lt;/em&gt; a ser. Depois voltamos para casa e tentamos não enterrar o tesouro (ou não ignorar o problema) descoberto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltei para casa com muita vontade de não enterrar o tesouro, de não deixar de andar à beira-mar, de não perder o gosto de sal nos lábios, de não ficar longe da firmeza que a água exige do corpo (mesmo que fosse numa hidroginástica). Com a vida que temos, é difícil. Porém, pela primeira vez desde que comprei o computador – há anos! –, mudei o papel de parede: tirei o fundo-padrão do Windows e deixei a foto do mar (sem rostos, sem areia: só do mar) de Búzios. Ele continua não me definindo – assim como a Torre Eiffel, o Castelo da Cinderela, as casinhas coloniais e a cerejeira florida, sozinhos, não me definem. Mas talvez não seja má ideia nos definirmos pela urgência de lembrar que sempre devemos deixar um porta-retrato preparado para um novo amigo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-818076310033952235?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=818076310033952235&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/818076310033952235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/818076310033952235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/02/prazer-em-conhecer-me.html' title='Prazer em conhecer-me'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S27PFHd5hUI/AAAAAAAAAiE/QmFMc6a6hbI/s72-c/DSC00422.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-2095353508394371554</id><published>2010-02-03T08:16:00.016-02:00</published><updated>2010-02-07T13:30:22.839-02:00</updated><title type='text'>Aquela areia</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S27K9BMW9QI/AAAAAAAAAh0/o-8Twmy--Ek/s1600-h/P1020640.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435504949923869954" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S27K9BMW9QI/AAAAAAAAAh0/o-8Twmy--Ek/s400/P1020640.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S27KKwQWcaI/AAAAAAAAAhs/YaR5HivV5zA/s1600-h/16.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S2lTN9IZjlI/AAAAAAAAAhU/AJ4gS5ZhcTA/s1600-h/DSC00544.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S2lRNwutLFI/AAAAAAAAAhM/bfqVePkvyD8/s1600-h/DSC00544.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma viagenzinha de nada até Cabo Frio e Búzios pode ser tudíssimo quando se está em boa companhia. Você desliga o mundo como se fosse um celular. Pisa a areia, pula as ondas, sente o vento. Não tem pressa, não tem correria, não tem os relógios do mundo inteiro ao seu redor, todos tiquetaqueando feito o coelho da Alice. É tarde! É tarde! É tarde até que arde! Ai, ai, meu Deus! Alô, adeus! É tarde, é tarde, é tarde!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como a menina que se jogou no insano País das Maravilhas, nossa Fernanda se atirou no mar sem medo de ser feliz, sem receio da água (muito) fria e aproveitou segundo por segundo. Tirou todas as fotos possíveis, com a alegria de quem descobre – e se apaixona por – uma nova paisagem a cada flash.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Catamos conchas, subimos dunas e pedras, visitamos Brigitte Bardot, encontramos um sirizito fazendo sua dancinha típica – popularizada por Vesgo, Sílvio Santos e Galvão Bueno –, tomamos água de coco, navegamos de escuna e por pouco não tocamos um transatlântico... Éramos quase personagens de Manoel Carlos! Shimbalaiê!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, como toda onda – que vem até a praia, acena suave e retorna ao mar –, nossos dias azuis voltaram para casa, levando consigo os barquinhos coloridos dos pescadores e deixando na memória apenas um bocado de areia; não a que faz da gente autênticos camarões empanados, fritando sob o sol – mas aquela onde rabiscamos um coração e construímos um castelo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-2095353508394371554?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=2095353508394371554&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/2095353508394371554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/2095353508394371554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/02/como-uma-onda.html' title='Aquela areia'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S27K9BMW9QI/AAAAAAAAAh0/o-8Twmy--Ek/s72-c/P1020640.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-8466084984833706975</id><published>2010-01-25T16:08:00.017-02:00</published><updated>2010-01-25T16:33:10.752-02:00</updated><title type='text'>Espiadinha básica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S13eq9jjgII/AAAAAAAAAg8/_tNQBCvf9po/s1600-h/BBB10b.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 230px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5430741555338248322" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S13eq9jjgII/AAAAAAAAAg8/_tNQBCvf9po/s400/BBB10b.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Ligar a tevê diariamente para acompanhar as últimas do &lt;em&gt;Big Brother Brasil&lt;/em&gt; – vulgo mas não vulgar &lt;em&gt;BBB&lt;/em&gt; – é um exercício comparável a ler romance, assistir à novela das oito ou parar dois minutos na janela para assuntar o quintal do vizinho. Pelo menos para quem vê a vida com os olhos oblíquos da ficção. Se diz a canção de Paulo Ricardo que “viver é quase um jogo”, o jogo por um milhão e meio de reais é &lt;em&gt;quase&lt;/em&gt; a vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é a vida porque (ainda) não somos vigiados por cinquenta câmeras o dia inteiro; porque (ainda) temos a chance de trancar a porta do quarto e fazer o que ninguém vê. Mas, fora isso, fora o show, a realidade pulula no laboratório do Boninho. Embora os BBBs pareçam repetir os mesmos tipos das edições anteriores, eles não são iguais. A gostosa, o pitboy, o estrategista de ontem não são a gostosa, o pitboy, o estrategista de hoje. Basta olhar com atenção, sem preconceitos, e se surpreender.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Personagens como Marcelo Dourado, Dicesar, Elenita e Tessália podem ser mais interessantes – psicologicamente – do que muitos moradores do Leblon, do que várias criações do melhor autor de todos os tempos da última semana. Eles são às vezes bons, às vezes maus, às vezes companheiros, às vezes traiçoeiros, às vezes inteligentes, às vezes uma porta. Mas jamais de papelão. São sempre humanos, no melhor e no pior sentido da palavra humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez seja por isso (e pelo polpudo salário, mas independentemente dele) que o jornalista e escritor – escritor! – Pedro Bial demonstre tanto carinho por aqueles meninos e meninas tão bobos e ridículos quanto você e eu, que somos anjos e monstros, que somos nós mesmos, que fingimos o que não somos, que nos esbaldamos nas festas e caímos na piscina, que não resistimos a um espelho, que falamos bobagens, que falamos mais bobagens, que, enfim, encaramos provas de resistência, lógica e sorte todos os dias – apenas para fugir do próximo paredão e (sobre)viver a vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-8466084984833706975?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=8466084984833706975&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8466084984833706975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8466084984833706975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/01/espiadinha-basica.html' title='Espiadinha básica'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S13eq9jjgII/AAAAAAAAAg8/_tNQBCvf9po/s72-c/BBB10b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-4983832771041601283</id><published>2010-01-21T15:47:00.010-02:00</published><updated>2010-01-21T16:10:34.314-02:00</updated><title type='text'>O DJ sou eu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S1iTiHczYFI/AAAAAAAAAgk/IGnUU4if5P4/s1600-h/Silent+disco1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5429251565119823954" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S1iTiHczYFI/AAAAAAAAAgk/IGnUU4if5P4/s400/Silent+disco1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;A festa acontece numa mansão belíssima, com direito a jardim grande e piscina idem; o buffet serve quitutes diversos e deliciosos; os convidados são bem educados, até simpáticos; a pista de dança é espaçosa, as luzes dão aquele clima, mas o DJ toca... funk quase a noite inteira! Para quem tem muita (in)disposição, crééééééuuuu, crééééééuuuu. Créu, créu, créu, créu, créu. Eu não, obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda durante a noite, entre um quibe e uma coxinha, cheguei a me arrepender de não ter levado o mp3. Bastaria pôr os fones no ouvido, apertar o play e sacudir o esqueleto sem medo de ser feliz. Quem notaria afinal? Quem diria que eu não estava no ritmo da festa? Rock’n’roll, pop, disco ou... funk, meu dois-pra-lá-dois-pra-cá não muda muito, tem pouquíssimas variações – típicas de um sujeito cuja cintura tem tanto “jogo” quanto um poste.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na próxima vez, prometo não vacilar: levo o mp3 e pronto. Serei meu próprio DJ. E ninguém vai poder me acusar de ser antissocial ou metido à besta só porque não aprecio essa tão importante manifestação cultural dos subúrbios, cujos representantes e maiores incentivadores são os MCs e as popozudas (não necessariamente nessa ordem). Pois festas com fones de ouvido já são moda na Europa e estão chegando por aqui.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É a &lt;em&gt;silent disco&lt;/em&gt;. Você entra na festa, onde aparentemente impera a lei do silêncio, recebe um fone de ouvido sem fio, coloca e... música! No volume que quiser. E no estilo também. O fone tem três canais, é só escolher &lt;em&gt;your song&lt;/em&gt;. Mas, se preferir bater um papo, basta desligar o aparelho e falar tranquilamente, sem ter que se esgoelar. É ou não é superfantástico?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por falar em fones de ouvido, estou considerando fortemente a possibilidade de aconselhar um pobre amigo – que caiu na armadilha de ser padrinho de casamento – a usá-los, especialmente se os noivos insistirem em levar adiante a genial ideia de uma “homenagem amiga” e embalarem sua entrada e a dos outros padrinhos com algo como “Canção da América”... &lt;em&gt;Help!&lt;/em&gt; Um mp3, por favor!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-4983832771041601283?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=4983832771041601283&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4983832771041601283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4983832771041601283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/01/o-dj-sou-eu.html' title='O DJ sou eu'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S1iTiHczYFI/AAAAAAAAAgk/IGnUU4if5P4/s72-c/Silent+disco1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-566525854407036419</id><published>2010-01-17T13:04:00.003-02:00</published><updated>2010-01-17T13:09:23.135-02:00</updated><title type='text'>Aliens, vampiros e mulheres (in)visíveis</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S1MnThvEx-I/AAAAAAAAAIA/rZqNpehB_oc/s1600-h/mulher+invis%C3%ADvel.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5427725192338393058" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S1MnThvEx-I/AAAAAAAAAIA/rZqNpehB_oc/s400/mulher+invis%C3%ADvel.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Depois de um ano inteiro recebendo aliens esquisitos na Terra e brincando de ser alien em Pandora, ouvindo muitas perguntas no palco do show e poucas respostas no consultório do analista, passeando com vampiros vegetarianos e vampirinhas carnívoras, voando sob milhares de balões coloridos ou sobre as asas coloridas dos &lt;em&gt;ikrans&lt;/em&gt;, tendo aulas de culinária e de História, papeando com garotas nacionais e estrangeiras, viajando para o Paraíso das Cachoeiras ou para o inferno das favelas indianas, vendo nazistas nascerem e explodirem, vendo sonhos explodirem e nascerem, eis o saldo: os dez melhores filmes de 2009, segundo minha humilde opinião e a ordem alfabética. Luz, câmera, recordação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Avatar&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Circle of life.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Bastardos inglórios&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Viva a sociedade alternativa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Deixa ela entrar&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;... mas não convide pro almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Divã&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ficar, com certeza, maluca-beleza!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Foi apenas um sonho&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Os miseráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Julie &amp;amp; Julia&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Açúcar a gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;A mulher invisível&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Aqui, neste mundinho fechado, ela é incrível!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;A onda&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quem quer ser um milionário?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Eu! Não contavam com a minha astúcia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Up – altas aventuras&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Para o alto e avante!...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-566525854407036419?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=566525854407036419&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/566525854407036419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/566525854407036419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/01/aliens-vampiros-e-mulheres-invisiveis.html' title='Aliens, vampiros e mulheres (in)visíveis'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S1MnThvEx-I/AAAAAAAAAIA/rZqNpehB_oc/s72-c/mulher+invis%C3%ADvel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-3184673707422042759</id><published>2010-01-11T19:38:00.007-02:00</published><updated>2010-01-11T19:59:37.290-02:00</updated><title type='text'>Aliens, vampiros e o pior cão do mundo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S0ua6L5VFaI/AAAAAAAAAgc/ilE9EsGPcI4/s1600-h/Marley1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 265px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5425600500514231714" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S0ua6L5VFaI/AAAAAAAAAgc/ilE9EsGPcI4/s400/Marley1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Após milhares de na’vis em 3-D, uma vampirinha encantadoramente perigosa, duas cozinheiras deliciosamente divertidas, centenas de aliens amontoados numa favela sul-africana, dezenas de nazistas indo pelos ares, dúzias de balões coloridos levantando uma casa do chão, vários alunos hitlerianamente aplicados, mil e um sinais de que nosso planeta talvez não resista até 2012, um indiano mais sortudo do que o Raj de &lt;em&gt;Caminho das Índias&lt;/em&gt;, um cãozito chamado Marley e outros 29 filmes, cheguei aos meus favoritos de 2009 (em ordem alfabética). Luz, câmera, lista na mão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Avatar&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Admirável mundo novo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Bastardos inglórios&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tropa de elite, osso duro de roer, pega um, pega geral, também vai pegar você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Deixa ela entrar&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma vampira puro-sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Distrito 9&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Guerra dos mundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Julie &amp;amp; Julia&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fome de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Marley e eu&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Laços de família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;A onda&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Marolinha nada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Presságio&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais quente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quem quer ser um milionário?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Auspicioso show do milhão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10) &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Up – altas aventuras&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Voar, voar, subir, subir – ir por onde a imaginação for!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-3184673707422042759?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=3184673707422042759&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3184673707422042759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3184673707422042759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/01/aliens-vampiros-e-o-pior-cao-do-mundo.html' title='Aliens, vampiros e o pior cão do mundo'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/S0ua6L5VFaI/AAAAAAAAAgc/ilE9EsGPcI4/s72-c/Marley1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-3535309539733444660</id><published>2010-01-06T17:23:00.004-02:00</published><updated>2010-01-06T17:32:13.908-02:00</updated><title type='text'>A liberdade é azul</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S0TjkKOz2KI/AAAAAAAAAH4/ygPZowxF6ns/s1600-h/Avatar.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 231px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423710061622188194" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S0TjkKOz2KI/AAAAAAAAAH4/ygPZowxF6ns/s400/Avatar.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Há uma palavra-chave para entrar na sintonia de &lt;em&gt;Avatar&lt;/em&gt;: conexão. Definitivamente, um filme de conexões. A começar pela própria compra do ingresso – que, pela primeira vez, fizemos pela internet, já que todas as sessões legendadas 3D se esgotavam antes que conseguíssemos visitar Pandora. À parte essa pequena coincidência inicial, cada partícula da obra (aliás, do monumento) de James Cameron mostra uma face do &lt;em&gt;conectar-se&lt;/em&gt;. O longa em si já é um surpreendente entrelaçamento de &lt;em&gt;Pocahontas&lt;/em&gt; com &lt;em&gt;Matrix&lt;/em&gt;, e destaca justamente as conexões que são privilegiadas nesses dois filmes: homem-natureza e homem-máquina, respectivamente. Como numa raiz de árvore, feixe de neurônios ou engrenagem de fábrica, desse eixo central parte uma infinidade de relações secundárias, num tecido orgânico e harmonioso: a conexão da criatura com o criador, de um membro da comunidade com o outro, de um gêmeo com o outro, de uma espécie com a outra, de uma língua com a outra, do amante com o amado, do racional com o irracional, do vivente com o antepassado, do sonho com a práxis, do sono com a consciência, da ciência com o objeto de estudo, do dever com a ética, do humano com o diferente, do homem com o animal, do homem com o corpo, do corpo com a vontade, da limitação com a liberdade. Quase todas as ligações do mundo cabem numa sessão de &lt;em&gt;Avatar&lt;/em&gt;. Durante e depois: o que é puro deslumbre para os olhos vira alimento inesgotável para os neurônios.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A conexão pelos olhos – de um ser com o outro e do homem com o mundo – é, por si só, tema recorrente no filme, da primeira à última cena. Além de os constantes “nasceres” estarem representados nos movimentos de pálpebras e pupilas, o &lt;em&gt;namastê&lt;/em&gt; da raça na’vi se traduz na frase “I see you” (“Eu vejo você”). Não é o distraído “See you” que se diz numa despedida à americana: é o &lt;em&gt;ver&lt;/em&gt; do encontro, o &lt;em&gt;ver&lt;/em&gt; de parar para ver; o &lt;em&gt;ver&lt;/em&gt; de admirar, compreender e reconhecer o reflexo da divindade no olhar alheio. E é lindo constatar como a relação afinada e íntima entre todos os seres, tão decantada em qualquer &lt;em&gt;ecomovie&lt;/em&gt; (“Nós somos tão ligados uns aos outros/ neste arco, neste círculo sem fim”, já dizia Pocahontas), ganhou belíssima tradução visual nas tranças dos na’vi – que literalmente “plugam” nos animais, na terra, nos ramos da árvore sagrada que recebe suas orações. Difícil não se lembrar da energia vital dos cabelos de Sansão. Mas é mais lindo ainda perceber o quanto essas conexões naturais, orgânicas, são superiores em força e duração àquelas realizadas entre homem e traquitanas eletrônicas, interrompidas com um mero corte de eletricidade, um simples ato de truculência. As oposições de &lt;em&gt;Avatar&lt;/em&gt; são óbvias e antigas, sem que por isso soem batidas – o apolíneo contra o telúrico, o patriarcado contra o matriarcado, o metal contra a terra. Papo velho, cara nova: muito além de um povo “primitivo” que se conecta ao planeta, os na’vi &lt;em&gt;são&lt;/em&gt; o planeta – em sua própria carne são azuis como a Terra, nosso planeta de nome e alma tão femininos quanto a metafórica Pandora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É interessante o fato de que, diferentemente do que acontece em &lt;em&gt;Matrix&lt;/em&gt;, o avatar do “escolhido” Jake Sully &lt;em&gt;também&lt;/em&gt; é sua própria carne, e não um simples holograma. Enquanto Neo se projeta num reino de mentira e assepsia, Jake vive mais plenamente através de um segundo corpo, mais conectado à sua mente do que o original (neste, afinal, suas pernas e sua coluna estão “desplugadas”). Ao contrário dos contratantes de Jake, os quais desejam de Pandora o que ela não lhes pode dar – o metal &lt;em&gt;unobtanium&lt;/em&gt;, que até no nome simboliza o que não pode ser obtido –, o protagonista faz ao Planeta-Mãe o pedido certo, a liberdade mental e física que lhe faltava. Ecos de Pocahontas: “Você só vai conseguir/ desta terra usufruir/ se com as cores do vento colorir...”. Apenas com a disposição de ligar-se, e não de romper, é possível conseguir do planeta (qualquer um) a resposta correta; não os males que saíram da caixa da mítica Pandora, e sim a única coisa que nela ficou guardada: a esperança.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-3535309539733444660?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=3535309539733444660&amp;isPopup=true' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3535309539733444660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3535309539733444660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2010/01/liberdade-e-azul.html' title='A liberdade é azul'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/S0TjkKOz2KI/AAAAAAAAAH4/ygPZowxF6ns/s72-c/Avatar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-6091282062736979712</id><published>2009-12-28T16:21:00.007-02:00</published><updated>2009-12-28T16:27:21.716-02:00</updated><title type='text'>Mais amor que simpatias</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/Szj3VOU79fI/AAAAAAAAAHw/PqPu9qFquw4/s1600-h/cora%C3%A7%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5420354095535617522" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/Szj3VOU79fI/AAAAAAAAAHw/PqPu9qFquw4/s320/cora%C3%A7%C3%A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Quando nascer outro ano&lt;br /&gt;entre doze badaladas,&lt;br /&gt;mergulhe já de mãos dadas&lt;br /&gt;na vida, não no oceano.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;No lugar dos três pulinhos,&lt;br /&gt;dê três milhares de abraços,&lt;br /&gt;e cubra de novos passos&lt;br /&gt;os mesmos velhos caminhos. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Em vez dos ramos de flores&lt;br /&gt;depositados nos mares,&lt;br /&gt;jogue em todos os lugares&lt;br /&gt;bons-dias e por-favores. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Em vez das taças de vinho&lt;br /&gt;e dos pratos de lentilha,&lt;br /&gt;leve porções de família&lt;br /&gt;para quem está sozinho.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Em vez de palavras vazias&lt;br /&gt;e rituais desgastados,&lt;br /&gt;espalhe por todos os lados&lt;br /&gt;mais amor que simpatias. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Não guarde no vão da carteira&lt;br /&gt;poucas sementes já mortas,&lt;br /&gt;mas plante sementes e portas&lt;br /&gt;que durem a vida inteira.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Junte cada qual das peças&lt;br /&gt;que ainda estão em colisão,&lt;br /&gt;pois mais vale um só perdão&lt;br /&gt;que milhares de promessas.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Sobretudo, o traje urgente&lt;br /&gt;que cada um deve pôr:&lt;br /&gt;uma roupa de qualquer cor&lt;br /&gt;e um coração transparente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-6091282062736979712?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=6091282062736979712&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6091282062736979712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6091282062736979712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/12/mais-amor-que-simpatias.html' title='Mais amor que simpatias'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/Szj3VOU79fI/AAAAAAAAAHw/PqPu9qFquw4/s72-c/cora%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-6102045193810465610</id><published>2009-12-23T09:51:00.003-02:00</published><updated>2009-12-23T09:52:43.639-02:00</updated><title type='text'>Os fantasmas dos Natais passados</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzIEYdQEL-I/AAAAAAAAAbM/D7GpyXgKRsI/s1600-h/Natal3.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418398119895511010" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzIEYdQEL-I/AAAAAAAAAbM/D7GpyXgKRsI/s320/Natal3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Eles me assombram todos os anos, no dia 24 de dezembro. Vai chegando a noite e, junto dela, meus pais, meu irmão, meus tios, minha prima. A (parte mais próxima da) família em torno da mesa da sala de jantar, usada raramente durante o ano, mas sempre no Natal. Mãe estende uma toalha bonita, arruma os pratos, os talheres, traz a salada de bacalhau, o bolo de frango, o pudim de leite, as castanhas, nozes e avelãs. E começamos a ceia ainda no meio da novela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nossa árvore, pequena no tamanho, mas capaz de abrigar todos os presentes do mundo – e as lembranças deste ultramenino que vos escreve –, espera sua vez enquanto pisca-pisca. O som tocando baixinho as canções natalinas da Simone e do Ray Conniff. Então é Natal! Jingle bells, jingle bells, jingle all the way! Que seja feliz quem souber o que é o bem... Oh what fun it is to ride in a one-horse open sleigh!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Começa o especial da Xuxa, e a gente começa a trocar os presentes, um de cada vez, com direito a fotos e filme que quase nunca conferimos depois: Mãe presenteia Pai, eu presenteio o mano, Tia presenteia Tio, minha prima me presenteia, Mãe presenteia Tia, meu irmão presenteia Pai, e assim vamos nós por mais de uma hora, rindo, falando as mesmas bobagens do ano passado, dos anos passados... Até a última fotografia, todos amontoados sobre o sofá da sala, e a mesmíssima festa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como se perseguissem o velho Scrooge, esses fantasmas mais do que camaradas hão de me assombrar novamente no próximo dia 24. Eles não desistem; são tão reais quanto o Papai Noel (que existe e vem, se deixarmos o sapatinho na janela do coração). Sorte a minha que tenho sempre esse Natal “assombrado”, que nunca precisei pedir um mundo diferente – que sei bem o que é ganhar, embrulhada num presente, a felicidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-6102045193810465610?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=6102045193810465610&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6102045193810465610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6102045193810465610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/12/os-fantasmas-dos-natais-passados_23.html' title='Os fantasmas dos Natais passados'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzIEYdQEL-I/AAAAAAAAAbM/D7GpyXgKRsI/s72-c/Natal3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-9149299970402392156</id><published>2009-12-21T10:15:00.003-02:00</published><updated>2009-12-21T10:20:34.814-02:00</updated><title type='text'>Delicatessen</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/Sy9nFnUatgI/AAAAAAAAAHo/1qLWeFJbw8Y/s1600-h/Julie+%26+Julia1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 302px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417662222901622274" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/Sy9nFnUatgI/AAAAAAAAAHo/1qLWeFJbw8Y/s320/Julie+%26+Julia1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Assim como os já manjados (com trocadilho, por favor) &lt;em&gt;A festa de Babette&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Como água para chocolate&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Chocolate&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Ratatouille&lt;/em&gt;, o atual &lt;em&gt;Julie &amp;amp; Julia&lt;/em&gt; é sobre a alquimia do cozinhar. E, assim como todos os seus pares, &lt;em&gt;Julie &amp;amp; Julia&lt;/em&gt; não é &lt;em&gt;apenas&lt;/em&gt; sobre a alquimia do cozinhar – usando as artes da panela ora como símbolo, ora como colete salva-vidas em relação ao mundo cruel. O de praxe, o de sempre. Mas aquilo que, em &lt;em&gt;A festa de Babette&lt;/em&gt;, era sinal de gratuidade e generosidade; que, em &lt;em&gt;Como água para chocolate&lt;/em&gt;, era desafogo dos sentimentos recalcados; que, em &lt;em&gt;Chocolate&lt;/em&gt;, era veículo de transformação social; e que, em &lt;em&gt;Ratatouille&lt;/em&gt;, era demolição dos preconceitos – torna-se agora, no filme de Nora Ephron, a própria chance de realização pessoal. Uma luzinha no fim da pergunta “O que estou fazendo aqui?”. É um posto relativamente novo. Babette, Tita, Vianne e Remy, protagonistas dos outros filmes citados, simplesmente&lt;em&gt; cozinham&lt;/em&gt; – têm esse dom sem grandes explicações e constroem suas histórias já contando com o talento prévio. Julie Powell e Julia Child, personagens-título do longa atual, &lt;em&gt;aprendem a cozinhar&lt;/em&gt; – são suas histórias que as levam a construir, desenvolver e aperfeiçoar o dom, dando-lhe não mais o jeitinho de poder mágico, e sim de recheio e tempero dos dias. Eis que a alquimia se mostra como um fim, e não um meio (ou começo). Julie e Julia não são, &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt;, perfeitas fadas da cozinha, embora tenham nascido com a semente; é a cozinha que, depois de muito frequentada e buscada, lhes dá o condão e as asas que não tinham em sua vida “pregressa”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O fato de Julie e Julia não terem poderes mágicos, porém, não significa que &lt;em&gt;Julie &amp;amp; Julia&lt;/em&gt; não os tenha. É uma daquelas guloseimas com selinho Wonka de qualidade, filme perfumado e generosamente saboroso como uma delicatessen em que se passeia, de propósito, para ficar com água na boca dos cheiros e paladares variados. Daquelas histórias onde não há nada que não deixe na língua um resíduo bom de biscoito amanteigado e baunilha. Para os profissionalmente desiludidos, serve de bandeja a &lt;em&gt;comfort food&lt;/em&gt; de dois relatos de sucesso. Para os blogueiros desesperançados, o exemplo de uma iniciativa que acertou o ponto. Para os cozinheiros enrustidos, a pitadinha de coragem que acaba de encorpar o molho. Para os românticos (in)confessos, o açúcar de dois casamentos ultrafelizes (que, no entanto, não são capazes de diabeticar ninguém). Para os fãs de Meryl Streep, a diva em mais uma deliciosa composição de personagem, afetado na aparência, mas rigorosamente reconstituído. Para os neofãs de Amy Adams, a fofa cada vez mais fofa – &lt;em&gt;cupcake&lt;/em&gt; que desmancha nos olhos de tão macio, mas na medida certa. Para qualquer cinéfilo de bom gosto, o petisco extra: mais um adorável Stanley Tucci na vasta galeria de adoráveis Stanley Tuccis, sempre roubando (justamente) algumas atençõezinhas do prato principal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No momento em que todas as telas se voltam para o arrasa-quarteirão &lt;em&gt;Avatar&lt;/em&gt; (que não deve ficar fora aqui do blog por muito tempo), veja &lt;em&gt;Avatar&lt;/em&gt;, mas dê-se de sobremesa esta outra delícia de essência puramente natalina, familiar e quente como uma ceia repleta – e, como a ceia repleta, de resultado não totalmente perfeito, mas sinceramente feliz. Em meu humilde cardápio retroativo de 2009, é quitute já garantido entre os &lt;em&gt;top ten&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Bon appétit!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-9149299970402392156?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=9149299970402392156&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/9149299970402392156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/9149299970402392156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/12/delicatessen.html' title='Delicatessen'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/Sy9nFnUatgI/AAAAAAAAAHo/1qLWeFJbw8Y/s72-c/Julie+%26+Julia1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-7671259529450815920</id><published>2009-12-17T08:40:00.004-02:00</published><updated>2009-12-17T09:23:23.377-02:00</updated><title type='text'>Um show de rock’n’roll</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-c18b76da4db77fd0" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v5.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dc18b76da4db77fd0%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D7EC88E3CF3CBAB175474BC55BEFDBE09B6E3A79D.7E16A2926363F5D4D6C74EFAE23A432C8B83C4C7%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dc18b76da4db77fd0%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3Dp1yfMESTJv6FDEmV_gUlaGNKTuo&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v5.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dc18b76da4db77fd0%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D7EC88E3CF3CBAB175474BC55BEFDBE09B6E3A79D.7E16A2926363F5D4D6C74EFAE23A432C8B83C4C7%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dc18b76da4db77fd0%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3Dp1yfMESTJv6FDEmV_gUlaGNKTuo&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Em meus 29 anos de vida, nunca tietei artista nenhum – mas devo confessar, sem medo de mentir, que o Roupa Nova me deixa perigosamente perto disso. Amor nascido numa infância de anos 80, por causa da irmã nove anos mais velha que quase furava os discos do grupo, de tanto os fazer girar, girar, girar, girar, girar, girar na antiga vitrola. Amor nascido de cada tema de novela, de cada nota que sabia o jeito e o lugar de acariciar os ouvidos, de tornar o mundo todo azul. Mas show dos meninos, que era bom, nunca tinha visto: era sempre longe demais, tarde demais, dia de semana demais, eu criança demais. Ou eu simplesmente andava meio desligada, desremunerada, e perdia a chance. A felicidade então nos sorriu, e o Fábio logo espalhou a novidade pelo ar: show do Roupa no Citibank Hall! Desta vez, tudo batia – cidade, idade, calendário, finanças... Agora sim, agora vai: hora de finalmente comprar o que a infância sonhou!... &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Compramos: eu, Fábio e – claro – a irmã nove anos mais velha, que quase furava os discos do grupo (e hoje fura os CDs). O prometido repertório deste &lt;em&gt;Roupa Nova em Londres&lt;/em&gt; era uma mistura das canções do novo álbum com aquelas que deliciaram gerações a fio. Prometido e cumprido com precisão britânica. Tudo começa com uma simpática animação dos meninos no telão, desfilando na terra da rainha. Já no palco, Paulinho e seu vozeirão abrem os trabalhos com “A cor do dinheiro”, reciclagem do sucesso “Correndo perigo”. Em seguida, ele e Serginho alternam as classiconas “Sapato velho” e “Linda demais” – nunca velhas, sempre lindas – e as carentes “Toma conta de mim” e “Volta pra mim” (o hino sagrado da &lt;em&gt;dor-de-cotovelo music&lt;/em&gt;). Emoção à flor da pele. Ricardo Feghali adentra o palco com sua fofíssima guitarra cor-de-rosa da Hello Kitty. “Gostaram da guitarrinha? Tô muito viado com ela?”, ri o figuraça, convocando a participação do público em “Cantar faz feliz o coração”. Faz mesmo. Principalmente quando é Serginho quem canta, com sua voz de carinhar, um medley de delícias como “A viagem”, “Anjo”, “Sonho”, “Amar é”, “Seguindo no trem azul”, “Começo, meio e fim”... Mil motivos para amar Serginho – e gritar para todo mundo ouvir. Paulinho faz um solo de percussão e enche a casa de “Felicidade”. Ainda ao som de “Clarear”, tudo se apaga; iluminando-se apenas com uma lanterna, Nando discursa, ecologicamente, por um pouco de luz nessa vida. Mas falar é pouco pra quem quer mais. Após a dobradinha cardíaca “Coração da terra” e “Coração pirata”, o dueto virtual “Reacender”, as românticas “Mais feliz” e “A força do amor”, as agitadas “À flor da pele” e “Todas elas”, os indefectíveis acordes de “Dona” e a desesperada “Meu universo é você”, reúnem-se todos os roupas no palco, lado a lado. Bom sinal! Já é tempo de uma homenagem dos seis rapazes do Rio aos quatro de Liverpool. Perfeição absoluta, “She’s leaving home” nos rouba a respiração – algo assim transcendental.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;... Que vira o maior carnaval. Quase no fim da festa, ao rock então o grupo (e a gente) se rendeu: Roupa Nova na veia, fazendo diferente o que mais ninguém faz. Somos convocados para a beira do palco – onde me materializo sem pestanejar. “Lança-perfume”, “Show de rock’n’roll” e “Whisky a go-go” nos viram de ponta-cabeça, nos fazem de gato e sapato; não dá pra ficar imune. A noite inteira passa num segundo, neste segundo, e os meninos se vão. Snif. Volta pra mim, Roupa, pra todos nós! Eles voltam, como que desafiando: do you wanna dance? E então atacam num medley furioso que vai de “Sweet child o’ mine” a “We are the champions”, passando por “Have you ever seen the rain”, “Stayin’ alive”, “Twist and shout”, “Satisfaction”, “We will rock you”... They do rock us, meus dedos tocam os de Paulinho e os de Nando, um autógrafo de Paulinho vem cair aos pés do Fábio. Sonho plenamente realizado, pacote ultracompleto (incluindo camiseta e pingente comprados na lojinha externa). E mais um item da &lt;em&gt;wish list&lt;/em&gt; riscado com lápis de ouro – mas só até a próxima vez, porque o coração... já se apronta pra recomeçar. Sabe como é. Um sonho a mais não faz mal...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-7671259529450815920?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=7671259529450815920&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/7671259529450815920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/7671259529450815920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/12/um-show-de-rocknroll.html' title='Um show de rock’n’roll'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-8190446280345299101</id><published>2009-12-07T10:21:00.007-02:00</published><updated>2009-12-11T08:39:24.777-02:00</updated><title type='text'>Ensaio sobre a conveniência</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SxzzaeS8HOI/AAAAAAAAAaE/k7n6RHd2FVI/s1600-h/Conveni%C3%AAncia.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412468488327142626" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SxzzaeS8HOI/AAAAAAAAAaE/k7n6RHd2FVI/s320/Conveni%C3%AAncia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Hoje decidi bancar a Martha Medeiros e escrever – escrever não, fi-lo-so-far – sobre nossa vidinha mais ou menos. Nada de cinema, tevê, música ou outro alucinógeno que faz a gente sonhar que vive numa galáxia muito, muito distante ou naquele Leblon que parece pertinho, mas não é. A vida nem sempre tem efeitos especiais, não é o tempo inteiro como um intervalo de margarina, muito menos toca suave 24 horas por dia como uma canção do Elton John.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ok, ok, estou sendo radical. Há Spielbergs por aí com bons truques na manga, capazes de nos fazer acreditar no velho e surrado futuro da humanidade; há dias em que o margarina &lt;em&gt;way of life&lt;/em&gt; parece real; e há até noites em que o Rocket Man cisma de fazer um show na Apoteose. Ainda bem. O mundo agradece.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o ensaio aqui é sobre aqueles dias e noites em que nos achamos (quase) um lixo, quando temos um instante de lucidez e percebemos que as pessoas gostam da gente não exatamente pelo que somos, mas por aquilo que oferecemos. Como uma lojinha de conveniências, aquela que você visita depois da meia-noite só porque está precisando de um cigarro, de um salgadinho ou de umas pilhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pense bem: sua sogra te “adora” porque você é “sensacional” ou porque você cai como uma luva no tipo de cônjuge com o qual ela sonhou para sua cria? Você está com seu/sua companheiro/a porque o/a admira ou porque ele/a se ajusta exatamente àquilo que você sempre imaginou ser o ideal para uma vida a dois, àquilo que lhe é mais... conveniente?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a coisa se estende: você vota no candidato X porque ele promete podar as árvores do seu bairro ou porque ele promete cuidar de toda a cidade? Você torce pelo time Y porque é &lt;em&gt;seu&lt;/em&gt; time do coração ou porque de fato merece ser o primeiro? Você se aproxima do sujeito Z porque te faz rir hoje, na mesinha do bar, ou porque te fará rir mais à frente, com um empurrãozinho no trabalho?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essas perguntas parecem idiotas, provocam algumas respostas óbvias, e são tudo isso mesmo. A sogra adora o genro porque cai como uma luva no tipo de marido com o qual ela sonhou para sua filha. O rapaz gosta da moça porque a admira e ela se ajusta exatamente àquilo que ele sempre imaginou para uma vida a dois. Esse mesmo rapaz vota no candidato X porque ele prometeu podar as árvores do seu bairro (da sua rua, na verdade...), cujos galhos estavam invadindo sua janela. Ele torce pelo time Y porque é seu time do coração e, por isso, merece ser o primeiro – sempre. Ah, e ele se aproxima do sujeito Z porque sua vidinha mais ou menos estava de menos e precisava urgentemente de uma pitada de bom humor. Conveniente, não?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-8190446280345299101?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=8190446280345299101&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8190446280345299101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8190446280345299101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/12/ensaio-sobre-conveniencia.html' title='Ensaio sobre a conveniência'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SxzzaeS8HOI/AAAAAAAAAaE/k7n6RHd2FVI/s72-c/Conveni%C3%AAncia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-6539613401842098251</id><published>2009-11-30T20:17:00.005-02:00</published><updated>2009-11-30T20:22:14.788-02:00</updated><title type='text'>Para quem acredita em vampiros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SxREjs_sxzI/AAAAAAAAAHg/x7J6I7T8aSE/s1600/Crep%C3%BAsculo.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 278px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410024432543254322" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SxREjs_sxzI/AAAAAAAAAHg/x7J6I7T8aSE/s320/Crep%C3%BAsculo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Não sou e nunca fui (embora não possa prometer que nunca serei) uma &lt;em&gt;crepusculete&lt;/em&gt;, para usar a expressão do crítico Pablo Villaça. Ao contrário do que aconteceu com a saga do bruxinho de J. K. Rowling, integralmente lida e mastigada, vi os filmes crepusculares sem jamais ter me aproximado de um só volume da tetralogia de Stephenie Meyer. Medo de não gostar? qual nada: medo de gostar demais, de ser novamente absorvida por um universo do qual seria doloroso me despedir. Doloroso por motivos diferentes – que merecem parágrafo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto o feitiço de Harry mora na criação de um mundo paralelo que existe de se pegar – lá fora, longe da gente –, o de &lt;em&gt;Crepúsculo&lt;/em&gt; está “aqui mesmo”, como diria o ET de Spielberg, com o dedinho apontando para a cabeça. &lt;em&gt;Crepúsculo&lt;/em&gt; e suas sequências têm o mesmo veneno de um &lt;em&gt;Romeu e Julieta&lt;/em&gt; ou um &lt;em&gt;Werther&lt;/em&gt; (guardadíssimas as devidas proporções literárias, é claro, já que ainda estou sã): oferecem não a fantasia, mas a projeção. Não uma simples brincadeira, e sim uma alternativa. Uma edição revista e ampliada de nós mesmos. Todos sabemos, por exemplo, que é impossível jogar quadribol ou voar em hipogrifos, e convivemos com isso perfeitamente. Salvo em caso de psicose, temos anticorpos naturais contra aquilo que nunca poderíamos ser. Mas nada nos defende daquilo que &lt;em&gt;talvez&lt;/em&gt; pudéssemos ser. Nada nos defende do que pega a vida-nossa-de-cada-dia e a reproduz de maneira visceral, inebriante, hiperbólica. Em termos de amor, principalmente. Quem resiste ao desespero do pobre Werther ou dos amantes de Verona, essa urgência que aparentemente os isenta de qualquer outro laço, desejo, prioridade ou obrigação? essa fúria que lhes dá uma suposta carta branca para ignorar todos os raciocínios, um álibi para todos os impulsos, uma libertação de todas as escolhas? Infelizmente para nós, não queremos o amor propriamente dito: queremos um &lt;em&gt;greencard&lt;/em&gt;, um visto permanente para a loucura, uma desculpa para a inconsciência. Soa melhor ser “obrigada” a enfrentar um clã de vampiros do que ter de estudar para a prova de Geografia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ok, Edward Cullen é um vampiro, o que teoricamente também joga a saga crepuscular para o domínio do fantástico. Mas o fato de Edward não ser humano é um mero detalhe: sua “vida” é a nossa vida, seu quintal é o nosso quintal. As questões de Harry Potter se resolvem em sua própria esfera, sem quase qualquer contato com o mundo &lt;em&gt;trouxa&lt;/em&gt; – jedi moderno de uma galáxia muito distante. É um ícone sim, mas filosófico, como Hércules, Neo, Kal-El ou Luke Skywalker. Edward, porém, é um ícone de nosso mundo infinitamente particular, a remasterização do herói amoroso, o príncipe apaixonado que as mocinhas já teriam vergonha de sonhar na forma de um Montéquio, mas que desejam no corpo de um Cullen. Harry é a recriação de um mito; Edward é a atualização de um sonho. E é por isso que tenho fugido tanto de seus perigosos dentinhos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao mesmo tempo, assistir a &lt;em&gt;Lua nova&lt;/em&gt; no cinema traz a feliz constatação que o Fábio mencionou dois textos atrás: em um mundo acostumado a descrer de tudo, existe esperança em gerações suficientemente inocentes (no melhor sentido do termo) para suspirar pelo cavalheirismo à moda antiga, pela incondicionalidade do amor e até por – spoiler que provavelmente não spoilerá ninguém – um pedido de casamento. Para equilibrar a balança da autodestruição romântica, nada como sua nobreza mais encantadora – o que realmente me deixa, oitocentista tardia que sou, a um passo de ser &lt;em&gt;transformada&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-6539613401842098251?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=6539613401842098251&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6539613401842098251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6539613401842098251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/11/para-quem-acredita-em-vampiros.html' title='Para quem acredita em vampiros'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SxREjs_sxzI/AAAAAAAAAHg/x7J6I7T8aSE/s72-c/Crep%C3%BAsculo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-5831243230261534088</id><published>2009-11-27T10:56:00.009-02:00</published><updated>2009-11-28T09:25:00.930-02:00</updated><title type='text'>Start</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Sw_MvKpoWrI/AAAAAAAAAZ8/0n5fh5oWF84/s1600/Atari.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 222px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408766788180138674" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Sw_MvKpoWrI/AAAAAAAAAZ8/0n5fh5oWF84/s320/Atari.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;A notícia de que a Atari relançou seu website e, como estratégia para chamar a atenção do público, disponibilizou gratuitamente alguns de seus arcades mais clássicos, como &lt;em&gt;Asteroids&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Adventure&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Battlezone&lt;/em&gt;, mexeu com a minha memória afetiva – esta superfantástica amiga, capaz de guardar de tudo um pouco sem reclamar da poeira e do acúmulo de bugigangas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Verdade verdadeira, não me lembro desses jogos que a Atari resolveu ressuscitar depois de tantíssimos anos. Minha lembrança dos tempos em que a gente enchia a mão de calos tentando controlar o joystick começa com o &lt;em&gt;Pac-Man&lt;/em&gt;, conhecido também pelo carinhoso apelido de &lt;em&gt;Come-Come&lt;/em&gt;. Era difícil engolir todos os tracinhos da tela sem ser “consumido” pelos fantasminhas nada camaradas (ao som daquela trilha eletrônica que todo atariano há de se recordar).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro clássico das minhas férias (quando o tempo era inteirinho dedicado a bater recordes no mundo virtual) era o &lt;em&gt;River Raid&lt;/em&gt;, com um aviãozinho que tinha de detonar aeronaves e navios inimigos sem se esquecer, claro, de reabastecer nas faixas vermelhas e brancas com a inscrição “&lt;em&gt;fuel&lt;/em&gt;”. Até pontes eu derrubava! Com tiros hoje inofensivos, de pouquíssimos kilobytes...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu também não resistia às desventuras em série do &lt;em&gt;Pitfall&lt;/em&gt;, no qual um rapazito vestido todo de verde tinha de encarar os maiores desafios numa floresta barra-pesada: buracos, troncos de árvore desgovernados, lagoas infestadas de jacarés, escorpiões e outros bichos. Era preciso coragem e talento de Indiana Jones para sobreviver a tantos perigos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muitas saudades desse planeta de traços simples e aventuras infinitas chamado Atari. Talvez o charme que hoje enxergamos nele – um charme retrô – esteja justamente no fato de ser ele apenas um esboço da “realidade”, um rascunho “malfeito” – mas não menos divertido – de mundos possíveis e impossíveis, em que podíamos imaginar com mais liberdade, sem a interferência de zilhões de gigabytes...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ih, lá vem o fantasminha!... Game over.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-5831243230261534088?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=5831243230261534088&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5831243230261534088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5831243230261534088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/11/videogame.html' title='Start'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Sw_MvKpoWrI/AAAAAAAAAZ8/0n5fh5oWF84/s72-c/Atari.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-6048244694669000125</id><published>2009-11-21T10:48:00.032-02:00</published><updated>2009-11-26T21:56:52.625-02:00</updated><title type='text'>Para quem acredita em fantasmas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Swfh_PbW-YI/AAAAAAAAAZ0/yRQBwEOiBuQ/s1600/Conto+de+Natal.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 253px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406538354270861698" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Swfh_PbW-YI/AAAAAAAAAZ0/yRQBwEOiBuQ/s400/Conto+de+Natal.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Faz uns dias fui ao cinema assistir à enésima adaptação do clássico &lt;em&gt;Um conto de Natal&lt;/em&gt;, de Charles Dickens, desta vez com Robert Zemeckis na direção e Jim Carrey como o patinhas da vez, o “bom” e velho Ebenezer Scrooge. Gostei. Primeiro porque não tentaram reinventar a árvore de Natal. Embora tenham utilizado as técnicas mais avançadas de animação (inclusive 3-D), as inovações param por aí. O filme segue passo a passo as linhas deixadas pelo escritor inglês − sem medo de, num mundo tão material e cínico, parecer ingênuo ou mesmo bobo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E é aqui que mora a segunda razão, que ainda é um pouco da primeira, por que gostei de &lt;em&gt;Os fantasmas de Scrooge&lt;/em&gt; (dispensável novo título dado a essa “nova” versão de &lt;em&gt;A Christmas Carol&lt;/em&gt;): o espírito do original − com trocadilho, claro − foi mantido. Não se procurou relativizar ou suavizar as ideias moralistas de Dickens: estão lá o Scrooge antes dos fantasmas − avarento, mesquinho, cruel e que não suporta &lt;em&gt;jingle bells&lt;/em&gt;, nozes e avelãs − e o Scrooge depois dos fantasmas − inacreditavelmente arrependido de suas vilanias, magicamente tocado por sentimentos de bondade e generosidade. Um homem renascido de suas cinzas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas... e a digníssima plateia? Como reagiu diante de um final tão feliz, tão "convencional", tão “ingênuo”, tão “bobo”? Como um sujeito que esqueceu os bons valores (e hoje seria comparável a um ricaço apenas preocupado com os valores da bolsa de Nova Iorque) pode se transformar da noite para o dia; e mais, graças à visita de três fantasminhas “camaradas”? Lucros e dividendos à parte, o fato é que o público − na maioria crianças − comprou a ideia e aplaudiu com entusiasmo ao término da projeção. Ok, ok, isso pode parecer pouco, quase nada; mas, num mundo pós-&lt;em&gt;Shrek&lt;/em&gt;, acostumado a "rir" dos contos de fada e fantasma, já é muito. Acredite.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-6048244694669000125?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=6048244694669000125&amp;isPopup=true' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6048244694669000125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6048244694669000125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/11/para-quem-acredita-em-fantasmas.html' title='Para quem acredita em fantasmas'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Swfh_PbW-YI/AAAAAAAAAZ0/yRQBwEOiBuQ/s72-c/Conto+de+Natal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-5778766871495847009</id><published>2009-11-15T12:17:00.005-02:00</published><updated>2009-11-15T12:31:39.333-02:00</updated><title type='text'>Cilada</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-812b3fc3d1dc431c" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v22.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D812b3fc3d1dc431c%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D5ACFB6CC58C7BD96D82D2A396ABC6B19D546BEC1.273FA249D9483D565114B1893986C05D110BDDB0%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D812b3fc3d1dc431c%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DPAVQn12O2diQPKcKhoGohM-_g08&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v22.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D812b3fc3d1dc431c%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D5ACFB6CC58C7BD96D82D2A396ABC6B19D546BEC1.273FA249D9483D565114B1893986C05D110BDDB0%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D812b3fc3d1dc431c%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DPAVQn12O2diQPKcKhoGohM-_g08&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pobre amigo. Foi convidado para ser padrinho de casamento. Ok, o convite veio de uma amiga muito querida, e o leitor dirá que é uma honra (e é mesmo). Bom, isso até a página dois. O rapaz tinha acabado de comprar roupa nova, daquelas para casamento e festas afins. Só que a camisa escura e a calça cinza, suficientemente caras, vão continuar no armário. Porque, para o casório da amiga, o uniforme é terno preto. Que puxa!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas os gastos não param no provável aluguel do traje de gala. Tem o presente. O famigerado presente dos padrinhos. Uma geladeira duplex, um fogão de seis bocas, um LCD de 42 polegadas? Sorte dele, a noiva já mobiliou a casa e, portanto, não deve estar precisando de “utensílios” tão grandes. Ufa, ufíssima! De qualquer maneira, essa é uma conta que se divide com a madrinha, que, não por coincidência, é sua namorada – e está em apuros bem maiores. Por causa do vestido longo (que, de tão longo, merece um parágrafo só pra ele).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois é, o incrível caso do vestido longo. Onde encontrar um vestido longo para uma madrinha curta, digo, baixinha? Nessas lojinhas de aluguel que “decoram” nossos shoppings? Se a festa fosse à fantasia, ok, seria possível achar alguma coisa ali. Se fosse uma festa mais moderninha, informal, dessas em que os convidados recriam os zumbis de &lt;em&gt;Thriller&lt;/em&gt;, dançam para a câmera e, no dia seguinte, para os milhões de usuários do Youtube, quem sabe. Mas não é o caso nem a ocasião – e a cruzada pelo Santo Vestido Longo continua...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outra busca dificílima e longa, quase tão longa quanto o vestido da madrinha, é a canção que embalará a entrada dos padrinhos na cerimônia religiosa. Nesse quesito, a noiva&lt;em&gt; é&lt;/em&gt; moderninha – o que tem tirado o justo sono do meu amigo e da sua namorada. Que “homenagem amiga”, guardada a sete chaves, estará reservada para eles quando pisarem o tapete vermelho? “Amigos para sempre”, “Canção da América”?...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É, amigo, a situação é delicada, eu sei (e agora os meus leitores sabem também); por isso, vou acender umas velas, comprar umas rosas bem bonitas, botar uma roupinha melhor, chamar um coral de meia dúzia de amigos do peito, de fé, irmãos camaradas (a Julia Roberts e a Cameron Diaz não estavam disponíveis, infelizmente), e &lt;em&gt;say a little prayer for you&lt;/em&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-5778766871495847009?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=5778766871495847009&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5778766871495847009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5778766871495847009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/11/cilada.html' title='Cilada'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-3550152662935493287</id><published>2009-11-11T08:17:00.003-02:00</published><updated>2009-11-11T08:21:07.716-02:00</updated><title type='text'>Já dizia o profeta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SvqPdlYL48I/AAAAAAAAAHY/7Gq7MvpWFp0/s1600-h/gentileza.gif"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 238px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402788441396863938" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SvqPdlYL48I/AAAAAAAAAHY/7Gq7MvpWFp0/s320/gentileza.gif" /&gt;&lt;/a&gt;13 de novembro é o Dia Mundial da Gentileza. Se fosse cumprida à risca, pra valer mesmo, essa data substituiria uma cambada de outras comemorações. Claro que é fantástico ter uma penca de festividades ao longo do ano (adoro), mas seria ainda mais perfeito e civilizado não ter sequer a necessidade delas. Se o Dia da Gentileza fosse tão, mas tão sério que se estendesse pelos outros 364 dias (como é a proposta), qual o sentido de haver um quadradinho específico, na folhinha, para lembrar os filhos distraídos de ligar para suas mães – ou pais? Não haveria, afinal, qualquer mãe (ou pai) negligenciada(o) neste mundo, pois a gratidão é uma gentileza retrospectiva. Pra que um dia exclusivo de beijos e abraços namorados, se os casais abririam na agenda romances espontâneos, presentes &lt;em&gt;just because&lt;/em&gt;, surpresas diárias? O amor nada mais é, ora bolas, do que uma gentileza persistente, criativa e criadora. Qual o propósito de um dia único para as mulheres, se em cada um deles os homens seriam corteses como Lancelot (e, mais do que corteses, justos – porque a justiça é uma gentileza social)? Até aniversários ficariam praticamente obsoletos, já que gentileza é a própria celebração do outro; é um parabéns contínuo, um “bem-vindo” cotidiano, um “você merece!” constante. Mesmo que, de vez em quando, não se mereça tanto assim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ninguém ache que acredito em &lt;em&gt;pollyannices&lt;/em&gt;. Um mundo assim irretocável não brotaria, prontinho, entre uma dormida e uma acordada – cruzamento de uma epifania celeste com um “X” no calendário. Gentileza é músculo invisível do corpo: tem que exercitar. Sua ativação não é espontânea, como não é espontâneo o endurecimento do bíceps, tríceps ou coxas. Não é fruto de sentimento, e sim de decisão. Se fruto de sentimento fosse, estariam abonadas todas as grosserias feitas àqueles que não (ou que mal) conhecemos, que não amamos, de quem sequer gostamos. Estaria perdoada toda estupidez passional cometida nos dias em que sobra perrengue e falta estrogênio (ah, as meninas sabemos como é crucial essa falta). Nada; gentileza é filha de muita malhação, de disciplina similar à que se tem na academia. É agir que independe do sentir. Nosso adorável profeta dizia, corretissimamente, que gentileza gera gentileza. Pois a máxima não se aplica somente à reação alheia: quanto mais aquecemos o músculo da gentileza, tanto mais fácil também se torna, para nós, colocá-lo de novo em prática. Quanto menos o usamos, mais ele se atrofia e mais nos “ursamos”. Árduo, mas real: ser gentil é a única coisa que pode atenuar o esforço de ser gentil, assim como o costume com a carga mais baixa de um exercício físico é o que nos permite passar para a próxima.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se amor é uma gentileza persistente, gentileza é um amor proposital. A gratuidade de se transbordar e adivinhar o outro. Vai além, muito além de “bons-dias” e “com-licenças” mecânicos: exige a delicadeza de prever (por exemplo, posicionar-se na escada rolante de modo a não barrar o trânsito dos mais apressados; não demorar vinte minutos no caixa eletrônico) e a delicadeza de aceitar (não bufar ruidosamente, digamos, se a senhorinha à frente demorar vinte e seis minutos no caixa eletrônico). Difícil? ninguém disse que era moleza, sobretudo nos dias em que saímos de casa sedentos de voltar com algum escalpo, qualquer um. Mas não é preciso ser aquele que sai munido da tinta mais pollyannamente cor-de-rosa, se ela não lhe assenta: cada um colore o dia do seu jeito, cada um é gentil numa cor. Desde que se seja a mão que produz a beleza, e não aquela – como a que apagou as inscrições no Viaduto do Caju – que a atropela e destrói em nome de uma suposta “ordem” ou “eficiência”, pintando o dia inteiro de cinza. Um cinzinha nada básico. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-3550152662935493287?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=3550152662935493287&amp;isPopup=true' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3550152662935493287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3550152662935493287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/11/ja-dizia-o-profeta.html' title='Já dizia o profeta'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SvqPdlYL48I/AAAAAAAAAHY/7Gq7MvpWFp0/s72-c/gentileza.gif' height='72' width='72'/><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-5781498204055788156</id><published>2009-10-31T20:59:00.005-02:00</published><updated>2009-10-31T21:05:02.970-02:00</updated><title type='text'>Os outros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SuzBuIYg1MI/AAAAAAAAAHQ/A2cKKWaAiek/s1600-h/Distrito+9a.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 225px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398903051578823874" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SuzBuIYg1MI/AAAAAAAAAHQ/A2cKKWaAiek/s400/Distrito+9a.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Pode-se não gostar de um filme e achá-lo muito bom ao mesmo tempo. Isso foi o que concluí ao assistir a &lt;em&gt;Distrito 9&lt;/em&gt; (produção mais recente de Peter &lt;em&gt;Senhor dos anéis&lt;/em&gt; Jackson), por insistência do Fábio, que já namorava o longa há algumas semanas. Não é para estômagos de sangue quente, e por isso não posso dizer que achei propriamente uma delícia a experiência sensorial – embora no roteiro, nos efeitos, na inovação e na coragem a produção seja, sem dúvida, impecável. Seus primeiros trinta, quarenta minutos se aproveitam de nossa nobreza ao mostrarem uma “favela alienígena” no esplendor de seu asco: criaturas repulsivas, barracos nojentos, vacas mortas dependuradas servindo de “berçário” a ovos de ETs, imagens quase fétidas, o horror, o horror. Tudo isso seguido pelas reações físicas não menos desagradáveis que Wikus Van De Merwe (o protagonista “humano”) tem ao se contaminar com o fluido alienígena. A partir daí, vencidas as primeiras náuseas, o filme engrena bonito. Não que haja réstia de beleza nas cenas áridas e violentas, e sim na habilidade fantástica com que se misturam ação, perseguição, documentário, ficção científica, política, heroísmo e denúncia social, numa história que encarna um perfeito mestiço de &lt;em&gt;Cidade de Deus&lt;/em&gt; com &lt;em&gt;A bruxa de Blair&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;A mosca&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mestiçagem, por sinal, é a alma do filme. Não apenas seu formato representa a fusão de vários gêneros (tão bem tecida que não notamos o privilégio de um ou outro): seu conteúdo é um grito pela miscigenação dos pensamentos, dos quereres. Numa proposta subentendida, não há meio de compreendermos e respeitarmos o alheio sem, de certa forma, nos misturarmos a ele – emprestando um pouco de sua vida à nossa vida, de seus olhos aos nossos olhos. Propositalmente, &lt;em&gt;Distrito 9&lt;/em&gt; nos leva a detestar os ETs enquanto Wikus Van De Merwe é 100% terráqueo, e simpatizar com eles quando o protagonista começa a se tornar fisicamente igual aos “camarões” (nome pejorativo dado aos aliens) e a procurar abrigo no mesmo gueto que antes destruía. Wikus nunca é tão plenamente humano como quando seu DNA já é, em grande parte, alienígena, uma vez que a vivência do perseguido resgata nele a empatia que deveria nos definir por essência. Também de propósito, e em contraste com a situação de Wikus, estão representadas na história diversas maneiras (anti)“humanas” de ser em relação ao outro: a destruição do diferente por razões “científicas” (como nas antigas experiências nazistas), a exploração comercial, a devoração literal das qualidades alheias (encarnada pela gangue nigeriana liderada por Obesandjo, que pratica “alienfagia”). E, para reforçar a ideologia antipreconceito nem tão subliminar, o cenário escolhido para o estacionamento da nave-mãe dos ETs (e para a criação do Distrito 9) não é Nova Iorque, Washington ou qualquer outro &lt;em&gt;top ten&lt;/em&gt; de filme-catástrofe, e sim Johannesburgo, na África do Sul – terra que ainda manca pelas sequelas do &lt;em&gt;apartheid&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Distrito 9&lt;/em&gt; nos causa repulsa, sim; mas a aversão física que abre o longa se esvai, para dar lugar ao nojo social. De nós mesmos. De como o sentimento que nos leva a proteger nossa espécie pode nos transformar em uma outra – no mau sentido. De como a genética que nos distingue pode, facilmente, servir de pretexto à frieza que nos nega. De como jogamos fora, em nome daquilo que nos humaniza visualmente, aquilo que nos humaniza efetivamente – e que é tão essencial quanto (para lembrar a velha raposa do &lt;em&gt;Pequeno príncipe&lt;/em&gt;) invisível aos olhos. De como nós também podemos ser o inferno dos outros.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-5781498204055788156?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=5781498204055788156&amp;isPopup=true' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5781498204055788156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5781498204055788156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/10/os-outros.html' title='Os outros'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SuzBuIYg1MI/AAAAAAAAAHQ/A2cKKWaAiek/s72-c/Distrito+9a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-5139141249937595319</id><published>2009-10-25T13:03:00.021-02:00</published><updated>2009-10-25T13:26:22.574-02:00</updated><title type='text'>Tarantinamente calculado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SuRo-C-KCQI/AAAAAAAAAZU/nEqEXW4wYJI/s1600-h/Bastardos.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396553668655450370" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SuRo-C-KCQI/AAAAAAAAAZU/nEqEXW4wYJI/s320/Bastardos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;O típico close no pezinho de alguma mulher, o tema da vingança, a violência brutalmente desenhada e friamente executada, a femme-fatale vestida e maquiada para matar, os diálogos loooooooongos e afiadíssimos, como faca só lâmina, facas só lâmina, revólveres, armas, trabucos, tiros, a cena em que todos se matam, os do bem, os do mal, os coadjuvantes, os figurantes, o sangue, o vermelho, cabeças escalpeladas, a música grandiloquente, morriconeana, que transforma a vida e todo o resto num velho-oeste clássico-trash, as infinitas homenagens ao cinema e as piadinhas metalinguísticas (ambas nos gritando a todo o momento que estamos “apenas” diante da telona, na sala escura, com som surround nos ouvidos e um saco de pipoca amanteigada nas mãos), a história que se faz estória, sem medo nem pudor de envergar um era-uma-vez no início, sem nenhuma gota de constrangimento ao se lixar para os Fatos, para a Verdade (já empoeirada pelo tempo e por tantos outros filmes sobre a Segunda Guerra Mundial), com toda a coragem e umas pitadas de arrogância ao imaginar um caminho delirantemente alternativo, repleto de atalhos (in)críveis, em que judeus são tão cruéis e bárbaros quantos os nazistas, em que os personagens são feitos de papelão e negativo (substância altamente inflamável, aliás), em que Brad Pitt encarna um tenente de sotaque tão divertidamente canastrão quanto improvavelmente verossímil e Christoph Waltz vive um coronel da SS ao mesmo take gentleman e carrasco, um vilãozão até a última raiz do celuloide, capaz de beber leite fresquinho antes de eliminar sem dó nem piedade os “ratos” da casa...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo isso regado a muitíssima pretensão, a uma – saudável – falta de modéstia, a galões de ironia e cinismo, a doses perigosamente exageradas de estilo e &lt;em&gt;autor&lt;/em&gt;itarismo faz de &lt;em&gt;Bastardos inglórios&lt;/em&gt; um legítimo Quentin Tarantino, um filme que, no frigir dos strudels, vale o Hitler que manda pelos ares.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-5139141249937595319?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=5139141249937595319&amp;isPopup=true' title='29 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5139141249937595319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5139141249937595319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/10/tarantinamente-calculado.html' title='Tarantinamente calculado'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SuRo-C-KCQI/AAAAAAAAAZU/nEqEXW4wYJI/s72-c/Bastardos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>29</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-5395070987052063760</id><published>2009-10-18T12:02:00.008-02:00</published><updated>2009-10-22T19:42:37.551-02:00</updated><title type='text'>Páginas da vida</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/StshcXcbDcI/AAAAAAAAAZE/y55rqeuusjg/s1600-h/Viver+a+vida.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 192px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5393941749919583682" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/StshcXcbDcI/AAAAAAAAAZE/y55rqeuusjg/s320/Viver+a+vida.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/StsgQ-EbLRI/AAAAAAAAAY8/W5-wafxuq-w/s1600-h/Viver+a+vida.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A novíssima Helena de Manoel Carlos tem me irritado um bocado. É boa filha, boa irmã, boa esposa, boa amiga, modelo de perfeição e profissão (é a top top das passarelas do Brasil e do mundo). Ou seja, Helena não é deste planeta. É do Leblon. E um pouco de Búzios também, aquela praia da Brigitte Bardot. Talvez a única “fraqueza” da moça até aqui, se é que isso é uma fraqueza, tenha sido cair na conversa do José Mayer, “maldição” por que quase todas as Helenas têm de passar...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda bem que, no mundo maravilhoso de Maneco, para cada Helena existe uma Tereza – cheia de humanidade, com qualidades e defeitos, perfeita na sua imperfeição, irresistivelmente de carne, osso e elegância. A tiracolo, a filha Luciana, com jeito de boneca mimada, mas olhos que guardam uma insegurança de quem tateia a vida, de quem é menina demais, de quem sonha com Paris, Nova Iorque, Milão sem dar conta de sua “pequena” avenida Delfim Moreira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pequena no tamanho, grande na esperteza é a estrelinha Rafaela, que manipula a mãe (Dora) e quem mais estiver à sua volta. Que ministérios públicos, varas de infância e juízes – preocupadíssimos com o desenvolvimento de nossas crianças de folhetim – não atrapalhem a trajetória de uma personagem que tem tudo para aquecer as águas ainda mornas das praias de &lt;em&gt;Viver a vida&lt;/em&gt;. (Pois é: o Ministério Público do Trabalho daqui do Rio, que não deve ter mais o que fazer, notificou Maneco por conta do papel da atriz Klara Castanho, de oito anos. A “recomendação” solicita que o autor tome cuidado com o tipo de personagem designado a atores com menos de 18 anos...).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltando à turma com mais de 18, vale aqui outra notificação (última, prometo): aos gêmeos Jorge e Miguel, capazes de nos fazer crer na existência de dois Mateus Solanos. O rapaz (ou rapazes, vai saber), que já tinha ofuscado até os olhos de Maysa, agora brilha na pele de um arquiteto sério, sisudo, cabelo penteado e de um médico de bem com a vida, com o cabelo despenteado e com a namorada do irmão... Ah, só mais uma “recomendação” pro nosso Maneco: manda logo o Jorge pro Canadá! Com passagem só de ida, claro...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-5395070987052063760?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=5395070987052063760&amp;isPopup=true' title='36 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5395070987052063760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5395070987052063760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/10/paginas-da-vida.html' title='Páginas da vida'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/StshcXcbDcI/AAAAAAAAAZE/y55rqeuusjg/s72-c/Viver+a+vida.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>36</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-7116106834281084116</id><published>2009-10-12T11:50:00.004-03:00</published><updated>2009-10-12T11:54:13.554-03:00</updated><title type='text'>Reinações do narizinho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/StNCcfkOsFI/AAAAAAAAAHA/0tm0Z5gOcxc/s1600-h/Reina%C3%A7%C3%B5es2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 269px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391726236169842770" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/StNCcfkOsFI/AAAAAAAAAHA/0tm0Z5gOcxc/s320/Reina%C3%A7%C3%B5es2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Dizem por aí, poética e cientificamente, que o olfato é o sentido mais ligado à memória. Acredito. Se cruzo na rua com algum perfume que já andou frequentando minha vida, é um embarque imediato para as mesmas sensações da época em questão. A lembrança vem inteirinha na boca (como aquelas frases que a gente prepara na cabeça, mas não diz: ficam penduradas na língua). Tem melhor gatilho para um pensamento antigo do que um perfume? Pois hoje, Dia das Crianças, é dia de pensamentos antigos. Não “antigos” de obsoletos e embolorados, pelo contrário: “antigos” de misteriosamente mágicos, como livros que narram nossa própria mitologia. Nossa história particular não está nos álbuns de fotos que guardamos na gaveta, palpáveis e visíveis. Está no álbum de pensamentos que montamos a vida inteira, tão imaterial e flutuante quanto os cheiros queridos que nos ajudam a folheá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu álbum de infância, por exemplo, tem o cheiro das provas e trabalhos de escola rodados no mimeógrafo, cheiro forte do álcool, da tinta roxinha. Minha infância tem cheiro de bolo assando na cozinha de Vó (portas fechadas, talvez para eu não o atacar antes da hora). Dos buquês de jasmim jasminando no quintal (boêmios, durante a noite). Do azeite e da cerveja de Pai almoçando em casa. Da acetona de minha irmã fazendo a unha. Do Acqua Fresca que ela usava. Do Poison (po-a-zom, à moda francesa) que Mãe e Vó usavam. De sereno – entidade misteriosa até hoje. Dos cavalinhos da praça aonde Mãe me levava todo domingo. Do plástico adocicado das bonecas. Da alfazema que se espalhava no apartamento da primeira professora de teclado. Do ar molhado pelo umidificador de ambiente. Do ar mofado do hotel onde nos hospedávamos em São Paulo. Das aulas de arte da quinta série, coloridas de tinta. Das aulas de natação sei lá de que ano, ardidas de cloro. Do xampu Johnson &amp;amp; Johnson, que “não ardia” na vista. Dos livros de Monteiro Lobato que tinham sido de Mãe. Dos livros de Monteiro Lobato novinhos da loja. Das capas dos elepês. Do Colubiazol, remédio de garganta cor de ferrugem que sujava TUDO num raio de cinco quilômetros. De bacalhau sendo preparado e empesteando a casa, para meu desespero. De geleia de mocotó Inbasa, sonho de doce de leite e pirulito de morango. Das revistinhas que Mãe comprava às dúzias no jornaleiro. Das broinhas no lanche da tarde, enquanto passava &lt;em&gt;ZY Bem Bom&lt;/em&gt; na Bandeirantes. Das minhas tias-avós. De chuva, de terra, de uma na outra. De tantas pequenices. De tantos etcéteras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que cada narizito deste mundo terá seu próprio repertório de etcéteras e pequenices, mas todos, nos feudos de memória, reinam. Reinam no sentido lobatiano da travessura (quantas vezes terão se metido onde não eram chamados, como o meu – guloso do bolo – na cozinha de Vó?) e no sentido monárquico do comando. Sim, o gosto de cada guloseima antiga também é importante – mas aí é só o mesmo olfato trabalhando em outro escritório. Tanto os aromas dominam as lembranças e a elas se confundem que ouso duvidar até de Shakespeare, quando, pela boca de Julieta, dá a entender que a rosa teria o mesmo perfume se fosse batizada com outro nome. Qual nada. A rosa não tem o mesmo perfume nem sendo rosa. Para cada um ela será diferente; cada um a registrará diferente em seu catálogo de vida. Ser, não ser, é tudo uma questão de qual narizinho está no comando do olho curioso, do ouvido xereta. É só com seu aval de rei que uma lembrança pode ser embrulhada sempre num sorriso feliz.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-7116106834281084116?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=7116106834281084116&amp;isPopup=true' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/7116106834281084116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/7116106834281084116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/10/reinacoes-do-narizinho.html' title='Reinações do narizinho'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/StNCcfkOsFI/AAAAAAAAAHA/0tm0Z5gOcxc/s72-c/Reina%C3%A7%C3%B5es2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-3299211524547099477</id><published>2009-10-06T11:15:00.004-03:00</published><updated>2009-10-06T11:28:01.932-03:00</updated><title type='text'>Há algo de bom no reino da Dinamarca</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SstRpArxLhI/AAAAAAAAAYs/w9Ms44iLGXA/s1600-h/Rio+2016.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389491144078994962" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SstRpArxLhI/AAAAAAAAAYs/w9Ms44iLGXA/s320/Rio+2016.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Há algo de bom em saber que a cidade onde vivo vai receber as Olimpíadas, em escutar aquele gringo ler gringamente “Rio de Janeiro”, em explodir de alegria com meu pai e minha mãe como se fosse gol do Vasco em final de campeonato, em esquecer por um instante as mazelas tipicamente brasileiras e cariocas para sorrir com o choro do presidente, a emoção do governador e a vibração do prefeito, em sentir o orgulho verde e amarelo de um povo castigado por poucas e boas, muitas e más, que mal sabe onde ficam Chicago, Madri ou Tóquio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há algo de bom nisso tudo, como há algo de muito melhor em ter a esperança de ver as águas despoluídas, os morros mais verdes, a cidade mais limpa, o metrô, o trem, o ônibus chegando aos quatro cantos, os quatro cantos menos desiguais, mais próximos, sem facções, comandos, milícias, apenas com gente, gente boa e da paz, da Zona Norte, da Zona Sul, do Oiapoque, do Chuí, do mundo inteiro, os mundos misturados, trocando “aquele abraço” que só o carioca sabe dar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há algo de bom – e imprescindível – em fazer parte de uma sociedade a partir de agora mais atenta, bisbilhoteira e fiscalizadora. Salve, salve, começa hoje o Big Brother Rio 2016! Porque não queremos ver tanta esperança genuinamente verde ser desmatada por certos &lt;em&gt;in&lt;/em&gt;oportunistas, aqueles tantos que já conhecemos de outros carnavais – e olha que, de carnaval, nós entendemos... Não podemos deixar que transformem (mais) uma oportunidade de ouro, ouro olímpico!, num maracanazzo de chances desperdiçadas. Não vamos deixar que nossos sonhos, e tudo que há de bom neles, se tornem uma realidade superfaturada de pesadelos em 2017, 2018, 2019...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se houve – e houve, eu quero acreditar – algo de bom no último 2 de outubro, na distante e tão inesperadamente próxima Copenhague, tem de haver algo de ainda melhor no Rio, em 2016. E, por extensão, em todo o Brasil. Só assim nossa esperança terá sido saudável. Só assim os céticos e pessimistas de plantão vão dizer (felizes, eu espero) que estavam errados. Só assim vou ter certeza de que não fui bobo ou ingênuo ao reescrever a famosa frase de Hamlet, que, sei lá por que motivo, serviu de inspiração para este texto: “Há algo de podre no reino da Dinamarca”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-3299211524547099477?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=3299211524547099477&amp;isPopup=true' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3299211524547099477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3299211524547099477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/10/ha-algo-de-bom-no-reino-da-dinamarca.html' title='Há algo de bom no reino da Dinamarca'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SstRpArxLhI/AAAAAAAAAYs/w9Ms44iLGXA/s72-c/Rio+2016.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-7864655098643778887</id><published>2009-09-30T20:56:00.006-03:00</published><updated>2009-10-08T20:41:31.966-03:00</updated><title type='text'>Tela quente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SsPwTWEYtfI/AAAAAAAAAG4/unDu88H4bsY/s1600-h/Festival+do+Rio+2009.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 187px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5387413794397402610" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SsPwTWEYtfI/AAAAAAAAAG4/unDu88H4bsY/s400/Festival+do+Rio+2009.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Já faz quase uma década que espero esse finzito de setembro, início de outubro com um gostinho de pipoca estalando na boca, expectativa feliz nos olhos, ansiedade curiosa: época de Festival do Rio, um dos maiores bufês cinematográficos do mundo. Tremendo self-service pra cinéfilo guloso algum botar defeito, com mais de 300 títulos na bandeja – uns fresquinhos, outros requentadinhos –, 60 nacionalidades diferentes, 2 mil e tantas sessões dando a maior sopa durante 15 dias. A glória. E olha que nem sou dos frequentadores mais desesperados, daqueles que pedem divórcio, demissão e empréstimo ao FMI para passar o rodo em todas as sessões diárias e terminar o mês na Juliano Moreira, balbuciando diálogos desconexos em norueguês e iídiche. Sou light: se conseguir ao todo uns cinco, seis filmes já me dou por medalhista olímpica. E mesmo nesse esquema tão humilde, lá estou eu – ano após ano – examinando a tabela da programação com olhos de estrategista, cruzando horários e escarafunchando sinopses, até garantir um ingressinho para chamar de meu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro que nem tudo são flores. Como diria Bruno Mazzeo, Festival do Rio também pode ser a maior cilada. Numa das edições, por exemplo, a legenda eletrônica resolveu tirar férias no meio do filme e deixou o público na saudade (e na ignorância). Vira, mexe, interrompe a sessão dali, tenta consertar daqui, não teve jeito: nada de a bichinha sair da greve. Alguns espectadores desistiram, mas eu e Fábio, profissionais, encaramos o negócio até o fim. Encaramos porque era em inglês, óbvio (e, como típico espécime de Festival, não tinha assim tantas falas); se fosse obra de um Kurosawa da vida, ou de qualquer outro indivíduo não muito americano, danou-se. Mas também tem aqueles longas cuja legenda poderia evaporar no meio da ação e não faria a menor diferença: você iria apenas continuar, tranquilamente, não entendendo porcaria nenhuma. Coisa de três edições atrás, pegamos um filme israelense desse tipo. Não por ser israelense, é certo, mas por ser uma das maiores mixórdias possíveis em termos de enredo – que, ainda por cima, era o oposto do que a sinopse jurava ser. Estamos discutindo a relação com o filme até hoje. E não é preciso ir muito longe: no sábado passado, decidi investir animadamente numa história que prometia – &lt;em&gt;A casa Nucingen&lt;/em&gt;. Aparentemente, um tradicional conto de mansão mal-assombrada. Mas assombrados ficamos nós – os pobres pagantes – diante de tamanha ruindade. Personagens incompreensíveis, roteiro capenga, diálogos esdrúxulos, fantasmas bisonhos e metade da plateia abandonando a sala, perplexa, no meio da sessão. Fiquei lá, impávido colosso, esperando surgir algum sentido (sou brasileira e não desisto nunca). Mas, se querem saber, ele ainda não chegou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar de todos os efeitos colaterais envolvidos, nunca deixa de ser uma delícia garimpar preciosidades no escuro, no chutômetro; felizmente, em sua maioria, as escolhas não são (completamente) furadas. Mais de uma vez, uma ou outra dessas pérolas acabou entrando no meu &lt;em&gt;top ten&lt;/em&gt; anual. E mesmo quando o aproveitamento está longe dos 100%, vamos combinar: em que outra época do ano temos a honra de ver, reunidos, títulos como &lt;em&gt;Porco cego quer voar&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Matadores de vampiras lésbicas&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Sexo, quiabo e manteiga com sal&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Os famosos e os duendes da morte&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Bom dia, meu nome é Sheila ou como trabalhar em telemarketing e ganhar um vale-coxinha&lt;/em&gt;? Em que outro momento histórico lemos sinopses que incluem, na mesma trama, personagens como Caubói, Índio e Cavalo, churrasqueira, tijolos, casa soterrada, professora de piano e bizarras criaturas marinhas? (pode acreditar: essa tosqueira existe e atende pelo nome de &lt;em&gt;A town called Panic&lt;/em&gt;). Não tem pra ninguém: o Festival (para nossa sorte e saúde) é conjunção astral única, de relaxar e gozar em todas as possibilidades. Agora lá vou eu com minha tabela; te vejo na próxima sessão. Boa sorte e boas pipocas!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-7864655098643778887?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=7864655098643778887&amp;isPopup=true' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/7864655098643778887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/7864655098643778887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/09/tela-quente.html' title='Tela quente'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SsPwTWEYtfI/AAAAAAAAAG4/unDu88H4bsY/s72-c/Festival+do+Rio+2009.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-1314757850131774752</id><published>2009-09-29T08:18:00.009-03:00</published><updated>2009-09-29T08:27:30.566-03:00</updated><title type='text'>Capítulo de negativas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SsHtUYQLDBI/AAAAAAAAAGw/9h4IE5KWO7s/s1600-h/N%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 217px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386847563675274258" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SsHtUYQLDBI/AAAAAAAAAGw/9h4IE5KWO7s/s320/N%C3%A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Em (mais) um de seus deliciosos textos (“A melhor coisa que não me aconteceu”, publicado na Revista d&lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt; no último dia 6 de setembro), Martha Medeiros refletia sobre os não-fatos que desembocam em resultados felizes na vida, aqueles “acontecimentos” que nunca chegam a acontecer e, por sorte, dão lugar a mais bem-sucedidos desvios. Nadíssima a ver com a coleção sarcástica de “nãos” do último capítulo de um &lt;em&gt;Memórias póstumas de Brás Cubas&lt;/em&gt;. Nem com “a vida inteira que poderia ter sido e que não foi” de um Manuel Bandeira. Estes, os “nãos” de Martha, são “nãos” positivos, férteis de alternativas, grávidos de caminhos melhores, de respostas mais certas nessa múltipla escolha que nasce e morre conosco. Não transportam culpas, não contêm ressentimentos. São “nãos” comemorativos dos “sins” que deles decorreram.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também tenho meu capítulo de boas negativas. Quando no início do antigo ginásio, por exemplo, eu &lt;em&gt;não&lt;/em&gt; fui para o Colégio Militar (hipótese cogitada em casa). Nada contra o Colégio Militar – hoje em dia; na época, porém, o que mais depunha contra a instituição era não se tratar do meu próprio colégio, aquele em que eu estudara desde os minúsculos quatro anos. E, felizmente, aquele em que acabei estudando até os dezessete, sem interrupções ou separações. Nunca copiei matéria de nenhum quadro-negro que não fosse o de minha escola original, e a chegada à faculdade alinhavou o ciclo desse crédito (reciprocamente) depositado e desse laço nunca partido. Treze anos sem os sustos dos recomeços, sem os terrores das mudanças para somar toneladas às obrigações.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por falar em obrigações, abençoados os empregos de 40 horas que &lt;em&gt;não&lt;/em&gt; cheguei a ter. Remunerações e vantagens interessantes, é verdade. Mas estaria eu realmente mais satisfeita se oito horas me atassem diariamente ao trabalho? Apesar de toda a amofinação com os alunos, compensaria trocar a fluidez do horário de professora pelo cartão de ponto dos gabinetes? os momentos de vida, fôlego, respiração possível, no meio da semana, pela espera exclusiva do sábado e do domingo? o celular permanentemente desligado pela apreensão da cobrança fora de expediente? Nada: não lamento os reais que não pousaram na conta, sabendo que me deixaram pequenas asinhas de compensação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o mais maravilhoso de todos os “nãos” ocorreu na época do vestibular – o primeiro. O primeiro porque, mesmo antes de terminar o ensino médio, fiz uma prova de ensaio, para no ano seguinte (o “oficial”) já estar à vontade no ambiente. Porque cheguei relaxada e despreocupada, acabei passando no vestibular de mentirinha. Tentar ou não a matrícula na faculdade, diante da súbita aprovação? Tentei, claro. Levei todos os demais documentos, arrisquei pedir que o certificado do segundo grau ficasse pendente por alguns meses, o tempo de um supletivo. A faculdade, porém, não abriu mão – e a entrada nesse momento foi a melhor coisa que não me aconteceu. Pude terminar aquela fase da vida junto com toda a minha turma de escola, tive festa à fantasia no meio do ano, festa de formatura no final, pacote completo. Como deveria ser. Mas isso (mal sabia eu) ainda não era o morango do sundae. Se eu tivesse virado universitária um ano antes do previsto, não teria tido a mais especial das turmas de faculdade e – principalmente – talvez não tivesse conhecido e namorado aquele que é meu companheiro no tudão da vida (inclusive aqui no blog). O “sim” mais proparoxítono e substantivo de todos. Em matéria de múltipla escolha, tenho certeza de que gabaritei.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-1314757850131774752?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=1314757850131774752&amp;isPopup=true' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1314757850131774752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1314757850131774752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/09/capitulo-de-negativas.html' title='Capítulo de negativas'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SsHtUYQLDBI/AAAAAAAAAGw/9h4IE5KWO7s/s72-c/N%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-3572468656892807752</id><published>2009-09-19T19:45:00.002-03:00</published><updated>2009-09-19T19:47:54.812-03:00</updated><title type='text'>Pais e filhos e filmes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/So_YohDVjXI/AAAAAAAAAX0/5EEK8557fak/s1600-h/O+clube+do+filme.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 134px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372751071055023474" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/So_YohDVjXI/AAAAAAAAAX0/5EEK8557fak/s200/O+clube+do+filme.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Um pai na meia-idade, apaixonado por cinema e pelos Beatles, decide mostrar ao filho de 15 anos &lt;em&gt;Os reis do iê, iê, iê&lt;/em&gt;, imaginando que ele adoraria a banda, as canções, o filme. Que nada. Jesse acha tudo horrível e ainda diz que John Lennon era o pior de todos. Inconformado, David revira seus CDs até encontrar "It's only love", do álbum &lt;em&gt;Rubber soul&lt;/em&gt;, e põe a música para tocar, na esperança de que o filho ouça o que ele ouve. "Eles têm boa voz", Jesse reconhece. Boa voz?&lt;em&gt; &lt;/em&gt;"Mas o que você &lt;em&gt;sentiu&lt;/em&gt; ouvindo a música?", David pergunta. "Honestamente? Nada. Sinto muito", responde, colocando a mão sobre o ombro do pai, como se o consolasse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É com sequências como essa, aparentemente banais, que David Gilmour reconstrói um pouco da história real entre ele e seu filho e escreve o – por que não – romance &lt;em&gt;O clube do filme&lt;/em&gt;. Diante do total desinteresse de Jesse pela escola, David (sem trabalho fixo, com dinheiro curto e tempo livre) faz ao rapaz uma proposta fora do comum e, por isso mesmo, arriscada: o menino poderia deixar os estudos, desde que assistisse semanalmente a três filmes escolhidos por ele, o pai. Negócio fechado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entremeando as desventuras de pai e filho que amadurecem juntos e comentários sobre filmes diversos – que vão do impagavelmente hilário &lt;em&gt;Quanto mais quente melhor&lt;/em&gt;, de Billy Wilder, ao inacreditavelmente afetado &lt;em&gt;Showgirls&lt;/em&gt;, de Paul Verhoeven, passando por &lt;em&gt;Encurralado&lt;/em&gt;, discreta mas preciosa estreia de um jovem cineasta chamado Steven Spielberg –, Gilmour conta sua história com a simplicidade de quem prepara uma bacia de pipoca antes da &lt;em&gt;Sessão da tarde&lt;/em&gt;. Traz à cena bastidores de sua própria trajetória e do cinema, como o fato de o diretor Clint Eastwood jamais dizer "ação!", mas um elegante "Quando estiverem prontos".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sem lançar mão de caríssimos efeitos especiais ou estilísticos, marca registrada da literatura dita pós-moderna (ou será contemporânea, ou pós-contemporânea, ou pós-pós-contemporânea?), &lt;em&gt;O clube do filme&lt;/em&gt; não só exibe o bom e velho roteiro com começo, meio e fim, como cativa o leitor com um zoom irresistivelmente agridoce nas chamadas pequenas coisas da vida. Vale o ingresso, digo, a leitura!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-3572468656892807752?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=3572468656892807752&amp;isPopup=true' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3572468656892807752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3572468656892807752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/09/pais-e-filhos-e-filmes.html' title='Pais e filhos e filmes'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/So_YohDVjXI/AAAAAAAAAX0/5EEK8557fak/s72-c/O+clube+do+filme.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-6834941911174024105</id><published>2009-09-13T17:41:00.004-03:00</published><updated>2009-09-13T17:50:19.593-03:00</updated><title type='text'>Era uma casa de todas as cores</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Sq1ZdK5i2II/AAAAAAAAAYI/13vuF0Y5F6Q/s1600-h/Casa+Cor.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 293px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381055487454402690" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Sq1ZdK5i2II/AAAAAAAAAYI/13vuF0Y5F6Q/s320/Casa+Cor.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Eu poderia até mentir, dizer que fui arrastado pela Fernanda, que paguei o ingresso de 30 reais a contragosto. Mas não. Fui ao Casa Cor Rio de Janeiro (a minha quinta edição) porque tenho a mania de gostar de coisas bonitas e sofisticadas, fazer o quê. Pra quem não sabe – e, portanto, está completamente &lt;em&gt;out&lt;/em&gt; –, o Casa Cor é um evento de arquitetura, decoração, design, paisagismo... que exala o requinte próprio dos personagens leblonianos do Manoel Carlos, daqueles que sabem &lt;em&gt;viver a vida&lt;/em&gt;... Mas deixemos pra lá meu momento de esnobice e vamos ao que interessa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adorei a sala de cinema, com seus pôsteres enchendo as paredes de referências pop, o Woody e a Jesse numa prateleira, o Snoopy e o Woodstock noutra, a máquina de fazer pipoca, as poltronas que trepidavam, sacudiam, pulavam no ritmo do sistema de som – e que som!, digno das bombas de Michael Bay (embora o filme exibido na telona que jamais caberia na minha sala fosse o mais recente &lt;em&gt;Superman&lt;/em&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O jardinzinho em homenagem a Burle Marx também tinha seu charme, ainda mais com um papel de parede como aquele: a vista para a pista do Jockey Club, o Corcovado, o céu azul de fazer inveja a qualquer Taiti de fotografia. O cheirinho cítrico da lavanderia, os boxes com chuveiros generosos, os sofás ainda mais generosos (à la coração de mãe), o relógio desenhado na parede da cozinha ou luminosamente projetado no teto da sala, o spa cromoterápico, até o Mini Cooper estacionado na área externa – tudo translumbrante, diria a aprendiz de socialite Kika Jordão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O maior senão: uma sala enorme (cheia de fotos da Christiane Torloni), que de &lt;em&gt;living&lt;/em&gt; não tinha nada; com mobília quase vampiresca de tão gótica, adereços flertando com aquele “rosa do mal” (&lt;em&gt;I mean&lt;/em&gt;, praticamente vinho) e à meia-luz, o cenário estava mais para um &lt;em&gt;dying&lt;/em&gt;, como sacou oportunamente a Fernanda. O autodenominado &lt;em&gt;estúdio sustentável&lt;/em&gt; também tinha um senãozinho dos bons: uma escada vertical e vertiginosa, que economizava madeira nos degraus, cada um com espaço para um pé de cada vez. Esquerdo, direito, esquerdo, direito. Subir, a gente subia de frente, com certa facilidade. Descer, só de costas e quase sem ver os degraus. Valeu a “experiência” – pelo menos, ecologicamente correta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfim, depois de passar pelos cinquenta ambientes da mostra, subir e descer outras tantas escadas, minha viagem anual pelo mundo maravilhoso do bom gosto (e do mau gosto caríssimo, dependendo do ponto de vista) acabou num ponto de ônibus simplesinho, dois reais e oitenta centavos no bolso e a-vida-como-ela-é: a volta pra casa, a minha, na Rua dos Bobos, número zero. Casa Cor de novo – e todo aquele ambiente sofistiquê –, só em 2010... O consolo? Amanhã começa a nova novela do Maneco...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-6834941911174024105?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=6834941911174024105&amp;isPopup=true' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6834941911174024105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6834941911174024105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/09/era-uma-casa-de-todas-as-cores.html' title='Era uma casa de todas as cores'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Sq1ZdK5i2II/AAAAAAAAAYI/13vuF0Y5F6Q/s72-c/Casa+Cor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-1771607680444317388</id><published>2009-09-06T11:01:00.003-03:00</published><updated>2009-09-06T11:05:47.350-03:00</updated><title type='text'>O grande ditador</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SqPBBxLwswI/AAAAAAAAAGo/W8tNRb0RCIA/s1600-h/A+onda2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 216px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5378354616137200386" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SqPBBxLwswI/AAAAAAAAAGo/W8tNRb0RCIA/s320/A+onda2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Todo mundo já ouviu aquela história: atire-se um sapo numa panela de água fervente e ele salta dali, desesperado; deixe-se o bichinho mergulhado em água prazerosamente morna, porém, e entorpecido ele se permite cozinhar aos poucos, até a morte. Metáfora velha e boa. Se confrontados subitamente com a hipótese de repetição de uma ditadura nazista, reagimos com horror ofendido, como se nos tivessem xingado um parente. É – com a maior justiça do mundo – um tabu social, bicho-papão histórico. As lembranças, fotos, imagens tristíssimas queimam e repugnam de imediato. Mas quem poderia realmente dizer, com a primeira pedra já a postos na mão, qual seria sua (re)ação ao ser cozinhado, em banho-maria, num contexto de carência de ídolos e ideais? no meio de uma juventude necessitada de entusiasmo? num momento de crise nacional e mundial? e em especial, para jogar a última cebolinha no caldeirão, numa fase de surgimento de promessas inflamadas, líderes sedutores? Pouquinhos (sejamos francos) passariam no teste de imersão total. Foi o que puderam constatar, por inexperiência própria, os alunos de Rainer Wenger, protagonista de &lt;em&gt;A onda&lt;/em&gt; – um dos mais educativos filmes já feitos sobre o nazismo, embora não exiba uma suástica sequer e se passe nos dias atuais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não está ali, no projeto escolar conduzido por Wenger, o bigode raivoso de Hitler cuspindo perdigotos – e sim a simpatia de um professor garotão, camarada dos alunos. Não está ali &lt;em&gt;aquele&lt;/em&gt; símbolo que aprendemos historicamente a odiar – e sim um outro, grafitado e moderno. Não estão ali os uniformes enjoadamente militares da juventude hitlerista – e sim prosaicas blusas brancas e calças jeans. Não estão ali os detestáveis campos de concentração – e sim o alijamento de todos os que não usam as tais blusas. Não está ali a reprodução literal do movimento nazista, em cada um de seus entretantos; mas está, sem dúvida, a reprodução de sua alma, em (quase) todos os seus primeiramentes e finalmentes. Para fazer o mesmo prato indigesto, não são necessários ingredientes da mesma marca: similares, desde que ruins, desandam igualmente a receita. É juntar a falta de perspectivas de um, o vazio familiar de outro, o tédio &lt;em&gt;vivendi&lt;/em&gt; de um terceiro, o desajuste social de um quarto, as tendências violentas de um quinto, a natureza extremista de um sexto, o ego inflado de um sétimo, a raiva deste, o servilismo daquele – e essa massa, podre de origem, acaba de azedar até o que era inicialmente puro e nobre (em alguém), como a saudade das ideologias, a nostalgia da união, o respeito à disciplina, as boas intenções. Não é de boas intenções que o inferno está cheio: é do fato de se achar que os maus atos também são capazes de protegê-las.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;A onda&lt;/em&gt; vai na ferida. Mostra, com eficácia e simplicidade, que não é possível estarmos verdadeiramente vacinados contra a ditadura enquanto não reconhecermos o que, no fundo, achamos que ela tem de bom – exatamente para poder olhá-la nos olhos e dizer que isso não basta. Não é a água fervente do nazismo, ou de qualquer outro regime nojento, que nos ameaça. O que nos ameaça não é o ditador externo que seduz, controla, proíbe. O que nos ameaça é o nosso grande (imenso!) ditador interno, pronto para se deixar lentamente seduzir, controlar, proibir. Aquele tiraninho que mora, secreto, em cada um dos nossos desejos de imitar o Capitão Nascimento (ou ter alguém que o imite por nós), de explodir o país para começar de novo, de deletar pessoas em vez de corrigir atitudes, de matar opiniões em vez de sugerir consensos. Este fulano – nosso maior inimigo – não é o que nos agride, mas o que nos convence de que temos o direito de agredir e, eventualmente, o dever de ser agredidos. Os piores ditadores do planeta não são aqueles saudados com a mão estendida. São aqueles que os escutam e (ainda que lá no fundozinho) ficam com vontade de apertar-lhes a mão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-1771607680444317388?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=1771607680444317388&amp;isPopup=true' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1771607680444317388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1771607680444317388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/09/o-grande-ditador.html' title='O grande ditador'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SqPBBxLwswI/AAAAAAAAAGo/W8tNRb0RCIA/s72-c/A+onda2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-5737217358256857030</id><published>2009-08-31T08:55:00.005-03:00</published><updated>2009-08-31T09:03:06.029-03:00</updated><title type='text'>Don’t worry, be happy</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/Spu67rhrWeI/AAAAAAAAAGg/g4x6MBaaMBY/s1600-h/Smile.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376096114655844834" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/Spu67rhrWeI/AAAAAAAAAGg/g4x6MBaaMBY/s320/Smile.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Quem costuma frequentar (como eu) aqueles sites estrangeiros de cartões virtuais já deve ter percebido que existe dia para tudo. Tudo mesmo. As maiores esdruxulices: Dia do Banho de Espuma (8 de janeiro), Dia de Aprender a Ler Mapa Rodoviário (4 de abril), Dia de Abraçar Seu Gato (30 de maio), Dia de Trazer o Ursinho de Pelúcia para o Trabalho (8 de outubro), Dia do Hobbit (22 de setembro), Dia da Camisa Branca (11 de fevereiro), Dia do Algodão-Doce (7 de dezembro), Dia do Brinquedo Estúpido (16 de dezembro)... por aí vai, numa criatividade malucamente infinita. Mas, no meio de tanta bobice, existem pérolas do calendário. Sem querer, outro dia garimpei uma delas. O site me informou, muito educadamente, que 8 de agosto era o Admit You’re Happy Day – em bom português, Dia de Admitir Que Você É Feliz. Sim, é verdade que a data já caducou há algumas semanas, que hoje é o último diazito de agosto, coisa e tal. Meu suposto atraso, porém, fica absolvido por um detalhe: não contente de assinalar uma única data para o evento, o site declarou solenemente que agosto é o Admit You’re Happy &lt;em&gt;Month&lt;/em&gt; – ele inteirinho. E os culpólatras de plantão que se resignem a não ter mais (des)culpas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque esse dia (ou mês) maravilhoso foi criado, claro, para os culpólatras – aqueles seres viciados na insatisfação e, ao mesmo tempo, no medo dela. Um culpólatra se sente culpado demais para admitir que é feliz; ou por motivos sociais (“tanta gente não é...”), ou por razões pessoais (“tanta coisa ainda me falta...”), ou por questões profissionais (“tanta competitividade hoje em dia! pega mal me mostrar satisfeito...”). Um culpólatra autêntico sente esse tudão junto-misturado: sua felicidade piorará o estado dos infelizes, impedirá mais felicidade de entrar nele próprio – como se nossa lotação pudesse ficar esgotada – e será um atraso de carreira, por não passar a imagem de “seriedade”. Em suma: ser feliz, para essa espécie, é o melhor meio de ser infeliz. E ninguém precisa ter estudado o beabá da filosofia socrática para perceber o absurdo da coisa. Seria o mesmo, em versão agrária, que plantar melancia e colher jabuticaba: cultivar sementes que gerarão o seu extremo oposto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conhecendo o tumultuado coração dos culpólatras, os criadores do evento foram precisos na escolha do verbo que tanto me chamou a atenção: &lt;em&gt;admita&lt;/em&gt; que você é feliz. Não “descubra” – porque não saber algo e passar a sabê-lo é algo que, normalmente, vem de fora pra dentro. Não “perceba” – porque não ver algo e passar a vê-lo é algo que nem sempre implica autoboicote, e sim distração. &lt;em&gt;Admita&lt;/em&gt; que você é feliz. Vamos, confesse. Você já percebeu, você já descobriu, você sabe. Você não quer dizer só porque acha que dar-se por feliz é o mesmo que dar-se por satisfeito. Pois não é. Satisfação é a saciedade; felicidade é o apetite. Infelicidade é a fome completa, a falta profunda, a falta por definição. E não falo aqui de estômago (somente); falo do que o supera. Em tudo que nos compõe, a fome é uma tristeza enraizada, imensa, mas o apetite é uma alegria e uma necessidade. Pode-se e deve-se ser feliz mesmo sem estar satisfeito. É esse apetite feliz que nos faz degustar com prazer o que temos e sonhar com o sabor do que ainda não conseguimos. É o que, simultaneamente, nos apoia e nos chama, nos segura e nos atrai. A satisfação é a meta; a felicidade (como alguém já disse) é o caminho. E neste – há muito tempo! – você alegre, insistente, ambiciosa, ansiosa, segura, insegura, confiante, esperançosa, firme, forte, atrapalhadamente já está. Admita.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-5737217358256857030?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=5737217358256857030&amp;isPopup=true' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5737217358256857030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5737217358256857030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/08/dont-worry-be-happy.html' title='Don’t worry, be happy'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/Spu67rhrWeI/AAAAAAAAAGg/g4x6MBaaMBY/s72-c/Smile.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-4046003653879903372</id><published>2009-08-23T13:41:00.021-03:00</published><updated>2009-09-06T11:21:21.801-03:00</updated><title type='text'>Maracanices</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-aa1cc56f688409f7" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v15.nonxt8.googlevideo.com/videoplayback?id%3Daa1cc56f688409f7%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3F9D34ED1F862A87EAAE624C707491C3CE2D5175.4CAC8348AAC7C7C77563BB82CE70EE8694A2E81C%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Daa1cc56f688409f7%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DMpPHL8FyAW0PxaTvGsbUGTn3Ip0&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v15.nonxt8.googlevideo.com/videoplayback?id%3Daa1cc56f688409f7%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3F9D34ED1F862A87EAAE624C707491C3CE2D5175.4CAC8348AAC7C7C77563BB82CE70EE8694A2E81C%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Daa1cc56f688409f7%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DMpPHL8FyAW0PxaTvGsbUGTn3Ip0&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eu estava no metrô, a cinco minutos do Maracanã, quando meu celular tocou. Era Fernanda. Ela já estava lá, no meio de uma torcida bem feliz. Estou chegando. Os vascaínos estamos chegando – de carro, de ônibus, de trem, de caravela, de orgulho estampado no rosto. Encontrei minha pequena com a Cruz de Malta no peito, um sorriso nas bochechas e a inseparável máquina fotográfica na bolsa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Entramos no estádio fácil, fácil. Sem filas, sem sustos, sem confusão. Uma organização digna de quem vai sediar uma Copa do Mundo e, no caso do Maraca, de quem vai sediar a final da Copa do Mundo. Tiramos fotos com o mascote do time – um portuguesinho bem simpático, daqueles de bigode típico (e honesto), chapéu de almirante e camisa com faixa de campeão –, compramos os tradicionais biscoitos de polvilho e copinhos d'água pra matar nossa sede de vitória.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Olê, olê, olê, olas dando a volta no estádio, flashes, tudo distraindo os olhos de homens, mulheres, crianças, velhinhos, famílias inteiras – até o Expresso da vez entrar no campo e multiplicar a festa, os gritos, os cânticos, as bexigas, as bandeiras, as bandeironas. Vamos vibrar, meu povão. É gol, é gol. A rede vai balançar. Somos vascaínos, temos amor infinito e o sentimento não pode parar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Parou a vida fora do maior do mundo. Noventa minutos de alegria e esperança, sem medo, raiva ou desilusão. Só os bons ventos soprando a favor, empurrando pra bem longe as nuvens negras que um dia ameaçaram a viagem do heroico português. Meu pai pulava feito menino a cada gol – um, dois, três, quatro! –, a cada quase-gol, a cada passe, a cada lateral... Ele viveu quase duas horas de menino. (Cá entre nós, ele é um menino).&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Acabamos o jogo 111 anos mais jovens, mais fortes, mais vivos. Ninguém à nossa frente, a não ser a multidão se dispersando e cantando de coração aberto. Fernanda e eu jamais vamos esquecer essas horas cheias, repletas, abarrotadas – quando tivemos de novo a certeza de que ser torcedor de fato, ser verdadeiramente popular (sem ser populista), é ser Gigante. Casaca!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-4046003653879903372?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=aa1cc56f688409f7&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=4046003653879903372&amp;isPopup=true' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4046003653879903372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4046003653879903372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/08/maracanices_23.html' title='Maracanices'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-5794872353627020152</id><published>2009-08-16T09:08:00.000-03:00</published><updated>2009-08-16T10:36:28.488-03:00</updated><title type='text'>Pimba na gorduchinha!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SogHjwq9UbI/AAAAAAAAAXk/4IklxUfrGrE/s1600-h/Hairspray.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370550866581213618" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SogHjwq9UbI/AAAAAAAAAXk/4IklxUfrGrE/s320/Hairspray.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Dez minutos para terminar o jogo, quinze para começar a peça. O Vasco tomando aquele sufoco do Juventude, na fria Caxias do Sul. O palco mostrando um caloroso "Bem-vindo a Baltimore". Cinco minutos para acabar a partida, dez para a fofíssima Tracy Turnblad acordar feliz o público. O torcedor aqui sofre com os cinco minutos de acréscimo dados pelo juiz, e a plateia espera mais cinco para o início de &lt;em&gt;Hairspray&lt;/em&gt;, o filme que virou peça que virou filme que finalmente chega ao Brasil traduzida e adaptada pelo vascaíno Miguel Falabella. Ufa, final da peleja, a cortina sobe! O Gigante vence por 2 a 1, a gigantinha levanta da cama! Aplausos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aplausos para Simone Gutierrez (a nossa Tracy), que rouba todas as cenas gulosamente, como se atacasse a geladeira de madrugada para tomar sozinha dois, três potes de sorvete. Ela canta, dança, interpreta com uma leveza inversamente proporcional aos seus quilinhos a mais. Ao seu lado, a "mama" Edna Turnblad surpreende tanto quanto, graças a um Edson Celulari que não se vê todo dia, cheio de enchimentos, alegria e despudor, especialmente quando divide a canção "Eterno pra mim" com Edgar Bustamante (seu marido Wilbur). Já Danielle Winits faz o que pode como a (muito) chatinha Amber Von Tussle, enquanto Arlete Salles dá cá uns toques de Copélia à sua Velma Von Tussle, tornando a louríssima Miss Caranguejão ainda mais safada e divertida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pausa para o intervalo. Quinze minutinhos até o segundo tempo do espetáculo, chance de contar pro meu querido pai como foram os melhores e piores momentos de Vasco e Juventude (ouvidos pelo radinho do meu celular): o Adriano perdeu três gols feitos no final do jogo, o Carlos Alberto recebeu uma entrada duríssima mas está bem, o time correu muito, a defesa segurou a pressão do jeito que pôde, o Fernando Prass salvou um chute daqueles à queima-roupa, o Alex Teixeira terminou a partida de lateral-direito...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;... as luzes se apagam novamente e voltamos contentes a Baltimore, a cidadezinha-metonímia de uma América ainda dividida entre gordos e magros, pretos e brancos. Por falar nos pretos, eles dão um show à la Motown, com o vozeirão de Graça Cunha (Motormouth Maybelle), a explosão musical de Corina Sabbas, Karin Hills e Maria Bia Martins (as Dinamites) e o suingue de Seaweed (Victor Hugo Barreto). Black is realmente beautiful! – embora os branquelos Jonatas Faro (Link Lark) e Heloísa de Palma (Penny Pingleton) também mereçam menção mais do que honrosa por suas performances... Dá-lhe, white power!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfim juntos – pretos, brancos, gordos, magros, o lado de cá e de lá do teatro, cruzmaltinos ou não –, chegamos ao divertidamente afetado Corny Collins Show, programa de tevê patrocinado pelo laquê Pegada Firme (porque tudo que uma mulher busca na vida é &lt;em&gt;rigidez&lt;/em&gt;!) e apresentado pelo aprendiz-de-Sílvio-Santos Corny Collins (Frederico Reuter). Ali, diante das câmeras, Tracy faz um golaço no preconceito: realiza um sonho "tamanho G" – o de se tornar Miss Hairspray – e outro ainda maior, "tamanho GG" – o de integração total, independentemente de cor, forma e penteado. Ao som de "Não vamos parar" ("You can't stop the beat"), moçoila e elenco encerram a noite com um&lt;em&gt; gran finale &lt;/em&gt;ultracoloridíssimo, megapurpurinado, que desce superlativamente redondo, redondo...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-5794872353627020152?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=5794872353627020152&amp;isPopup=true' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5794872353627020152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5794872353627020152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/08/pimba-na-gorduchinha.html' title='Pimba na gorduchinha!'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SogHjwq9UbI/AAAAAAAAAXk/4IklxUfrGrE/s72-c/Hairspray.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-6602999301309044124</id><published>2009-08-10T18:18:00.005-03:00</published><updated>2009-08-10T18:21:59.504-03:00</updated><title type='text'>Superfantástico amigo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SoCPFKQ6ykI/AAAAAAAAAGI/ihzMZ79xMbs/s1600-h/pinguim2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368448074643065410" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SoCPFKQ6ykI/AAAAAAAAAGI/ihzMZ79xMbs/s320/pinguim2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Mãe todo mundo sabe: é aquela decantada em verso e prosa, padecer no paraíso, desdobrar fibra por fibra, barriga, sangue, o cordão unindo indiscutivelmente duas (ou três, ou quatro...) pessoas durante quase um ano. Pai, não. Paternidade ninguém vê: não tem útero agigantando, não tem cordão umbilical cortável com tesoura física. Não tem provas materiais – além de um pouco romântico DNA. Por quase um ano, ele engravida de maneira teórica: destinatário paciente de uma encomenda que vem do exterior e demora meses para ganhar todas as peças, funcionar direito, ser finalmente liberada pela alfândega. A mãe acompanha o produto desde a fábrica; o pai (fazer o quê) está em casa aguardando, ansioso e confuso, o carteiro tocar a campainha. O filho lá, no forno, é ainda alguma coisa estranhamente terceirizada. E na vinda, um susto. Paternidade é espantada e súbita. Mãe é cargo com direito a estágio; pai começa numa promoção automática.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mãe é base, padrão, o substantivo da frase: culturalmente se espera que ela esteja sempre ali – referência, quartel, núcleo do sujeito. Por não ser hospedeiro e sim espectador (e expectador), pai tem sido injustamente tratado como mero lucro. Na biologia animal, entende-se que sim; no enredo humano, porém, é diferente o negócio. Se pai não é a substância primeira, que alimenta com sua própria matéria, é, em compensação, o adjetivo que presenteia de cores novas a estrutura de origem. Não dá à luz, mas intensifica e direciona a iluminação. Não cede o leite, mas, no esforço de ser perdoado pela limitação do corpo, derrama-se a si mesmo em todos os possíveis zelos e providências. Pai (se é digno do nome que transporta) leva a vida inteira reconstituindo, na preocupação, o parto que não teve; fabricando, no peito e nos braços, o berço que ele não foi; produzindo, nas brincadeiras (e broncas), o cordão que nunca lhe foi cortado.  Estuda Direito para contrabalançar a mãe promotora, faz Economia para não ir à falência com a filha adolescente, vira motorista para resgatar os pimpolhos na balada, tira brevê para fazer o pequeno voar pelo quintal em seus ombros. Em seus ombros faz questão de apoiar o teto da casa, gigante Atlas que é – de seu mundo particular.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mãe tem os filhos; pai os adota. E não é bolinho adotar os próprios filhos. Nasçam ou não de sua genética, de seu sangue, de sua espera, são perfeitos desconhecidos de seu organismo até que se vão, pouco a pouco, misturando a ele. Claro, a adoção também vale para as mães. Mas pai não tem bônus. Não tem o vazio da barriga, a nostalgia física que, depois de longos nove meses, torna a mãe uma inevitável reincorporadora de seu filho. O coração do pai precisa aprender a ter a necessidade e a saudade que sua barriga não tem. Sejamos justos: não é para qualquer um. Se já é difícil amar sem obrigação os amigos plantados e colhidos pelo caminho, que dirá os amigos obrigatórios. Pois pai é o ser superfantástico que, embora já esteja lá pelo meio da viagem, aceita nos recolher – não mais que de repente – em seu lindo-balão-mágico-azul; não nos expele um dia do útero, mas nos faz nascer dia a dia para dentro de si mesmo, num parto reverso que dura todo o tempo regulamentar da jornada. Difícil é, mas tão lindo, não precisa mudar: com ele o mundo fica bem mais divertido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-6602999301309044124?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=6602999301309044124&amp;isPopup=true' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6602999301309044124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6602999301309044124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/08/superfantastico-amigo.html' title='Superfantástico amigo'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SoCPFKQ6ykI/AAAAAAAAAGI/ihzMZ79xMbs/s72-c/pinguim2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-157795996417492170</id><published>2009-08-05T11:22:00.007-03:00</published><updated>2009-08-05T19:03:02.943-03:00</updated><title type='text'>Muito barulho por nada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SnmVxTqUIZI/AAAAAAAAAFw/8gtzCU0qhNc/s1600-h/harry-potter-6-01.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 193px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366485105312539026" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SnmVxTqUIZI/AAAAAAAAAFw/8gtzCU0qhNc/s320/harry-potter-6-01.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;O sexto filme baseado nas aventuras de nosso bruxinho preferido, &lt;em&gt;Harry Potter e o enigma do príncipe&lt;/em&gt;, tinha de cumprir alguns requisitos principais. Vejamos. E vejamos com alguns inevitáveis &lt;em&gt;spoilers&lt;/em&gt;, certo? Em primeiro lugar, o longa se escora no livro que tem a maior quantidade de informações biográficas sobre um dos vilões mais vilanescos da literatura – o cara-de-cobra Lorde Voldemort. Logo, seria de se esperar que fossem muitos e fartos os mergulhos de Harry na Penseira (espécie de “bacia de memórias” do mundo bruxo), para visitar passagens essenciais da vida e pré-vida de seu futuro arqui-inimigo. Nesse ponto, bola fora. São parquinhas de dar dó as cenas que se referem à juventude de Tom Riddle (nome “civil” de Voldemort). Lamento profundo; sigamos para o próximo item. Nas páginas de J. K. Rowling, este foi o momento romanticamente mais decisivo para Harry, que finalmente assumiu seus sentimentos por Gina Weasley e a beijou com toda a fúria dos dezesseis anos, após uma vitória gloriosa no quadribol. E no filme? bem... Sentimentos assumidos: sim. Beijaço pós-quadribol: não. Os fãs que tentem não se irritar com a mixuruquice do namoro selado – e da própria Gina, uma mosca-morta incompatível com a ruivinha alegre e popular que brilha nos livros de Rowling. Suspiro desgostoso. Próximo item.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como já sabem todos os assíduos frequentadores de Hogwarts, o ano letivo deveria terminar, na telona, com uma carnificina robusta, mordidas de lobisomem incluídas. E terminou, não foi? Qual o quê... Fora aquele &lt;em&gt;Avada kedavra&lt;/em&gt; que os leitores já conhecem, só uma meia duziazinha de janelas e copos estilhaçados – e pronto. Andaram dizendo por aí que era pra não diminuir o impacto da batalha final, lá pelo oitavo filme. Desculpa &lt;em&gt;riddikulus&lt;/em&gt;. Afinal, todo santo episódio não termina em enfrentamento grande, tanto no papel quanto no celuloide? e algum &lt;em&gt;potterer&lt;/em&gt; se sente realmente enfadado com isso? Pelas barbas de Merlin! faça-me o favor. Muxoxos irritados. E por falar em &lt;em&gt;Avada kedavra&lt;/em&gt;, cadê a tristeza grandiosa do funeral no colégio? E se a (absurda) intenção era não investir tanto nas cerimônias sombrias, onde estavam os preparativos do casamento de Gui Weasley e Fleur Delacour? Decepção dupla. Mas um último requisito, ah, este era indiscutível, este era batata que o longa iria cumprir, é óbvio: explicar, para os leigos e semileigos, por que cargas d’água o “príncipe” do título era considerado um “príncipe” – e mais: um Príncipe Mestiço, com maiúsculas e tudo. Quanto a isso não tinha jeito de se esquivar, certo? Pois tinha, e o roteiro mais uma vez deu uma vassourada no assunto, fingindo que não era com ele. Então tá. Quem já conhecia a história mordeu os lábios; quem não conhecia, ainda não foi desta vez. Provavelmente o espectador desamparado se limitou a dar uma espiadela no relógio e outra em volta, pra ver se o problema era só com ele ou se alguém mais percebera que o rei estava nu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ok, ok: para sermos elegantemente grifinórios, devemos concordar que o filme – como todos os da série – faz vista, e é caprichoso nos detalhes artísticos, sonoros, fotográficos e afins. Não chega a ser um bicho-papão de férias. Mas que é um morto-vivo chochinho, chochinho, sonserino que só ele, lá isso é. Tremendo malfeito feito às páginas que não conseguiu honrar. O que se pode dizer de um roteiro que, entre todos os aspectos palpitantes da obra original, escolheu privilegiar exatamente as filigranas adolescentes dos bruxinhos, e ainda assim de maneira desapaixonada e pouco charmosa? É comprar gato por unicórnio. Não sei você, mas eu saí do cinema com a (nem tão) ligeira impressão de ter sido feita de trouxa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-157795996417492170?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=157795996417492170&amp;isPopup=true' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/157795996417492170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/157795996417492170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/08/muito-barulho-por-nada.html' title='Muito barulho por nada'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SnmVxTqUIZI/AAAAAAAAAFw/8gtzCU0qhNc/s72-c/harry-potter-6-01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-8711484089157673984</id><published>2009-07-28T08:45:00.027-03:00</published><updated>2009-07-28T11:29:34.143-03:00</updated><title type='text'>Há um mundo bem melhor...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Sm7lq7-3NnI/AAAAAAAAAW0/QirHArf6_z4/s1600-h/DSC01672.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363476732063463026" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Sm7lq7-3NnI/AAAAAAAAAW0/QirHArf6_z4/s320/DSC01672.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; ... onde a cidade cresce ao redor de um castelo encantado; onde os sonhos se realizam; onde adultos e crianças têm apenas pensamentos coloridos, daqueles que fazem a gente voar; onde os problemas desaparecem num passe de mágica e a única preocupação é se divertir até os últimos fogos de artifício estourarem; onde, dizia Walt Disney, "as flores cantam e os leões não mordem"; onde Fernanda e eu vivemos – até aqui – os 17 dias mais felizes das nossas vidas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há três anos estivemos em Orlando, soarin' o mundo numa asa-delta: vestimos sombreiros no México, encaramos vikings e duendes na Noruega, esbarramos com a doce Mulan na China, acertamos os relógios na Alemanha, fizemos um pedido na italianíssima Fontana de Nettuno, assistimos a shows do ABBA nos States e dos Beatles numa pracinha de Liverpool, descansamos sob bonsais, meditamos marroquinamente, comemos croissants e outras guloseimas numa pâtisserie e paramos no Canadá para ver e ouvir as luzes e a música do IllumiNations.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voamos até Marte num foguete, ajudamos o Homem-Aranha a derrotar o Duende Verde e o Dr. Octopus, viajamos no tempo e no espaço num DeLorean, corremos dos dinossauros no Jurassic Park e do abominável-homem-das-neves durante uma expedição ao monte Everest, fomos encolhidos pelo atrapalhado Dr. Szalinski, caímos num formigueiro, colmeia ou coisa-que-o-valha-cheia-de-insetos, fizemos um safári na África, ficamos ensopados numa meia dúzia de splash mountains, rivers e similares.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E não parou por aí: passamos por uns sustinhos básicos numa casa muito bem-assombrada, despencamos no amaldiçoado elevador do Hollywood Tower Hotel, enfrentamos alienígenas nojentos, malvados e de altíssima periculosidade (como o ardiloso Stitch, amiguinho da Lilo), gritamos à beça diante do Imhotep e de todas as suas múmias, nos esquivamos das balas e da fúria dos exterminadores do futuro e dos piratas do Caribe, cantamos horrores all night long com Beetlejuice, Drácula e outros monstros, resgatamos o ET e o levamos de volta para casa voando em bicicletas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;... ufa! "There's no place like Orlando", foi o que Fernanda e eu pensamos depois de um banho de praia no meio de uma estação de esqui (!) e de uma visita a Oz, com direito a Bruxa Má do Oeste e munchkins... E ainda tivemos direito ao Mickey, ao Pato Donald, às Princesas, ao Buzz Lightyear, ao Ursinho Puff, ao Peter Pan, aos onipresentes Tico e Teco, ao Scooby-Doo, aos X-Men, ao Capitão América, ao Shrek, até ao tagarela do Burro e ao traquinas do Grinch. Tivemos o direito, a sorte, o privilégio, a bênção de viver um sonho ao mesmo tempo real e surreal, fantasmic!, que existiu de se pegar – e de se lembrar, sempre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-8711484089157673984?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=8711484089157673984&amp;isPopup=true' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8711484089157673984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8711484089157673984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/07/ha-um-mundo-bem-melhor.html' title='Há um mundo bem melhor...'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Sm7lq7-3NnI/AAAAAAAAAW0/QirHArf6_z4/s72-c/DSC01672.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-7407852441094421704</id><published>2009-07-21T08:12:00.029-03:00</published><updated>2009-07-21T20:10:25.436-03:00</updated><title type='text'>Dreamgirls</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-286a1da673ce06f5" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v19.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3D286a1da673ce06f5%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D7CE11BD8CB34C270847FE06F8920C4DC13EA1577.52D5066F9C510ED4187784AD72923E9555EFDB1A%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D286a1da673ce06f5%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DduvDZOzD717cCdPaHvncEAjCZ4Y&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v19.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3D286a1da673ce06f5%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D7CE11BD8CB34C270847FE06F8920C4DC13EA1577.52D5066F9C510ED4187784AD72923E9555EFDB1A%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D286a1da673ce06f5%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DduvDZOzD717cCdPaHvncEAjCZ4Y&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Uma bolsa, uma blusinha, um kit do Boticário? Eu estava sem ideia de presente para minha mãe, que fez aniversário no último dia 7. Não queria repetir as lembranças de todos os anos. Foi aí que o sempre útil RJ TV entrou na história e me deu aquela mãozinha, apresentando um musical que acabava de estrear no Leblon, na Sala Fernanda Montenegro: &lt;em&gt;O som da Motown&lt;/em&gt;. O espetáculo traz cinquenta dos maiores sucessos lançados pela famosa gravadora Motown nos anos 60, 70 e 80 e – coisa boa – não tem um dialogozinho sequer. Nada de falação atrapalhando a fluência de uma canção emendada na outra. "Apenas" cinco moçoilas de voz cheia e uma banda tocando ao vivo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Após a exibição de um vídeo-resumo das três décadas – com Martin Luther King, John Lennon, Vietnã, &lt;em&gt;black power&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;black is beautiful&lt;/em&gt;, paz, amor e outros bichos –, o show começa. As meninas sobem no palco com a suingadíssima "I heard it through the grapevine", imortalizada por Marvin Gaye. Atacam com "Papa was a rolling stone", "Theme from Mahogany", "Just my imagination", mas me emocionam mesmo com a singela "My girl", dos Temptations, quando foi irresistível olhar para a Fernanda com um sorriso nos olhos. &lt;em&gt;What can make me feel this way?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A plateia no bolso, e o quinteto se transforma em trio para ressuscitar as Supremes, com direito ao figurino-e-cabelão típico das musas. &lt;em&gt;Ooh baby love, my baby love...&lt;/em&gt; não é que elas mexem os ombrinhos com a mesma delicadeza das divas? e estendem os braços para nos alertar, cheias de um charminho (quase) ingênuo, s&lt;em&gt;top! in the name of love, before you break my heart&lt;/em&gt;? Melhor que isso só quando as moças somam cinco outra vez para encarnar os Jackson Five. Simone, Thalita, Ellen, Alcione e Débora viram meninos e interpretam "I want you back" e "ABC" com a molecagem necessária nos pés e nos gogós.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Aí chegamos ao momento mais emocionante do espetáculo, que – por isso mesmo – merece um parágrafo só seu. O jovem Michael Jackson no telão, a corajosa Simone Centurione no palco e a clássica "Ben" na voz suave de ambos. Um dueto milimetricamente ensaiado, improvavelmente bem-sucedido, lindamente realizado, reconhecidamente aplaudido. O ingresso estava muito bem pago. A cortina podia fechar ali que sairíamos felizes. Mas tinha mais.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;As sessentíssimas "Do you love me" e "Please, Mr. Postman", a discotequíssima "All night long", as figurinhas carimbadas de qualquer sessão-g&lt;em&gt;ood-times-&lt;/em&gt;de-rádio-que-se-preze "Easy", "Three times a lady", "My cherrie amour", "For once in my life", "Endless love" e – para botar o público cantarolando na saída do teatro e mamãe (ainda mais) feliz da vida com o presente-surpresa – a imbatível "Ain't no mountain high enough", um poema em letra-e-música que faz a gente sacudir toda a poeira do mundo e dar a volta por cima, de preferência numa pista de dança. &lt;em&gt;No wind, no rain or winter's cold can't stop me, baby!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-7407852441094421704?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=286a1da673ce06f5&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=7407852441094421704&amp;isPopup=true' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/7407852441094421704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/7407852441094421704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/07/aint-no-sound-high-enough.html' title='Dreamgirls'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-4658894927712032</id><published>2009-07-15T17:33:00.008-03:00</published><updated>2009-08-10T18:25:36.349-03:00</updated><title type='text'>Festa de arromba</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Sl3ObISCHZI/AAAAAAAAAWc/g3JnYgJrUsM/s1600-h/P1010145.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Sl3N3X5GloI/AAAAAAAAAWU/o4o17NcZsbQ/s1600-h/P1010149.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Sl3NMRMo1sI/AAAAAAAAAWM/JA0A6VeHJ80/s1600-h/P1010145.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-e158b2142351c005" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v23.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3De158b2142351c005%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D5EA2A3252E2CAACF508442F547E9DFB0A465947C.63AB35732950F53CBC8E623B4AE3941E01A73B44%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3De158b2142351c005%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D7vGESUXuWeTxKjEQMLe7aAzbVzA&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v23.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3De158b2142351c005%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D5EA2A3252E2CAACF508442F547E9DFB0A465947C.63AB35732950F53CBC8E623B4AE3941E01A73B44%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3De158b2142351c005%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D7vGESUXuWeTxKjEQMLe7aAzbVzA&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eu tenho tanto pra lhes falar, mas só num post não sei dizer – como é e foi grande o nosso Roberto, outra vez em sua carreira de jubileu, mas pela primeira vez no palco dos maiores craques do planeta. Pela primeira vez! o maior do Brasil no maior do mundo. Coisa bonita, coisa gostosa de ver e sentir essa força estranha no ar: o Maraca se enchendo aos poucos com os nossos pais e mães e tias e primos e avós, com aqueles que começaram e terminaram namoros, fases, vidas ao som do Rei. Nós também ali, aguardando nas cadeirinhas brancas, binóculos e lanches comprados, ventinho insistente nos deixando apreensivos. Chuvisco. Capas de chuva prudentemente adquiridas. Muitas “olas” seguidas, afinadas, pra disfarçar a espera. Quase na hora, Eri Johnson convoca a plateia para cantar – uma, duas, três vezes – nossa óbvia declaração ao dono da festa: “Como é grande o meu amor por você”. Ele sabe, ele sabe. Mas não custa repetir, reforçar, desejar: vem, Roberto – pode vir quente que nós estamos fervendo!...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Como digna majestade que é, Roberto atende a seu povo e adentra o palco, charmosíssimo, na aparição azul de um calhambeque – bi-bi! Nunca o tradicional abre-alas “Emoções” refletiu tão bem o doce nervosismo do Rei. Vai dar tudo certo, Roberto, como dois e dois são cinco: canta suave as canções que você fez pra mim, pra todos nós. Ele canta. Amante à moda antiga, delicia-nos com os clássicos da fofura “Eu te amo, te amo, te amo” (“Eu também!”, responde a plateia em coro), “Além do horizonte”, “Amor perfeito”, “Detalhes” (momento banquinho-e-violão) e “Outra vez”. Mas uma carreira de cinquenta anos não é feita só dessa grande família de vozes que o acompanha. É preciso saber viver cada cantinho da vida em cada um dos outros cantinhos. Carinhosamente emocionado, o anfitrião volta às raízes com “Aquela casa simples” e homenageia pai (“Meu querido, meu velho, meu amigo”), mãe (“Lady Laura”), outra mãe (“Nossa Senhora” – com direito a cascata de luz) e Maria Rita (“Mulher pequena” – para minha total alegria de baixinha). Voz doce e serena, coisa delicada, coisa de coração grande.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Algumas curvas depois de “O calhambeque”, no meio da labuta de “Caminhoneiro”, o tempo para na contramão e a chuva desaba. As capas que ainda resistem na bolsa são exasperadamente vestidas. Público ensopado, encharcado, enxaguado e tudo que existir de adjetivo pingante no idioma. Por dez minutos ficamos apenas sentados à beira do show, debaixo do splish splash, aguardando o Rei voltar para o resgate. E acha que com isso estamos sofrendo? Se enganou, meu bem: tudo ainda muito certo como dois e dois são cinco, cinquenta anos de estrada, setenta mil vozes na plateia, um milhão de amigos no peito, talvez alguns bilhões no mundo. Roberto volta para nós, agora pra ficar; e, após a fossa de “Do fundo do meu coração”, canta côncavos e convexos numa enxurrada de músicas safadinhas (“Proposta”, “Seu corpo”, “Os seus botões”, “Café da manhã” e “Cavalgada”). Foi bom para nós? Foi, Roberto: não pare. Aos acordes de “Amigo”, já pressentimos que vai ter novidade. E tem: Erasmo Carlos interrompe a música para, do telão, declarar-se ao irmão camarada. Choradeira dupla. Ao Tremendão (já no palco) e ao Rei, junta-se a Ternurinha. Eles são terríveis! Depois das canções em conjunto, Roberto põe mesmo pra derreter num pout-pourri da Jovem Guarda. E, para nossa pré-saudade, abraça-nos com a macia “Como é grande o meu amor por você”, dá-nos a última lição em “É preciso saber viver” e faz sua prece agradecida em “Jesus Cristo”. Fogos, muitos fogos. Rosas, muitas rosas. Acabou – mas são coisas muito grandes pra esquecer. Um soluço e a vontade de ficar mais um instante. Ele é o bom, é o bom, é o bom – demais!...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-4658894927712032?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=e158b2142351c005&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=4658894927712032&amp;isPopup=true' title='31 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4658894927712032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4658894927712032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/07/festa-de-arromba.html' title='Festa de arromba'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><thr:total>31</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-5082504625042168693</id><published>2009-07-08T08:47:00.007-03:00</published><updated>2009-07-09T11:56:39.753-03:00</updated><title type='text'>Invincible</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-e49ffe5b5351210d" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v8.nonxt8.googlevideo.com/videoplayback?id%3De49ffe5b5351210d%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D460871B3AAEB8D502A6B81349F69F7D32F66C55D.12C02EC7955DE2C107FD920639D1A2434ED8E3C5%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3De49ffe5b5351210d%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DHM0PQWA9H6Kgu_7Bc9ed0JkNABE&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v8.nonxt8.googlevideo.com/videoplayback?id%3De49ffe5b5351210d%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D460871B3AAEB8D502A6B81349F69F7D32F66C55D.12C02EC7955DE2C107FD920639D1A2434ED8E3C5%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3De49ffe5b5351210d%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DHM0PQWA9H6Kgu_7Bc9ed0JkNABE&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Falar da "morte" de Michael Jackson é a mais pura bobagem. Pelo menos agora. Talvez a gente pudesse ter especulado sobre ela logo após o lançamento de &lt;em&gt;Thriller&lt;/em&gt;, em 1982. Porque depois de realizar uma obra-prima é inevitável que o artista morra – e ao mesmo tempo, nada contraditoriamente, alcance a vida eterna, maior privilégio dos mitos, das lendas, dos super-heróis. Ao ressuscitar os mortos com aquela ópera pop, aquele balé do subúrbio, aquela batida perfeita, aquela escuridão sob holofotes, Michael garantiu seu lugar ao lado de nomes como Elvis Presley, que – dizem sabiamente – não morreu.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Michael já era ímpar quando estava ao lado de seus pares, no Jackson Five. Molecote ainda, mostrava ter o ABC e todas as outras letras do alfabeto musical no sangue. Sua estrela transbordava generosamente na voz, no gingado, nos olhos e ofuscava os irmãos, que acabaram desaparecendo com o tempo. Michael tinha de estar sozinho no palco, e sempre esteve, mesmo quando acompanhado de dançarinos e efeitos especiais fabulosos. Uma estrela suficientemente estrela para não precisar de constelação.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Talvez Michael também tenha estado sozinho na vida, muitíssimo menor que o palco, no caso dele. Era um garoto perdido, como aqueles que habitavam Neverland? Era Peter Pan, o menino que não suportava a ideia de crescer? Era o Capitão Gancho, a fugir desesperadamente de um crocodilo que fazia tique-taque por ter engolido um relógio? Era, quem sabe, o próprio crocodilo, que tinha engolido o tempo, mas não conseguia digeri-lo?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Pena eu não ter tido a chance de assistir a um show do Michael ao vivo, como o da Madonna, no Maracanã, e o do Elton John, na Apoteose. Teria sido outro daqueles instantes em que o tempo para, em que milagrosamente deixamos de envelhecer por umas duas horas, como se a Terra do Nunca de fato existisse. Mas não tem problema. O que realmente importa é que a vida (de Michael) continua – nas canções, nas coreografias, nos videoclipes, em seu jeito surpreendente de brilhar, de viver cada dia como se fosse uma imprevisível &lt;em&gt;thriller night&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-5082504625042168693?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=e49ffe5b5351210d&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=5082504625042168693&amp;isPopup=true' title='36 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5082504625042168693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5082504625042168693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/07/invincible.html' title='Invincible'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><thr:total>36</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-3676342428657918011</id><published>2009-07-02T19:46:00.007-03:00</published><updated>2009-07-02T20:02:26.949-03:00</updated><title type='text'>Antes do pôr-do-sol</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/Sk0467crnwI/AAAAAAAAAFo/4a4q0WEEK0c/s1600-h/tinha-que-ser-voce.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353998117054947074" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/Sk0467crnwI/AAAAAAAAAFo/4a4q0WEEK0c/s320/tinha-que-ser-voce.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Depois de uma temporada de (ótimos ou, pelo menos, bons) pipocas em série – &lt;em&gt;Wolverine: X-Men origins&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Star Trek&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Anjos e demônios&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O exterminador do futuro&lt;/em&gt; –, eis que voltamos um pouquinho à safra dos “alternativos”. Isto se combinarmos de considerar “alternativo” o filme que não é muito chegado aos Cinemarks e Kinoplexes da vida, fazendo-nos, pois, atravessar o Rio para revisitar nosso querido Espaço de Cinema (que vou chamar de Espaço Unibanco por toda a eternidade). Aquele tipo de filme que pede lanchinho mais de bistrô que de McDonald’s, saca? Pois &lt;em&gt;Tinha que ser você&lt;/em&gt; é um desses. Pelo título e à primeira vista, ninguém diz: nome classiquinho de comédia romântica, Dustin Hoffman no cartaz, tal e coisa. Tudo muito &lt;em&gt;mainstream&lt;/em&gt;. O roteiro também é previsível, não ousa de modo algum, não tem qualquer &lt;em&gt;cabecice&lt;/em&gt;, não inventa absolutamente nada de extraordinário. Não aproveita o climão europeu para, por exemplo, deixar os personagens 25 minutos sem falar – enquanto apreciamos a bela fotografia –, nem para mergulhá-los em verborragia de congresso filosófico. Não se vale de sua pinta de “romance delicado” para abandonar a história no ar, as situações irrealizadas, o espectador com cara de interrogação-exclamação-reticências. Nada disso. E aí está, exatamente, o extraordinário do filme: transitar extraordinariamente dentro do que há de mais ordinário (no bom sentido).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Tinha que ser você&lt;/em&gt; é um bichinho totalmente sem artifícios, assim como seus personagens o são. Uma beleza de não-artificialidade. Simplesmente acreditamos naqueles seres próximos, plausíveis, com todo o jeito de serem nossos colegas ou vizinhos. Acreditamos no enredo como em um causo que um primo nos conte, dizendo que se passou com um cunhado seu. Fosse mais uma comediazinha romântica “americana” (entre aspas mesmo, porque não é exatamente nacionalidade: é estilo), provavelmente até o visual um tanto desleixado de Kate – personagem de Emma Thompson – tenderia para o comicamente estudado, para o caricato-baranga, em vez de refletir uma elegância particular e discreta. Suas amigas possivelmente teriam vozes mais agudas, olhares mais teatrais e risos mais nervosos, em vez de lembrarem muito as nossas próprias amigas. A música subiria em momentos impertinentes, ordenando-nos emoções, em vez de ficar muito sossegadinha no seu lugar. Fosse, pelo contrário, um romance delicado “cabeça”, tomaríamos um chá de Londres enquanto o casal faria uma longa jornada noite adentro, discutindo a relação mui articuladamente, como em um &lt;em&gt;Antes do amanhecer&lt;/em&gt; de meia-idade. As decisões tomadas seriam sensatas, agridoces e esteticamente lindas, apesar de deixarem a plateia com raiva. Com habilidade quase invisível, porém, o roteiro acerta na corda bamba e se equilibra no cinzinha básico – sempre ele –, apostando corretamente que qualquer um dos extremos pegaria mal para a história que é: de outono e de transição (em todos os sentidos).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em suma, &lt;em&gt;Tinha que ser você&lt;/em&gt; é um grande outono, mimetizado inclusive pelas cores londrinas; é a narrativa dos últimos passos antes do branco total – no inverno, na vida, na carreira, no amor. Um filme de “últimas chances”, conforme diz o título original (&lt;em&gt;Last chance Harvey&lt;/em&gt;). “Últimas” que não são últimas, mas que é praxe acreditarmos que sejam, numa mistura de boa sensatez e ruim desesperança. Se for assistir, não espere amargura nem epifanias, ou tema comprido de conversa pra mesa do bistrô: apenas aquela doçura calma, quentinha, de chá bem preparado e sorvido. Infinito enquanto dura o apagar das luzes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-3676342428657918011?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=3676342428657918011&amp;isPopup=true' title='29 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3676342428657918011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3676342428657918011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/07/antes-do-por-do-sol.html' title='Antes do pôr-do-sol'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/Sk0467crnwI/AAAAAAAAAFo/4a4q0WEEK0c/s72-c/tinha-que-ser-voce.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>29</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-3671573646533255701</id><published>2009-06-27T11:39:00.004-03:00</published><updated>2009-06-27T11:48:15.154-03:00</updated><title type='text'>Um chamado Joãozito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SkYvUAtk8zI/AAAAAAAAAFg/ZPogkNehpjU/s1600-h/Segundas+est%C3%B3rias+e+Guima.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352017228011467570" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SkYvUAtk8zI/AAAAAAAAAFg/ZPogkNehpjU/s320/Segundas+est%C3%B3rias+e+Guima.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Há exatos 101 anos, nascia na pequenina e mineira Cordisburgo – “só quase lugar, mas tão de repente bonito” – um menino que se chamava, como tantos outros brasileirinhos, João. “Um chamado João”, conforme diria a ternura de Carlos Drummond de Andrade. Mas esse menino não era como tantos outros brasileirinhos que nasciam, cresciam e velhavam assim, muito cronologicamente. Joãozito (apelido de infância) aconteceu de vir ao mundo sob um relógio que, desconhecendo tanto o de Benjamin Button quanto o da maioria dos mortais, não ia nem para trás nem para frente: pousava. Os minutos de Joãozito pousavam no quando e no onde os olhos do menino queriam, numa gula ininterrupta pelo mundo e suas mundices; pousavam na possibilidade, na simultaneidade. Na inclusão. Joãozito foi plenamente criança sem deixar de estudar com fascínio – geografia, história, francês e qualquer outra sabença que lhe caísse na vista. João foi plenamente adulto sem deixar de se divertir com o desenho &lt;em&gt;Dumbo&lt;/em&gt; e com o fato de andar de elevador. Médico que foi diplomata e escritor, verdadeiro ocidental enfeitiçado pela metafísica oriental, criador de Riobaldo e Diadorim que era Papai-Beleza de Vilminha e Agnucha, homem de gabinete que se aventurou mais de uma vez pelo sertão, intelectual que curtia Agatha Christie, o João que era Joãozito também se chamava Guimarães Rosa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Ficamos sem saber o que era João/ e se João existiu/ de se pegar”, disse Drummond depois que João (não) morreu (: ficou encantado). De fato, não lhe faz justiça o João-de-se-pegar que a gente tem na estante da sala, brochurado e empoeirado, rememorando um tempo de escola em que se foi obrigado a ler &lt;em&gt;Primeiras estórias&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;Sagarana&lt;/em&gt; antes de ser criança o suficiente para ter prazer com esses livros. Um tal João pode dar medo em quem ainda não descresceu o bastante. Por isso, e para provar sem chorumelas que João existiu de se papear e tomar cafezinho, recomendo um outro livro, mas escrito aqui pelo nosso Fábio Flora: &lt;em&gt;Segundas estórias – uma leitura sobre Joãozito Guimarães Rosa&lt;/em&gt; (Quartet, 2008). Em vez das tradicionais academices, em vez de um pedestal sisudo, capítulos leves que combinam muito mais com um diplomata que escondia doce de leite na gaveta do trabalho, um vovô postiço que se correspondia fofamente com as netinhas, um jovem estudante que criava contos de casarões misteriosos e povos antiquíssimos. Muito, enfim, do João; mais ainda do Joãozito; pouco do Guimarães Rosa que, cheio de sobrenome, costuma amedrontar as vítimas de leituras forçadas, feitas (ainda) sem ouvido e sem paixão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se você é um neurótico de guerra – leia-se: de escola ou vestibular –, dos que têm pesadelos com personagens e estilos literários anos a fio, mergulhe nas &lt;em&gt;Segundas estórias&lt;/em&gt; antes de reencontrar, recém-enamorado, as &lt;em&gt;Primeiras&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Terceiras&lt;/em&gt;. Afinal, bebem-se com mais vontade as palavras que saem de boca amiga, conhecida e íntima. E Joãozito, no livro de Fábio, não apenas vira amigo da gente, cúmplice menos de prateleira que de caminho: Joãozito é ali desnudado como o grande amigo ou namorado da vida, um &lt;em&gt;Big Fish&lt;/em&gt; sempre sedento, um entusiasta do novo (mesmo que fosse antigo), do também, do tudo. Alguém que não somente viveu: ficou (permanentemente) encantado. Por cada miudinho ser, saber ou lugar que fosse tão de repente bonito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-3671573646533255701?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=3671573646533255701&amp;isPopup=true' title='29 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3671573646533255701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3671573646533255701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/06/um-chamado-joaozito.html' title='Um chamado Joãozito'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SkYvUAtk8zI/AAAAAAAAAFg/ZPogkNehpjU/s72-c/Segundas+est%C3%B3rias+e+Guima.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>29</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-4798375484982228763</id><published>2009-06-21T11:03:00.011-03:00</published><updated>2009-06-21T13:15:09.306-03:00</updated><title type='text'>Páginas recolhidas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Sj5QCe0oNSI/AAAAAAAAAWE/49m_WEqKd00/s1600-h/Foto-0006.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5349801410926490914" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Sj5QCe0oNSI/AAAAAAAAAWE/49m_WEqKd00/s320/Foto-0006.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Machado completa hoje 170 anos. De vida. Aproveitando a data, vai aqui uma boa dica de leitura para quem não conhece ou conhece menos do que gostaria o "bruxo do Cosme Velho": &lt;em&gt;Machado para jovens leitores&lt;/em&gt; (EdUERJ, 2008), uma antologia de textos seus representativos de todos os gêneros visitados pelo autor. A seleção foi feita pelos professores Ana Cristina Chiara, Antonio Carlos Secchin, Denise Brasil e Ivo Barbieri.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O leitor encontra nesse livro desde poemas e contos até trechos de romances consagrados, além de crônicas (algumas reproduzidas em sua totalidade), um texto sobre literatura, parte de uma peça, um trecho de correspondência e o discurso da sessão inaugural da Academia Brasileira de Letras. Também tem a oportunidade de ler alguns textos sobre Machado, como os de Euclides da Cunha e Mário de Alencar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Temas como amor, arte, loucura e sátira política e personagens inesquecíveis como Dona Plácida e Lobo Neves (ambos de &lt;em&gt;Memórias póstumas de Brás Cubas&lt;/em&gt;) povoam as páginas da coletânea, que dá aos jovens leitores de todas as idades – os que pouco ou nada sabem de Machado ou os que já o visitaram tantas e tantas vezes e, por isso mesmo, estão sempre o (re)conhecendo e o (re)descobrindo – a excelente chance de estar na companhia de um dos maiores autores da literatura brasileira; o escritor que, segundo Drummond, não leu apenas um capítulo da vida, mas o livro inteiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-4798375484982228763?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=4798375484982228763&amp;isPopup=true' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4798375484982228763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4798375484982228763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/06/paginas-recolhidas.html' title='Páginas recolhidas'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Sj5QCe0oNSI/AAAAAAAAAWE/49m_WEqKd00/s72-c/Foto-0006.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-4838434262003314584</id><published>2009-06-17T10:54:00.000-03:00</published><updated>2009-06-18T13:06:41.573-03:00</updated><title type='text'>De volta para o futuro</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SjUYVtGRqVI/AAAAAAAAAVU/AM61DAiVrt4/s1600-h/exterminador.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 180px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5347206893734570322" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SjUYVtGRqVI/AAAAAAAAAVU/AM61DAiVrt4/s320/exterminador.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Você já ouviu falar em John Connor ou Kyle Reese? Sabe alguma coisa sobre a poderosa Skynet? É capaz de perceber as diferenças entre um T-800 e um T-1000? Tem ideia de que personagem disse as célebres frases &lt;em&gt;I'll be back&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Hasta la vista, baby&lt;/em&gt;? Se suas respostas foram não, não, não e não, você precisa fazer urgentemente um cursinho básico de cultura pop para assistir ao quarto – e provavelmente não último – filme da franquia criada por James Cameron nos anos 1980: &lt;em&gt;Terminator salvation&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;T4&lt;/em&gt; para os íntimos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de uma brevíssima mas importante escala em 2003 e um texto-prólogo feito sob medida para situar espectadores desavisados e cinéfilos esquecidos, a estória viaja no tempo até 2018 – quando a paisagem da Terra guarda um amontoado de ruínas e o cinza pós-apocalíptico dá o tom desolador da fotografia. Homens e máquinas estão em guerra e nossa única esperança é o líder da resistência humana, o "salvador" John Connor (Christian Bale), que, se não errei nos cálculos, conta prováveis 33 anos (a coincidência aqui não é mera, especialmente após uma espécie de "ressurreição" que acompanhamos nos minutos finais do longa).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, metáforas bíblicas à parte, o novo &lt;em&gt;Exterminador&lt;/em&gt; vale mesmo pelo roteiro – que aparentemente não se perde em meio a tantos paradoxos temporais, como o do pai (Reese) ser mais jovem que o filho (Connor) –, pelas intensas cenas de ação, que – mesmo inferiores ao quase insuperável &lt;em&gt;T2&lt;/em&gt; – são espetaculares, e pelo até então praticamente desconhecido Sam Worthington, que interpreta o ambíguo Marcus Wright, um criminoso condenado à morte que doa seu corpo para pesquisas médicas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Last but not least&lt;/em&gt;, há ainda – para a felicidade dos fãs – as batidas inconfundíveis da trilha sonora original, um trechinho da canção "You could be mine" (dos Guns N' Roses) e uma participação especialíssima (digital, é verdade) daquele sujeito fortão que será para sempre o Exterminador por excelência – mesmo que os produtores façam mais 29 sequências sem ele e que a Skynet produza novos T-1000s, T-Xs, robôs aquáticos, voadores ou gigantes, com jeitão de Transformers...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-4838434262003314584?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=4838434262003314584&amp;isPopup=true' title='34 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4838434262003314584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4838434262003314584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/06/de-volta-para-o-futuro.html' title='De volta para o futuro'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SjUYVtGRqVI/AAAAAAAAAVU/AM61DAiVrt4/s72-c/exterminador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>34</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-8969365589587294352</id><published>2009-06-12T09:57:00.006-03:00</published><updated>2009-06-12T10:22:41.899-03:00</updated><title type='text'>Cinzinha básico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SjJVuL5Do4I/AAAAAAAAAFY/3U8oizwSFF0/s1600-h/Dia+dos+Namorados4.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 211px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346429959596647298" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SjJVuL5Do4I/AAAAAAAAAFY/3U8oizwSFF0/s320/Dia+dos+Namorados4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Na discussão velha e boba, briga-se para decidir oficialmente que cor teria o amor e, por consequência natural, o namoro: vermelho (picante, combustível)? rosa (delicado, rendadinho)? azul (etéreo, flutuante)? Eu particularmente acho que, em se tratando de palheta, a coisa é simples: o famigerado amor tem a cor que for de preferência do freguês – ainda que seja aí um amarelo-omelete ou um roxo-batata. Não importa o tom do modelito que seu namoro vai usar na estação. Importa que se for namoro mesmo, propriamente dito e de escritura lavrada, o espírito do dito-cujo vai ser cinza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes que o leitor arme cara de “como assim?”, cheia de indignação cromática, esclareço: não falo daquele cinza de tempestade, cor de dia ruim, de mar enjoado, de chuva que não passa, de vida que já passou. Falo daquele cinza-equilíbrio, o cinza-símbolo, o da fuga dos extremos, o que corre habilmente pelo meio. Aquele que tem a elegância de driblar graciosamente os perigos dos excessos – a indiferença ou a posse, o afastamento ou a dependência, a grosseria ou a pieguice, a frieza ou o incêndio. Não se trata de ser morno: trata-se de adequar a temperatura ora a um momento de inverno, ora a um de verão (e, às vezes, de primavera ou de outono). Não se trata de ficar em cima do muro: trata-se de saber quando e onde construí-lo – saber o que partilhar e o que proteger, o que unir e o que separar. Namorar de verdade, no duro, é cinza. Um cinza esperto, um cinza diplomata, um cinza-jeitinho, de brincar com as possibilidades, explorar alternativas e inventar soluções. Mais ou menos como viver.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Viver não deixa de ser um grande namoro com o mundo: estamos (ou deveríamos estar) o tempo todo seduzindo e nos deixando seduzir por cada circunstância que nos cai sob os olhos. Mas não há sedução possível nem no total silêncio, nem na fúria desatada. Para que eficientes, namorar e viver devem ter um comedimento de brisa, que mantém o fogo na medida certa – não é nem o vácuo que impede a combustão, nem a ventania que apaga os fogos fracos e torna destrutivos os fortes. Não tem namorado (para lembrar o célebre mote de Artur da Távola) quem não tem a leveza de caminhar brisamente, de ser e de explorar o cinza, de adivinhar desejos novos, de descobrir os antigos, de criar surpresas impensadas – ou evitá-las, quando ainda não é hora –, de reconhecer a diferença entre o olhar de agora e o de um segundo atrás, entre a voz de hoje e a de ontem; de compreender sem interrogar, de estudar sem invadir, de ceder sem se trair, de conseguir sem cobrar. Namoro não é esporte, no qual o empate torna as coisas entediantes. Namoro é concerto: beleza morando justamente na simultaneidade de notas, que escorregam uma pela outra mas correm em seu próprio espacinho, preenchendo o que a outra não é, o que falta à música para ser.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste Dia dos Namorados (e em todos os demais), tenha a malandragem do sopro, da sombra, da alternativa. Ainda que acredite se tratar “de uma data comercial”, faça a gentileza de o dizer cinzamente: dizer que acha todos os dias igualmente importantes, mas que a-do-ra ter um pretexto a mais para mimá-lo(a), por exemplo. Se você for um(a) namorado(a) autêntico(a), com selinho do Inmetro, isso será a mais absoluta verdade. Namoro mesmo – e de escritura lavrada – é tão mais resistente e inoxidável quanto mais litros de delicadeza tiver. Para você e seu amor, um Dia dos Namorados verde, amarelo, anil, cor-de-rosa e carvão, marrom-castor, roxo-batata ou abóbora-Comlurb – totalmente cinza. Fica mais fácil remover a famosa pedra indo exatamente pelo meio do caminho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-8969365589587294352?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=8969365589587294352&amp;isPopup=true' title='29 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8969365589587294352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8969365589587294352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/06/cinzinha-basico.html' title='Cinzinha básico'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SjJVuL5Do4I/AAAAAAAAAFY/3U8oizwSFF0/s72-c/Dia+dos+Namorados4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>29</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-1137577540584188240</id><published>2009-06-07T10:17:00.005-03:00</published><updated>2009-06-07T10:31:08.865-03:00</updated><title type='text'>Outro dia especial</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/Siu_MbO4h6I/AAAAAAAAAFA/mNpT_bJf8kM/s1600-h/P1000111.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5344575602994743202" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/Siu_MbO4h6I/AAAAAAAAAFA/mNpT_bJf8kM/s320/P1000111.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;No dia 9 do mês passado, foi a vez do Fábio; agora é a minha hora e vez de consultar a Tia Wiki e descobrir o que (além do meu colossal e digníssimo nascimento, é claro) aconteceu nesses setes de junho perdidos pela História. Logo de cara: Tratado de Tordesilhas, em 1494. Essa eu sabia. Por motivos óbvios, era a data mais fácil de decorebar nos tempos de escola. Verdade que eu não gosto nada do sentido real da coisa – afinal, Portugal e Espanha estavam fatiando para si o bolo de outros, o que definitivamente não é bacana –, mas vamos fingir que há um lado rosinha: foi um tratado de paz. Pelo menos entre os dois países, pelo menos no papel, pelo menos naquele momento. E de tratados de paz os setes-de-junho gostam demais da conta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adiante: em 1862, EUA e Reino Unido concordam em deixar de fazer comércio de escravos. Oba! Taí um evento mais auspicioso para o nosso dia! Setes-de-junho deteeeeestam algemas atando mãos limpas, ferros detendo pés inocentes e decretos engaiolando vozes pensantes. Não à toa (orgulho máximo!), 7 de junho é o Dia da Liberdade de Imprensa. E liberdade de verbo é liberdade de sujeito. Vontade de relembrar sempre o grito jovem de Castro Alves, com seu peso literal e metafórico abrindo as asas sobre nós: a praça é do povo como o céu é do condor!...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não calhou de ser Castro Alves, mas algum poeta condoreiro e abolicionista tinha mesmo de nascer num 7 do 6 – e nasceu: Tobias Barreto. Tobias porreta, que peitou os herdeiros do sogro alforriando todos os escravos que pertenciam ao morto. Era um sete-de-junho danado da peste ou não era? E não ficou sozinho no calendário: Paul Gauguin (pintor tão livre e inclassificável como o contemporâneo Van Gogh), Geraldo Casé (pai supermultimídia de nossa Regina), Dolores Duran (passarinho intenso e breve da emepebê), Prince (o eterno indefinível) e outros dribladores de fronteiras ainda nasceriam para compartilhar a data. Inclusive Dorothy Stang, irmã de tudo quanto fosse justo sobre o chão. Que melhor embaixadora daqueles que inaceitam jaulas e mordaças?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ser uma sete-de-junho é uma honra feliz. Estar viva neste novo sete de junho, completando mais uma volta bem-sucedida em torno do sol, é uma honra ainda mais feliz. Já são 29 voltas durante as quais tenho tentado fazer jus ao dia que posso chamar de meu. Espero que haja ao menos umas 157 rodadas pela frente – porque um bom sete-de-junho, vale lembrar, não é gente de se conformar com limites clichê. Mas ainda que não haja 157 rodadas pela frente no formato tradicional do calendário, que os próximos capítulos sejam &lt;em&gt;tão&lt;/em&gt; – tão intensos como Dolores, tão coloridos como Paul, tão múltiplos como Geraldo, tão surpreendentes como Prince, tão incansáveis como Dorothy. E, sendo assim &lt;em&gt;tão&lt;/em&gt;, que sublimem e transbordem todo o encaixotamento de anos e décadas. Que simplesmente “sejam-se” (como nas palavras do treze-de-junho Fernando Pessoa). Sejam tão plenos em si, tão íntegros, tão fiéis à sua própria felicidade, que dispensem ponteiros e fronteiras. Expandam-se infinitamente em seu território, sem marcos de Tordesilhas a constrangê-los. Quanto a mim, pretendo continuar desbravando, gulosamente, cada pedacinho de tempo que eu puder e ganhar neste mundão. Wish me luck!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-1137577540584188240?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=1137577540584188240&amp;isPopup=true' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1137577540584188240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1137577540584188240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/06/outro-dia-especial.html' title='Outro dia especial'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/Siu_MbO4h6I/AAAAAAAAAFA/mNpT_bJf8kM/s72-c/P1000111.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-7245657016096095466</id><published>2009-06-03T08:43:00.022-03:00</published><updated>2009-06-03T10:10:17.450-03:00</updated><title type='text'>Oliver e nós</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-623ee19e7b48ad37" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v7.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D623ee19e7b48ad37%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3D209C83D5BD7A04B06D958795D2FFC933195458.565F93BA19ADA8CA57CF58A6058B752B3E2AB4C1%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D623ee19e7b48ad37%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DQ_-ox0lFri5gyt2JAh4xFNv4ZQU&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v7.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D623ee19e7b48ad37%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3D209C83D5BD7A04B06D958795D2FFC933195458.565F93BA19ADA8CA57CF58A6058B752B3E2AB4C1%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D623ee19e7b48ad37%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DQ_-ox0lFri5gyt2JAh4xFNv4ZQU&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Na última segunda-feira, chegou a má notícia da clínica veterinária: o coraçãozito do nosso Oliver não aguentou os 12 anos e oito meses de idade, as problemices de saúde e parou por volta das cinco, cinco e meia da manhã. Pai, Mãe, meu irmão e eu choramos; Pai, mais desesperadamente. Pai que cuidou dele como se cuida de um filho, com dedicação extraordinária – especialmente de fevereiro pra cá, quando não conseguia mais levantar sozinho e caminhar, por causa de uma fraqueza nas patinhas traseiras.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não é nada fácil olhar pra casinha dele vazia, pra bolinha jogada no chão, sem vida. Perdemos um pedaço da gente, uma parte mais que importante das nossas vidas. Encerramos outro capítulo da nossa história. Oliver me acompanhou no último ano do ensino médio, na faculdade inteira, no mestrado, nos primeiros anos de profissão. Eu tinha 16 anos quando ele chegou aqui, no colo de Mãe, todo pequeno. É incrível, jamais cheguei a tocar nele, no início tinha até medo. Mas os anos me fizeram entender cada olhar, cada gesto, cada latido. Nos últimos tempos, estive ainda mais perto dele (fisicamente mesmo), sentado ao seu lado, enquanto Pai lhe oferecia a comida, fazia a fisioterapia, trocava os curativos na patinha, dava banho, tudo isso diariamente, como num ritual.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O fato de eu ter convivido com o Oliver e de ter vivido a relação que a família inteira desenvolveu com aquele anjinho que não pedia nada, a não ser carinho (e que a mãozinha de Pai coçasse suas orelhitas sempre atentas), me fez uma pessoa melhor, fez nossa família uma família melhor, de um modo que ainda não sei ao certo. O que eu sei – e agora sei mesmo, (in)felizmente – é que os seres não ficam "encantados", como dizia João Guimarães Rosa. Eles morrem, deixam muitíssima saudade e, se tivermos sorte, uma boa história para toda a vida.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-7245657016096095466?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=623ee19e7b48ad37&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=7245657016096095466&amp;isPopup=true' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/7245657016096095466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/7245657016096095466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/06/oliver-e-nos.html' title='Oliver e nós'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-4107301104789680300</id><published>2009-05-25T18:59:00.007-03:00</published><updated>2009-12-30T17:02:31.319-02:00</updated><title type='text'>Manifesto antirrotulista</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Szujs_nY1mI/AAAAAAAAAfc/34vB8Y7KLxU/s1600-h/nerd.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 396px; DISPLAY: block; HEIGHT: 303px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421106569856734818" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Szujs_nY1mI/AAAAAAAAAfc/34vB8Y7KLxU/s400/nerd.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/ShsXzVKAkWI/AAAAAAAAAEw/jdZU4UTH_a4/s1600-h/nerd.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Hoje, 25 de maio, foi escolhido como o Dia do Orgulho Nerd. Confesso minha mais profunda irritação com o fato. E obviamente não falo isso por ser antipatizante de nerds (eu mesma, se bobear, estou arriscadíssima a levar o rótulo pela cara); também não falo por fuga, ou por medinho de ser chamada de nerd. Digo-o por ser totalmente antipatizante da &lt;em&gt;necessidade&lt;/em&gt; de chamar alguém de nerd, e igualmente inimiga do jeito incompreensível como isso é feito. Pra que, minha gente, criar essa categoria misteriosa? O que cargas d’água é um nerd? Quem estuda muito? Quem tira boas notas? Quem lê até no elevador ou na piscina? Quem recita a tabela periódica? Quem recita as falas da hexalogia &lt;em&gt;Star Wars&lt;/em&gt; (de sabre azul em punho)? Quem cumprimenta os amigos com a saudação vulcana? Quem tafulha até a cozinha de casa com bonequinhos cabeçudos de desenhos oitentões (setentões, sessentões)? Quem faz peregrinação anual ao túmulo de Federico Fellini? Quem passou sem &lt;em&gt;game over&lt;/em&gt; por todas as fases de 74.893 joguinhos? Quem torrou a caderneta de poupança mandando confeccionar (em bronze) as armaduras de cada Cavaleiro do Zodíaco? Quem trocou a identidade do RG pela do RPG, sem esperança de reingresso na sociedade? O que, ó céus, dizei-me – o que é um nerd???... Nerd, meu amigo, é o adesivo mais vale-tudo do universo: cola em quase qualquer um. Uma tentativa aloprada de classificação humana, como a ideia de um gerente pancada que resolve, numa loja de departamentos, criar uma seção específica para: roupas azuis de crianças, sapatos pretos de homens, bolsas grandes de mulheres e guarda-chuvas. Infelizmente, não se pode demitir – como ao gerente doidão – quem resolveu sapecar pessoas tão distintas nas mesmas prateleiras do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aliás, quem foi que disse mesmo que o mundo tem prateleiras? Até tem – mas não pra gente. Pode-se arquivar documentos por espécie, enfileirar livros pelo sistema de Dewey, listar filmes em ordem alfabética, mas não há código disponível no planeta para categorizar tipos de pessoas – por dentro. Seria nerd alguém que odiasse estudar, abominasse ficção científica e computadores, mas fosse o melhor aluno da sala, tocasse violino e jogasse capoeira? Seria nerd um surfista que adorasse física quântica, escrevesse sonetos e curtisse marcenaria? Seria nerd um analfabeto que tem Q.I. de 190, mas que nunca irá à escola porque não lhe tiraram nem certidão de nascimento? uma senhorinha de 70 e poucos anos que virou aficcionada por tecnologia no semestre passado? um imortal da Academia que nunca ouviu falar em Darth Vader? um morador de rua que (caso verídico) passou em concurso público estudando, na praça, com livro emprestado? Quem é nerd? Quem não é? Quem será, de que tipo – e em que nível? Quantos moldes humanos – ricos, fartos, pitorescos, exclusivos – existirão, solitários em suas características, únicos em suas qualidades, debaixo desse velho sol?...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pela lógica, o Dia do Orgulho Nerd deveria ser o de TODOS os indivíduos do mundo que se dedicam/dedicaram muito a alguma coisa ou que tiveram/têm inteligência específica para algo. Vejamos: Da Vinci, Guimarães Rosa, Newton, Machado, Shakespeare, Mozart, Spielberg, Santos Dumont, Bill Gates, Woody Allen, TODO o pessoal da música, TODO o pessoal da ciência, TODO o pessoal da literatura, TODO o do cinema, TODO o dos quadrinhos, TODOS os que inventam, TODOS os que leem, TODOS os que têm hobbies, todo, todos, tudo... e eu, e você, e a torcida de cada time do Brasileirão e a de cada seleção mundial. Ora, todos somos seletivamente especiais; todos somos “nerds” em alguma coisa, em algum momento, em alguma fatia. Nerd, se existe, existe assim: como regra e não como exceção. É o intangível, o inqualificável, o inclassificável, o irreunível que nos une numa excelência genericamente individual. Orgulho não é ser nerd; é simplesmente ser. E p.t., saudações – vulcanas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-4107301104789680300?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=4107301104789680300&amp;isPopup=true' title='39 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4107301104789680300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4107301104789680300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/05/manifesto-antirrotulista.html' title='Manifesto antirrotulista'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Szujs_nY1mI/AAAAAAAAAfc/34vB8Y7KLxU/s72-c/nerd.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>39</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-8718142020596905943</id><published>2009-05-19T11:38:00.000-03:00</published><updated>2009-05-21T09:17:05.951-03:00</updated><title type='text'>Jornada nas estrelas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/ShLLWSseINI/AAAAAAAAAVE/o7H0DgjExtI/s1600-h/Star+Trek2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5337552092223381714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 174px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/ShLLWSseINI/AAAAAAAAAVE/o7H0DgjExtI/s320/Star+Trek2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Antes que o leitor ache que sou um nerd aficcionado por &lt;em&gt;Star Trek&lt;/em&gt;, que tenho várias miniaturas da U.S.S. Enterprise, que acompanhei religiosamente os trocentos episódios da série ou que cumprimento meus amigos com a saudação vulcana, devo esclarecer que nunca fui um trekker. O diretor J.J. Abrams também não, segundo contou em algumas entrevistas. A praia dele (e a minha) sempre foi outra galáxia – muito, muito distante... Mesmo assim, mais inclinado ao Lado Negro da Força, ele conseguiu fazer um filme que enfim redime a franquia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao apostar num roteiro que respeita a extensa cronologia anterior e, simultaneamente, recomeça do zero a saga – graças ao manjado, mas eficiente truque da viagem no tempo –, Abrams revitalizou o universo trekkiano, possibilitando que novas gerações embarquem nas aventuras interplanetárias criadas pelo escritor e produtor Gene Roddenberry nos anos 1960.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A tripulação da nova velha U.S.S. Enterprise agora conta com os até então desconhecidos Chris Pine (na pele do galãzinho pós-adolescente e cheio de si Capitão Kirk) e Zachary Quinto (a versão juvenil e impressionantemente fiel do Spock original), duas escolhas certeiras – tão certeira quanto a participação especialíssima de Leonard Nimoy, que reencarna o Dr. Spock com a elegância matemática que o tornou um ícone da ficção científica e, por que não dizer, da cultura pop. Não somente uma ponta para amansar fãs xiitas, a presença de Nimoy acaba materializando o elo que une o passado e o presente da série.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rebobinado com efeitos especiais que só o século XXIII (oops, XXI!) é capaz de proporcionar, uma edição mais ágil e um elenco jovem, &lt;em&gt;Star Trek&lt;/em&gt; deverá ter "vida longa e próspera" nos cinemas, voltando a cumprir sua mais nobre missão (em inglês mesmo, porque fica mais bonito): &lt;em&gt;to explore strange new worlds, to seek out new life-forms and new civilizations; to boldly go where no one has gone before&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-8718142020596905943?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=8718142020596905943&amp;isPopup=true' title='34 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8718142020596905943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8718142020596905943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/05/de-volta-para-o-futuro.html' title='Jornada nas estrelas'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/ShLLWSseINI/AAAAAAAAAVE/o7H0DgjExtI/s72-c/Star+Trek2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>34</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-642797780703019296</id><published>2009-05-14T09:11:00.006-03:00</published><updated>2009-05-14T09:16:21.688-03:00</updated><title type='text'>Todo dia é dia das mães</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SgwKyGWIb7I/AAAAAAAAAEo/6q4QV-HteGo/s1600-h/m%C3%A3e.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335651514340372402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 174px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SgwKyGWIb7I/AAAAAAAAAEo/6q4QV-HteGo/s200/m%C3%A3e.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mãe é uma casa ambulante. Não digo isso pelo fato de ela ser nosso primeiro endereço físico, mas por ser o eterno país emocional. Cada mãe é uma nacionalidade diferente, uma cultura distinta, um idioma separado. Quem perde sua mãe fica órfão de si mesmo; nesse instante, rasga-se o mapa de sua história bem na parte do “X”. Perder a mãe é perder o passaporte no meio da viagem: fica-se em &lt;em&gt;stand by&lt;/em&gt; no planeta, perplexo numa vida estrangeira, eternamente impedido de regressar ao seu eu de origem. Aquele momento em que você prossegue na jornada, mas sua bagagem foi parar na Tanzânia; simplesmente não se sabe por onde (re)começar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mãe é o único lugar, debaixo do sol, onde existimos antes de existir. O único lugar deste mundo onde vivemos sem ter idade. Os únicos nove meses de &lt;em&gt;bonus track&lt;/em&gt; no universo, o único estágio probatório de vida. Sim, é verdade – como alguns adolescentes resmungam, diante da preocupação às vezes descabelada de suas mães – que nunca pedimos para nascer. Porém, uma vez nascidos, também não queremos descer do trem. Mãe é o nosso &lt;em&gt;ticket to ride&lt;/em&gt;, o nosso ingresso para o show. Mãe é aquilo que nos permite conhecer a cor turquesa, a lua cheia, o Magic Kingdom, a vitamina Itambé, as novelas das oito, os filmes do Spielberg, as músicas d&lt;em&gt;O fantasma da ópera&lt;/em&gt;. Mãe não é apenas um milagre, nem é apenas quem nos acha um milagre: é igualmente o nosso portal para todos os outros milagres passados e futuros. Mãe é o corredor com rodinhas que liga nosso avião à terra que ansiamos por visitar. Mãe é o aeroporto de Orlando sem fila de imigração. Mãe é o nosso campo de alunissagem. E a bandeirinha de nós mesmos (como aquela fincada pelos astronautas na superfície conquistada) nem é necessária quando pousamos: mãe é nave multiúso que, enquanto nos transporta, já está em nosso destino final, já nos abriu caminho e preparou terreno aconchegantemente, convocando o exército de um berço, dois travesseiros antialérgicos e alguns elefantinhos de pelúcia para amaciar a queda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mãe é muito esquisito. É a única pessoa física que abarca uma penca de pessoas jurídicas; a única entidade conhecida que tem licença de ser, simultaneamente, meio de transporte, residência, hotel, passaporte e pista de pouso. Mãe é substantivo coletivo. Mãe é um substantivo tão concreto que só pode ser abstrato. Mas, felizmente para todos – e contrariando todas as leis de lógica, sensatez e sanidade –, é um substantivo comum. Um seu dia de vida é que é incomum demais para caber inteirinho em 24 horas, como o dos outros terráqueos que não são mães. E por isso, pela lógica avessa à dos calendários, pela legislação diplomaticamente estabelecida das mães – porque mãe também é consulado e sindicato –, o dia embrulhado para elas deveria corresponder, cronologicamente, a um dia que elas dedicam aos filhos. Ou seja: mais ou menos 8.784 horas e 17 minutos, corrigidos pelos últimos índices de inflação. Um dia menor do que esse, reservado para elas, é definitivamente um roubo. E não foi isso que você aprendeu com a sua mãe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-642797780703019296?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=642797780703019296&amp;isPopup=true' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/642797780703019296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/642797780703019296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/05/todo-dia-e-dia-das-maes.html' title='Todo dia é dia das mães'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SgwKyGWIb7I/AAAAAAAAAEo/6q4QV-HteGo/s72-c/m%C3%A3e.gif' height='72' width='72'/><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-5358447979666601016</id><published>2009-05-09T12:16:00.004-03:00</published><updated>2009-05-09T20:47:21.094-03:00</updated><title type='text'>Um dia especial</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SgWebVHaWyI/AAAAAAAAAUk/XIWTgq9BIag/s1600-h/DSC03222.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333843526052109090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SgWebVHaWyI/AAAAAAAAAUk/XIWTgq9BIag/s320/DSC03222.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Não sei se por um alinhamento improvável de planetas ou bolinhas de gude, se por vontade dos deuses, da Matrix ou do Boninho, se por uma daquelas coincidências superfantásticas e amigas que ainda não me fizeram ganhar na loteria, o dia 9 de maio é diferente, tão diferente que – acreditem – não se repete durante o ano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após uma visita breve à Dona Wikipédia, descobri que foi num 9 de maio que a primeira parte de &lt;em&gt;Dom Quixote de La Mancha&lt;/em&gt;, de Miguel de Cervantes, foi publicada. Deve ser por isso que todos os nascidos nessa data confundem moinhos de vento com gigantes – adoram brincar de herói, ou de super-herói, vestir uma capa vermelha e sair por aí voando.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por falar nos nascidos nesse dia, não posso me esquecer de certo escritor escocês, James Matthew Barrie, criador do Peter Pan, aquele menino que se recusava a crescer, vivia na Terra do Nunca e só queria saber de &lt;em&gt;pensamentos felizes&lt;/em&gt; – a senha para poder voar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aliás, se eu pudesse voar de verdade, ou pelo menos aparatar (como o Harry Potter e outros bruxos), poderia comemorar este 9 de maio em algum castelo da Europa – afinal, hoje se celebra o dia do Velho Continente – ou em Esperantina, no Piauí, onde uma lei municipal instituiu o não menos importante Dia do Orgasmo!...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, como não posso voar – digo, voar &lt;em&gt;de verdade&lt;/em&gt; –, vou ficar por aqui mesmo e festejar meus 29 anos, muito bem vividos, com minha família, minha Fernanda e, claro, meu desejo de que o Vasco volte a seus dias de Gigante, com "G" maiúsculo mesmo, pois, nesse caso, certamente não se trata de um moinho de vento...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-5358447979666601016?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=5358447979666601016&amp;isPopup=true' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5358447979666601016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5358447979666601016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/05/um-dia-especial_09.html' title='Um dia especial'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SgWebVHaWyI/AAAAAAAAAUk/XIWTgq9BIag/s72-c/DSC03222.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-3151189322252621915</id><published>2009-05-06T10:52:00.006-03:00</published><updated>2009-05-06T10:58:00.751-03:00</updated><title type='text'>De volta à Terra do Nunca</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SgGWXFy0pBI/AAAAAAAAAT4/aNkS47IZcug/s1600-h/disneymania.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332708757219877906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 199px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SgGWXFy0pBI/AAAAAAAAAT4/aNkS47IZcug/s200/disneymania.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Há quem torça o nariz para o &lt;em&gt;remake&lt;/em&gt; de uma novela, a refilmagem de um clássico do cinema ou a regravação de um &lt;em&gt;hit&lt;/em&gt; dos Beatles ou do ABBA. Muitos se perguntam por que mexer no que já é – ou seria – uma obra "definitiva". Não seria melhor investir em algo (supostamente) novo? É claro que o "novo", a experimentação são sempre bem-vindos – revitalizam nossas ideias, nos tiram da mesmice, do piloto-automático de todos os dias. Mas o retorno a bons e velhos lugares, mesmo que repaginados, também tem seu valor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há poucos dias, por exemplo, minha prima, uma quase pós-adolescente de 18 anos, me mostrou umas canções da banda inglesa McFly, da qual mal tinha ouvido falar. São quatro rapazinhos que tocam um pop-rock, ou rock-pop, que lembra – à distância – aquele jovem quarteto de Liverpool. Entre as faixas, havia uma com título deveras suspeito: "Don't stop me now". Encurtando a história: a música que ela julgava ser mais um sucesso de seus ídolos era "tão-somente" um &lt;em&gt;cover&lt;/em&gt; de um famosíssimo &lt;em&gt;single&lt;/em&gt; do Queen! Ou seja: se o McFly não tivesse feito essa rápida viagem ao finalzinho dos anos 70, Ana Paula (esse é o nome dela) talvez não tivesse descoberto Freddie Mercury e cia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse causo não serve apenas para ilustrar o valor de uma regravação, seja ela um &lt;em&gt;cover&lt;/em&gt; (com toda a reverência que lhe é peculiar) ou uma &lt;em&gt;releitura&lt;/em&gt; (com toda a novidade que às vezes torna o original irreconhecível); serve também – e principalmente – para ajudar a ratificar a importância de uma coleção de CDs que merece todos os fogos de artifício do Magic Kingdom e já chegou a seu sexto volume (com fôlego suficiente para o sétimo): &lt;em&gt;Disney mania – superstar artists sing Disney... their way!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É muito bom – e certamente educativo – ouvir um &lt;em&gt;standard&lt;/em&gt; como "When you wish upon a star" na voz (e só na voz, porque à capela) dos meninos do *NSync ou no arranjo pop de Kate Voegele; recordar os acordes de "I wanna be like you" e "Part of your world", ambas em pegadas mais roqueiras, nas vozes e guitarras do Smash Mouth e de Skye Sweetnam, respectivamente; mexer o esqueleto em "Who's afraid of the big bad wolf", com uma releitura rap do B5; ou, ainda, voltar à infância no remix cheio de suingue do Baha Men para "It's a small world".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Superiores ou não às versões originais, todas as canções – especialmente as mais antigas – renascem com vida própria nessa coletânea para um público mais jovem, a geração &lt;em&gt;High School Musical&lt;/em&gt;, que, com raríssimas exceções, não teria paciência de tomar um assento naquele DeLorean movido a plutônio (do verdadeiro McFly, o Marty) para revisitar clássicos como "A dream is a wish your heart makes", "The second star to the right" e "Zip-a-dee-doo-dah" – que, cá entre nós, já beiram a melhor idade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-3151189322252621915?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=3151189322252621915&amp;isPopup=true' title='38 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3151189322252621915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3151189322252621915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/05/de-volta-terra-do-nunca.html' title='De volta à Terra do Nunca'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SgGWXFy0pBI/AAAAAAAAAT4/aNkS47IZcug/s72-c/disneymania.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>38</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-425236196838011798</id><published>2009-04-30T17:53:00.004-03:00</published><updated>2009-04-30T18:15:36.361-03:00</updated><title type='text'>Meninas superpoderosas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SfoTcOgKq4I/AAAAAAAAAEY/fTTFszRo-LA/s1600-h/Div%C3%A32.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330594484596681602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 255px; CURSOR: hand; HEIGHT: 145px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SfoTcOgKq4I/AAAAAAAAAEY/fTTFszRo-LA/s320/Div%C3%A32.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O que esperar de um prato inventado por Martha Medeiros, servido por Lília Cabral e temperado por Alexandra Richter? A guloseima &lt;em&gt;Divã&lt;/em&gt;, é claro – filme que desce redondo e morno como bolinho de chuva, uma &lt;em&gt;comfort food&lt;/em&gt; para os olhos. Não tinha como a receita desandar. Martha é escritora de forno e fogão, que cria tão delicioso para a ficção como, por exemplo, para suas colunas no &lt;em&gt;Zero Hora&lt;/em&gt; e n&lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt; (a cada semana mais apetitosas). Seu livro, já adaptado com sucesso para o palco, ganhou na telona edição esperta e caprichadíssima – um verdadeiro colar de pérolas, engatilhadas uma após a outra; cada diálogo é um &lt;em&gt;flash&lt;/em&gt;. Gol de letra da autora e de Marcelo Saback, brilhante roteirista do longa. Quase não há tempo para as (muitas) gargalhadas da plateia: a frase de efeito seguinte é despejada segundos depois, engordando o público de lembranças engraçadas, a serem repetidas dias a fio. É daqueles textos que fazem a gente bancar a maluca, rindo sozinha no ponto de ônibus.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ninguém com mais envergadura para encarar a protagonista, Mercedes, do que a fabulosa Lília (que, inclusive, já encarnou a personagem no teatro). De quantas atrizes se pode dizer – como dela – que se transformam a cada papel, varrendo da nossa memória as vivências anteriores? Até os olhos da autoanalisada Mercedes são diferentes dos de Catarina (a esposa sofrida de &lt;em&gt;A favorita&lt;/em&gt;, também sujeita a muitas transformações pessoais), e mais ainda dos de Marta (não a Medeiros, mas a psicopata-que-assustava-criancinhas de &lt;em&gt;Páginas da vida&lt;/em&gt;). Lília é atriz pra mais de metro. E está bem acompanhadíssima, na tela, pela adorável Alexandra – conhecida do grande público por suas participações no &lt;em&gt;Zorra total&lt;/em&gt; –, que, na pele da melhor amiga de Mercedes, demonstra a mesma habilidade da companheira em transitar da comédia ao drama com extrema leveza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta é, por sinal, uma das maiores qualidades do filme: a arte de flutuar sobre o riso e o choro com igual competência; de nos levar ao primeiro sem grosseria e ao segundo sem apelação. Uma leveza às vezes insustentável, diga-se de passagem – afinal, parece excessiva em relação ao modo como Mercedes lida com as traições (a própria e a alheia). Afora essa impraticabilidade, o enredo é um show de corte, costura e &lt;em&gt;timing&lt;/em&gt;, com troféu-destaque para Paulo Gustavo, impagável no papel do cabeleireiro da protagonista, Renê – dono dos melhores momentos do longa. E não é à toa que o personagem masculino de maior relevo acabe sendo justamente ele, o amigo gay mais próximo e mais aberto à espontaneidade de Mercedes do que seu próprio analista. &lt;em&gt;Divã&lt;/em&gt; é um filme de feminices, um filme-água, uma DR líquida e fluida com a vida, um &lt;em&gt;Sex and the city&lt;/em&gt; com menos glamour e mais humor (nos dois sentidos desta palavra). Apesar do título, é menos um filme de análise (da qual Mercedes não demonstra realmente precisar) do que de interlocução, de pura verbalização. A grande descoberta da personagem não é algo bombástico em relação a si mesma, mas algo simples em relação a todos: “o fundamental a gente não fala”. Por medo, por preguiça, por vergonha, por insegurança, por segurança em excesso, por achar que há sempre um depois, por achar que o outro já sabe, por achar que ele não precisa saber, o fundamental – vai entender – a gente não fala. Freud explica.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-425236196838011798?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=425236196838011798&amp;isPopup=true' title='40 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/425236196838011798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/425236196838011798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/04/meninas-superpoderosas.html' title='Meninas superpoderosas'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SfoTcOgKq4I/AAAAAAAAAEY/fTTFszRo-LA/s72-c/Div%C3%A32.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>40</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-4568146296898534739</id><published>2009-04-27T10:40:00.004-03:00</published><updated>2009-12-30T17:08:26.754-02:00</updated><title type='text'>Pensando com meus botões</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzulE2LuqnI/AAAAAAAAAfs/Y_y2Iw7tm1k/s1600-h/Caras+e+bocas.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 296px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421108079153293938" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzulE2LuqnI/AAAAAAAAAfs/Y_y2Iw7tm1k/s400/Caras+e+bocas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SfW10ssM6dI/AAAAAAAAAEI/957FO_p68kI/s1600-h/Caras+e+bocas.jpg"&gt;&lt;/a&gt;A nova novela das sete já se instalou na telinha de mala, frasqueira e nécessaire, mas até agora só consegui assistir (voluntariamente) ao primeiro bloco do primeiro capítulo. Não é que eu jamais tenha engolido nenhuma novela do autor, Walcyr Carrasco. Ao contrário: achei muito bonitinhas &lt;em&gt;O cravo e a rosa&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Chocolate com pimenta&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Alma gêmea&lt;/em&gt; (à qual assisti integralmente, apesar de considerar o mote da trama abobríssimo). Cheguei até a encarar &lt;em&gt;Fascinação&lt;/em&gt;, em priscas eras, ainda no SBT. De uns tempos pra cá, porém, não tenho mais tido todo esse ânimo – e não foi difícil chegar à conclusão do que, afinal, começou a me irritar tanto nas crias do Walcyr: a percepção de que ele tende a escrever para a tela o que, na realidade, caberia com mais felicidade... num palco. Preferencialmente, de teatro grande. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não significa que Walcyr Carrasco seja um mau criador de histórias para a tevê. Normalmente ele não enrola, não deixa fazer barriga no enredo, inventa subtramas que mantêm o interesse e o movimento. Também tem o mérito de excelentes iniciativas, como a de mostrar a vivência de uma adolescente soropositiva na escola (em &lt;em&gt;Sete pecados&lt;/em&gt;) e a de incluir uma personagem feita sob medida para uma atriz cega (na atual &lt;em&gt;Caras e bocas&lt;/em&gt;). Palmas para ele, neste sentido. O problema maior tem sido o dos diálogos. Digo que suas linhas se aconchegariam melhor no palco porque não procuram o naturalismo próprio da tela, não buscam mimetizar o jeito de falar característico do dia-a-dia. Os constantes monólogos, por exemplo, são responsáveis por boa parte de minha irritação. A questão não são os monólogos em si – eles aparecem também em outras novelas –, mas o fato de os personagens monologantes dizerem em voz alta, para si mesmos, informações até biográficas sobre si mesmos (que eles, em sã consciência, apenas pensariam). Parece razoável que Dafne (vivida por Flávia Alessandra), enfrentando o drama do desaparecimento de seu avô, se apoie tristemente na varanda do hotel e diga aos seus botões: “Oh, como é estranho que eu perca meu avô no mesmo lugar onde perdi meus pais, quando ainda era menina...”?? Tal recurso de “transmissão de dados” para o espectador não fica nem um cadinho confortável nessa mídia, assim como não ficam o &lt;em&gt;overacting&lt;/em&gt; sempre presente nos folhetins do autor – especialmente nas situações “cômicas” – e o uso teimoso do futuro do presente “simples” pelos personagens das novelas (exemplos hipotéticos: “Ele &lt;em&gt;encontrará&lt;/em&gt; você amanhã”, “Tudo se &lt;em&gt;resolverá&lt;/em&gt;”), no lugar da forma composta que todos usam na vida real (“Ele vai encontrar você amanhã”, “Tudo vai se resolver”). Esse histrionismo meio &lt;em&gt;clown&lt;/em&gt; – ironicamente retratado pelo título da novela em curso –, esses diálogos montadinhos que fogem ao estilo &lt;em&gt;low profile&lt;/em&gt; do cotidiano, exigem distância entre plateia e ator, exigem ausência da câmera que disseca a vida e o vivente; exigem a nudez do palco italiano. Na tevê, a redundância da superinterpretação somada à lente de aumento deixa tudo com ares de ópera filmada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É provável que as novelas mais recentes de Walcyr – &lt;em&gt;Sete pecados&lt;/em&gt; (a pior) e &lt;em&gt;Caras e bocas&lt;/em&gt; –, por não terem a delicadeza natural das seis horas, e sim o teor de comédia quase obrigatório das sete, tenham exagerado os pontos fracos do autor, para quem seria muito mais vantajoso permanecer com tramas de época mais românticas (e essencialmente mais formais no linguajar). O horário atual não lhe faz justiça. Tanto que por enquanto, mesmo sabendo do potencial de Carrasco como timoneiro de folhetim, os botõezinhos do meu controle remoto têm me aconselhado a manter distância. Quem sabe em outro bat-horário ou bat-canal?...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-4568146296898534739?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=4568146296898534739&amp;isPopup=true' title='36 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4568146296898534739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4568146296898534739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/04/pensando-com-meus-botoes.html' title='Pensando com meus botões'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzulE2LuqnI/AAAAAAAAAfs/Y_y2Iw7tm1k/s72-c/Caras+e+bocas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>36</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-3046633838176082763</id><published>2009-04-19T10:01:00.005-03:00</published><updated>2009-12-30T16:50:34.329-02:00</updated><title type='text'>Sinais</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Szug6MdYmxI/AAAAAAAAAfU/foQEtaruoqI/s1600-h/Press%C3%A1gio2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 263px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421103498107853586" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Szug6MdYmxI/AAAAAAAAAfU/foQEtaruoqI/s400/Press%C3%A1gio2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Sesh5OisuXI/AAAAAAAAATo/ulMhfnUjfCs/s1600-h/Press%C3%A1gio2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;John Koestler é um professor de astrofísica descrente. Não acredita que haja um significado para as coisas que acontecem no universo. Para ele, os maiores e menores eventos da vida são apenas um amontoado de coincidências químicas e biológicas. Assim é o protagonista interpretado por Nicolas Cage em &lt;em&gt;Presságio&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Knowing&lt;/em&gt;), o mais novo filme de Alex Proyas, diretor do cultuado &lt;em&gt;Cidade das sombras&lt;/em&gt; e do mediano &lt;em&gt;Eu, robô&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas John, pai do menino Caleb, viúvo e filho de um velho reverendo, tem sua fé no acaso abalada depois de esbarrar num papel rabiscado com uma sequência de números que – incrível e inexplicavelmente – prediz as datas, os lugares e a quantidade de mortos de cada uma das grandes tragédias ocorridas nos últimos 50 anos. Ao investigar melhor o desenho, ele descobre que ali ainda estão previstas três catástrofes não-ocorridas, a última delas de proporções globais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada é aleatório em &lt;em&gt;Presságio&lt;/em&gt; – os acontecimentos, os diálogos aparentemente inofensivos, os homens de preto que aparecem e desaparecem, tudo tem um propósito. Do aparelho de surdez de Caleb, que parece não funcionar direito, passando pelas referências ao poder destrutivo das explosões solares, até o calor que a personagem Diana sente ao encontrar John pela primeira vez. Aqui não há conversa jogada fora, daquele tipo de quem não tem o que dizer e comenta como o tempo está quente ou chuvoso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alex Proyas soube dosar os elementos de drama, thriller religioso, ficção científica e cinema-catástrofe com segurança e coerência. As reviravoltas do enredo respeitam a lógica interna do roteiro e conduzem a um final arrebatadoramente incomum – porque termina onde muitos filmes começam – e fantasticamente corajoso – porque não teme levar o espectador aonde nenhum homem jamais esteve.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-3046633838176082763?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=3046633838176082763&amp;isPopup=true' title='40 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3046633838176082763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3046633838176082763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/04/sinais.html' title='Sinais'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Szug6MdYmxI/AAAAAAAAAfU/foQEtaruoqI/s72-c/Press%C3%A1gio2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>40</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-8223705014201850517</id><published>2009-04-11T09:16:00.007-03:00</published><updated>2009-04-11T09:26:20.764-03:00</updated><title type='text'>À procura da felicidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SeCKMsc2FgI/AAAAAAAAASw/BjzS1qHnvaw/s1600-h/Adriano4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323406710247134722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SeCKMsc2FgI/AAAAAAAAASw/BjzS1qHnvaw/s200/Adriano4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A esta altura, o mundo do esporte e os curiosos em geral estão tentando entender que motivos levaram o ainda jovem Adriano (27 anos) a dar um tempo no futebol. Ele não quer mais saber de Inter de Milão, Seleção Brasileira, fama, dinheiro... Como diz aquela velha canção, "ele só quer é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde nasceu".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Treinadores, jogadores, psicólogos, jornalistas arriscam mil e uma explicações para a decisão – de fato surpreendente – do jogador: depressão, drogas, álcool, problemas familiares. Mas Adriano afirma que não tem problemas familiares, não está em depressão, jamais consumiu drogas e não é alcoólatra. Está apenas cansado da pressão de ser o Imperador, da vida na Itália, de estar longe da família e dos amigos. Não tem mais motivação para jogar bola.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só que não adianta o que ele diga, as razões que alegue. A pergunta que insiste em não aceitar quaisquer respostas é a mesma: como alguém nascido e criado numa favela carioca – lugar dominado pelo tráfico, soterrado em miséria e desesperança – pode querer voltar às "origens" após viver o sonho milionário de tantos meninos iguais a ele, que não tiveram chance parecida? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu, como os treinadores, jogadores, psicólogos, jornalistas, mundo do esporte e curiosos em geral, tendo a acreditar que Adriano esteja enfrentando algum tipo de depressão, problema familiar ou coisa semelhante. Porque é praticamente inacreditável a história de alguém que resolve trocar – isto é &lt;em&gt;só&lt;/em&gt; uma metonímia – Milão pela Vila Cruzeiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas eu gostaria mesmo é de pensar diferentemente da maioria e ter a certeza de que Adriano não ficou "doente" da cabeça, de que está mais são e lúcido do que nunca, de que finalmente se encheu de coragem para assumir e agarrar sua felicidade, independentemente de onde ela esteja e a despeito do que os outros dizem que ele &lt;em&gt;tem de&lt;/em&gt; fazer, &lt;em&gt;tem de&lt;/em&gt; sentir, &lt;em&gt;tem de&lt;/em&gt; valorizar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-8223705014201850517?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=8223705014201850517&amp;isPopup=true' title='42 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8223705014201850517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/8223705014201850517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/04/procura-da-felicidade.html' title='À procura da felicidade'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SeCKMsc2FgI/AAAAAAAAASw/BjzS1qHnvaw/s72-c/Adriano4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>42</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-6032368008763678328</id><published>2009-04-05T12:46:00.007-03:00</published><updated>2009-04-05T14:34:41.496-03:00</updated><title type='text'>Tudo ao mesmo tempo agora</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SdjSgJPMe4I/AAAAAAAAADc/pxD2cZnyQfw/s1600-h/rel%C3%B3gios3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321234409415539586" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SdjSgJPMe4I/AAAAAAAAADc/pxD2cZnyQfw/s200/rel%C3%B3gios3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Em recente coluna na revista &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt;, Lya Luft mandou um daqueles textos pelos quais se baba, por cuja autoria se dá um boi. Arrasou. E veio ao encontro de uma certeza que não está, porém, isenta de angústias: a certeza de que não adianta xerocar desejos públicos nem fazer importação de objetivos alheios. No texto, chamado “A mentirosa liberdade”, Lya menciona ultrabacanamente o que seria a síndrome do “ter de”, uma praga de nossos dias: “Nunca se falou tanto em liberdade, e poucas vezes fomos tão pressionados por exigências absurdas...”. Sem dúvida. Num tempo em que os maiores recursos tornam as possibilidades mais ricas e várias, não ganhamos mais páginas para escrever; ganhamos um roteiro a cumprir. Saímos da vida para entrar numa gincana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A lista de tarefas é polpuda. Você (para ser um você que preste) &lt;em&gt;tem de&lt;/em&gt; ser bonito (relação de produtos, tratamentos, academias e exercícios em anexo), &lt;em&gt;tem de&lt;/em&gt; ser descolado (relação de filmes, livros, shows e viagens obrigatórias em anexo), &lt;em&gt;tem de&lt;/em&gt; ter mestrado até os 25 anos, doutorado até os 30 anos, uns dois MBAs já há muitos, promoção para a vice-presidência até os 34, marido (ou esposa) até os 35, dois filhos apolíneos até os 37. Claro, o ideal mesmo seria fazer tudo isso até os 23. Você &lt;em&gt;tem de&lt;/em&gt; conhecer toda e qualquer função do celular – e se o seu só serve para aquilo que serve um telefone, você é um dalit impuro, ignominioso e desprezível. &lt;em&gt;Tem de&lt;/em&gt; saber o que é blackberry, bluetooth, iPhone, mp6, mp7, mp8, programar qualquer espécie de DVD sem ler o manual, já ter baixado pelo menos 5.376 músicas da internet, ser no mínimo um webdesigner amador, colocar o notebook na bolsa da praia, checar e responder a e-mails no cinema. &lt;em&gt;Tem de&lt;/em&gt; estar – como disse alegremente o comercial a que assisti ontem mesmo... no cinema – conectado o tempo todo. E ai de você se ficar inacessível por quatro minutos. Capaz de dar divórcio, de ser demitido, de a empregada se suicidar, de o filho precisar de terapia. Como assim, a bateria arriou? como assim, estava dormindo? ou pior: estava almoçando? E você almoça sem o celular?? Divórcio, claro. Impossível conviver com uma pessoa tão rebelde à urgência alheia. Pior: que nem sabe os motivos do aquecimento global. Pior: que nunca ouviu Amy Winehouse. Pior: que nem é mais jovem!! já tem 27 longos anos – e seis meses!...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na antiguidade de uma década atrás, começávamos o ano com uma listinha de promessas. Atualmente o principiamos com uma lista de material. Cada janeiro traz novas, moderníssimas obrigatoriedades, como a troca de cada aparelhinho que já saiu obsoleto da loja, ou a reserva (para setembro) no restaurante que está bom-ban-do (e em março, claro, já estará etiquetado com a setinha “desce” em qualquer revista). Sobra tão pouco para nós, sobra tão pouco de nós. Tão pouco tempo, e não meramente para viver com propósito: para viver de propósito. Para ter qualquer idade com 100% de certeza. Para ter qualquer profissão com direito a dúvida. Para não ser feliz compulsória, e sim gratuitamente – mesmo que com dificuldade, porque também se tem direito à dificuldade. Sobra tão pouco tempo para termos tempo – pois passamos o tempo todo não o tendo (tê-lo pega mal). Somos tidos. Pelos bens, pelas urgências, pelas tantas necessidades emprestadas, pelas muitas vontades absorvidas, pelos complexos plantados, pelas supostas verdades semeadas (diferentes daquelas da semana anterior), pelos sentimentos farmaceuticamente encapsulados – somos tidos: voz-passivamente. Numa vida sem quintal, sem balão azul; uma vida de plástico que, como diria Marina Colasanti, “aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-6032368008763678328?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=6032368008763678328&amp;isPopup=true' title='35 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6032368008763678328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6032368008763678328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/04/tudo-ao-mesmo-tempo-agora.html' title='Tudo ao mesmo tempo agora'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SdjSgJPMe4I/AAAAAAAAADc/pxD2cZnyQfw/s72-c/rel%C3%B3gios3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>35</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-5103912697858566051</id><published>2009-03-27T08:32:00.007-03:00</published><updated>2010-06-23T08:17:45.399-03:00</updated><title type='text'>Hoje vai ser uma festa</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-a970c38df55f1d92" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v1.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3Da970c38df55f1d92%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3E76CB7EB3B37A1A3E058AC34AC8EB0F2C3C267E.2458EF29E2E49B57CEAEEAB6AF147F1F743950E%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Da970c38df55f1d92%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DJWMmpSQYTjRjpRUJN2qVKOhg550&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v1.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3Da970c38df55f1d92%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3E76CB7EB3B37A1A3E058AC34AC8EB0F2C3C267E.2458EF29E2E49B57CEAEEAB6AF147F1F743950E%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Da970c38df55f1d92%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DJWMmpSQYTjRjpRUJN2qVKOhg550&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ela fazia a gente acordar todo dia, bem cedinho, nos coloridos anos 80. Fazia a gente comer aquele pão quentinho e gostosinho, tão saboroso, um arrepio, de querer mais um (mais um!). Xegava Rainha, de ombreiras e botas, em sua nave espacial – para brincar, pular, dançar, correr, cair no xão. Fazia da nossa manhã um circo: a foca com a bola no nariz, o elefante bancando o xafariz, a macacada toda de uma vez. Fazia da nossa vida uma festa do estica-e-puxa, com direito a pinguim tomando sauna, escoteiro vestido de general, o He-Man dançando um rock gravado por Tom Jobim, a She-Ra namorando o Esqueleto no jardim (!). Vivia inventando danças novas, feito o xuxuxu-xaxaxá e o tindolelê. Brincava de índio, liberava geral, estava sempre de bem com a vida, de vento em popa, feliz pra burro, &lt;em&gt;assim&lt;/em&gt; com o mundo. Também nos ensinava o &lt;em&gt;a&lt;/em&gt; de amor, o &lt;em&gt;b&lt;/em&gt; de baixinho, o &lt;em&gt;c&lt;/em&gt; de coração, o &lt;em&gt;i &lt;/em&gt;de ilariê – e &lt;em&gt;x&lt;/em&gt; o que que é? Lua de cristal que fazia a gente sonhar, fazia a nossa vida xeia de emoção. Com essa gauxinha de Santa Rosa, era bom demais ser moleque, deixar correr solto o que a gente quisesse, ser super-humano, superincrível, sentir o xeiro da bala, do capim, até do xulé. Maria da Graça era – e continua a ser, aos 46 anos, completados hoje – um arco-íris de energia. Parabéns, Xuxa!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-5103912697858566051?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=a970c38df55f1d92&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=5103912697858566051&amp;isPopup=true' title='39 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5103912697858566051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5103912697858566051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/03/hoje-vai-ser-uma-festa.html' title='Hoje vai ser uma festa'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><thr:total>39</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-9122998712719256351</id><published>2009-03-21T12:50:00.020-03:00</published><updated>2009-12-30T16:40:21.241-02:00</updated><title type='text'>Quem poderá nos defender?</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzuegRuxoEI/AAAAAAAAAfM/8lQY-as_geU/s1600-h/Watchmen.bmp"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 192px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421100853823119426" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzuegRuxoEI/AAAAAAAAAfM/8lQY-as_geU/s400/Watchmen.bmp" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É provável que tudo tenha começado com a explosão de Krypton: o &lt;em&gt;Superman&lt;/em&gt; de Richard Donner caiu na Terra feito meteoro em 1978 e mostrou ao mundo o quão para-o-alto-e-avante poderia voar um filme que bebesse na fonte dos quadrinhos. Uma narrativa clássica sobre (quem sabe) o maior super-herói de todos os tempos, ou pelo menos o mais forte – certamente o mais politicamente correto, o exemplo a ser seguido, a estrela-guia em azul e vermelho. Quase dez anos depois vieram os &lt;em&gt;Batmans&lt;/em&gt; de Tim Burton, com cenários ultragóticos e vilões incrivelmente fantásticos, como o Coringa de Jack Nicholson e a Mulher-Gato de Michelle Pfeiffer. Por fim, adentraram na passarela os &lt;em&gt;Batmans&lt;/em&gt; de Joel Schumacher, que transformaram a saga do morcegão – e dos super-heróis no cinema – em purpurina...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O século XX já dava os últimos acenos, e os justiceiros fantasiados pareciam definitivamente condenados à aposentadoria. Mas só pareciam. Porque eis que surge um moço chamado Bryan Singer na direção de &lt;em&gt;X-Men&lt;/em&gt;, uma adaptação sóbria – &lt;em&gt;I mean&lt;/em&gt;, sem collants amarelos – e muitíssimo fiel ao espírito dos mutantes. Mas Singer não estava sozinho na Sala de Justiça. Sam Raimi, Peter Parker e o Homem-Aranha deixaram sua spidercaverna para provar que um super-herói podia ser mais do que um sujeito mascarado, disposto a escalar arranha-céus pendurado numa teia – ele podia ser um homem de carne-e-osso e enfrentar as "grandes responsabilidades" do dia-a-dia, aquelas que não precisam de "grandes poderes" para serem assumidas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Infelizmente, no entanto, tudo no cinema tem duas caras: para cada &lt;em&gt;Homem-Aranha&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;X-Men&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;Iron Man&lt;/em&gt; (outra adaptação pra lá de bem-sucedida), há duas ou três &lt;em&gt;Muheres-Gato&lt;/em&gt; com figurino de &lt;em&gt;Elektra&lt;/em&gt;... "Santas porcarias, Batman!", diria o menino Robin, &lt;em&gt;nesse caso&lt;/em&gt; um prodígio de bom gosto (porque aquele conjuntinho sunga verde, colete vermelho e capa amarela, cá entre nós...). Por falar no homem-morcego, não é que o Sr. Wayne pôs outra vez Gotham City no mapa das telonas? Graças à direção de Christopher Nolan e a um roteiro com pegada mais realista, o Cavaleiro das Trevas ressurgiu (in)crível em &lt;em&gt;Batman begins&lt;/em&gt; e virou obra-prima em &lt;em&gt;The Dark Knight&lt;/em&gt; – claro, com a colaboração insanamente estupenda do Coringa de Heath Ledger.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após o sucesso de crítica e público do filme estrelado por Christian Bale, restou uma charada e tanto a ser decifrada, bem mais "difícil" que Bruce Banner em dia de mau-humor: que caminho tomarão os próximos longas inspirados em HQs de super-heróis? A resposta pode ser &lt;em&gt;Watchmen&lt;/em&gt;, o calhamaço cinematográfico de Zack Snyder baseado nos doze volumes escritos por Alan Moore e ilustrados por Dave Gibbons – um filmaço apenas para adultos, no melhor sentido do termo, em que os personagens mascarados (de fato ou metaforicamente) são humaníssimos, por que não dizer super-humanos, e têm de encarar o maior arquivilão de todos. Eles mesmos.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-9122998712719256351?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=9122998712719256351&amp;isPopup=true' title='37 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/9122998712719256351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/9122998712719256351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/03/quem-podera-nos-defender.html' title='Quem poderá nos defender?'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzuegRuxoEI/AAAAAAAAAfM/8lQY-as_geU/s72-c/Watchmen.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>37</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-2890218317993120305</id><published>2009-03-14T09:45:00.019-03:00</published><updated>2009-12-30T16:38:30.910-02:00</updated><title type='text'>Gracinhas</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzueBOZ2CnI/AAAAAAAAAfE/QYmCQkMX1C0/s1600-h/Hebe+e+Mar%C3%ADlia.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 256px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421100320354077298" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzueBOZ2CnI/AAAAAAAAAfE/QYmCQkMX1C0/s400/Hebe+e+Mar%C3%ADlia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faz alguns dias que estou tentando escrever alguma coisa sobre a entrevista da Hebe à Marília Gabriela que foi ao ar no último dia 8, no canal a cabo GNT. Era uma ótima oportunidade de falar do Dia Internacional da Mulher, dos inacreditáveis oitenta anos da mais antiga apresentadora da tevê brasileira, do quão bom é o programa da Gabi... Mas que nada! Foi um tal de escrever e apagar, escrever e apagar até...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;... eu cair de cama por causa de um piriri. Foi na quarta-feira. Acordei com diarreia e náusea. Não conseguia botar &lt;em&gt;isso&lt;/em&gt; no estômago. Nem fui dar aula – não me aguentava em pé. Na quinta, até levantei melhor, mas ainda enjoado. E tome Floratil, Plasil, mais algum remédio de sufixo -&lt;em&gt;il&lt;/em&gt;... e, ah!, a sopinha de feijão da mamãe, com legumes picados, macarrão-parafuso e carne moída. Nhami, nhami!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora já estou recuperado, pança zerada, prontinha para o próximo rodízio de pizzas, o próximo sanduíche do McDonald's, o próximo docinho de sobremesa. Só que a cabeça não zerou junto, pois continuei querendo-tentando escrever alguma coisa sobre a entrevista da Hebe, sobre o quanto ela não gosta de remexer no passado – porque "prefere olhar pra frente" –, sobre o quanto curte a vida sem pensar nas artrites da idade, ou sem se importar com o que as pessoas acham dela, de seus figurinos alegres, de seu jeito perua de ser.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seria tão bacana dizer que a Hebe não faz análise, não precisa de psicólogos e afins. Afinal, tem seus animais de estimação, como as galinhas Chambica e Chamboca, que fazem companhia a ela, que a escutam com paciência de psiquiatra. Seria interessante também falar da paixão e do tesão (sic) dela por Roberto Carlos. Cá entre nós, ou a mulher não tem vergonha de expor sua atração (física mesmo) pelo Rei ou está fazendo piada. Ou as duas coisas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o melhor de tudo – o que ainda me fez-faz ter vontade de escrever alguma coisa sobre essa entrevista – foi a frase, palavra ou verso de preferência que Marília sempre pede ao convidado do dia antes de encerrar seu programa. É costume o entrevistado encher o peito, fazer aquela cara de conteúdo e lembrar um poema de Pessoa, uma letra de Chico Buarque, um pensamento de Confúcio. Mas não a Hebe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Gosto muito daquela... Como é mesmo? É dando, é dando...&lt;br /&gt;– ... que se recebe? – completou Marília, tentando ajudar.&lt;br /&gt;– Não, não, é dando que se engravida! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É ou não é uma tirada digna de fechar com chave-de-loura um bate-papo entre duas mulheres tão bem-sucedidas em suas respectivas carreiras? Também é ou não é um excelente ponto de partida para uma crônica despretensiosa, ao menos agradável de se ler? Mas desta vez não deu. Já era. Desisto. Tentei, me esforcei e, após dias quebrando a cabeça, o máximo que consegui foi uma dor de barriga. Chega!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-2890218317993120305?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=2890218317993120305&amp;isPopup=true' title='34 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/2890218317993120305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/2890218317993120305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/03/gracinhas.html' title='Gracinhas'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzueBOZ2CnI/AAAAAAAAAfE/QYmCQkMX1C0/s72-c/Hebe+e+Mar%C3%ADlia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>34</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-5604656727999460634</id><published>2009-03-08T11:27:00.017-03:00</published><updated>2009-12-30T16:37:01.380-02:00</updated><title type='text'>Eu não sou cachorro não</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzudveF63ZI/AAAAAAAAAe8/TKmpqZS9sp8/s1600-h/Slumdog4.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 360px; DISPLAY: block; HEIGHT: 325px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421100015327829394" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzudveF63ZI/AAAAAAAAAe8/TKmpqZS9sp8/s400/Slumdog4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SbPWCGeLEcI/AAAAAAAAADU/SHUode4W0eA/s1600-h/Slumdog4.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Toda temporada de Oscar é a mesma coisa: uma certa decepção em relação aos esquecidos (Por que não &lt;em&gt;Wall.e&lt;/em&gt;? Por que não &lt;em&gt;Batman&lt;/em&gt;?) e um certo tédio em relação aos indicados (lá vem mais filme deprê, de grande-biografia-americana, político...). Não é à toa que, invariavelmente, nosso &lt;em&gt;top ten&lt;/em&gt; no fim do ano acaba excluindo os preferidinhos da Academia. Sim, em geral são trabalhos corretos; mas muito técnicos e sem pegada, sem aquele frescor da exceção à la &lt;em&gt;Juno&lt;/em&gt;. Este ano, porém, apesar da decepção e do tédio das indicações periféricas – &lt;em&gt;Milk&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O leitor&lt;/em&gt; e cia. –, o acerto principal compensou tudo. Num ato de ousadia bissexta, eis que o troféu vai para uma história que não é apenas realidade-nua-e-crua, de tiros voando e mundo se deteriorando. &lt;em&gt;Quem quer ser um milionário?&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Slumdog millionaire&lt;/em&gt;), grande campeão de 2009, ganhou com realidade sim, mas também com doçura, jeitinho de conto de fadas e despudor da própria felicidade. Ou seja: ainda que tenha embolsado o Oscar, é filme para realmente se gostar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Misture num panelão a favela, as gangues e as malandragens de &lt;em&gt;Cidade de Deus&lt;/em&gt; (com direito a um moleque que é projeto de Zé Pequeno), as coincidências premonitórias de Sinais (com muito mais charme e melhor costura), as perguntas do &lt;em&gt;Show do milhão&lt;/em&gt;, o remelexo de Bollywood e derrame tudo sobre um romance de Charles Dickens. Este é &lt;em&gt;Slumdog millionaire&lt;/em&gt;, pérola globalizada de simpatia. Impossível não torcer para o protagonista Jamal Malik, herói à moda mais antiga, como só os Peris, D’Artagnans e Lancelots sabiam ser. Nada de anti-herói pastoso, que flutua entre luz e sombra; nada de Macunaíma. Como os órfãos desventurados e determinados de Dickens, Jamal “corre atrás” com integridade, peripécia após peripécia, na busca fiel de seu Graal (um dos maiores obstáculos, aliás, é um personagem bem dickeniano, que lembra Fagin – o explorador de crianças de &lt;em&gt;Oliver Twist&lt;/em&gt; –, mas de modo mais sombrio). Jamal é inocente; não é ingênuo. E, adoravelmente, não há nenhuma negativização de sua inocência heroica, de sua postura caval(h)eiresca, a despeito das modernices atuais – que acham &lt;em&gt;fashion&lt;/em&gt; demolir e relativizar. Em &lt;em&gt;Slumdog&lt;/em&gt;, mocinhos e vilões estão em seus campos tradicionais, sem muito espaço para relativizações. Escolha ousadíssima. Esteticamente, é muito mais fácil ser &lt;em&gt;muderno&lt;/em&gt;, dá muito mais ibope ser iconoclasta. Difícil é construir uma obra nota dez com esse grau de maravilhoso maniqueísmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é que o roteiro seja perfeito; não é. A referência ao deus Rama, por exemplo, fica ligeiramente confusa, tanto quanto alguns detalhes sobre a maneira de Jamal saber certas respostas (basta já ter cantado uma música para guardar o nome de seu letrista?). Mas o conjunto é tão acertado, tão funcional, que a gente perdoa. O título original diz tudo: apesar do ponto de partida modesto – mais uma história de Cinderela, que poderia ser um desastre de pieguice –, &lt;em&gt;Slumdog&lt;/em&gt; é ultramilionário cinematograficamente, esbanjando cores e ângulos só seus, sem medo de ser feliz. Não é cachorrinho que entra clandestino no Kodak Theatre ou na Marquês de Sapucaí. É escola que entra na avenida pra ganhar, de coração inteiro e exposto, fazendo o povo sair contente e não dar a mínima para um ou outro erro técnico. Assim como Jamal Malik, o filme é simplesmente verdadeiro demais e conhece todas as respostas. Impossível não levar o prêmio. Estava escrito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-5604656727999460634?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=5604656727999460634&amp;isPopup=true' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5604656727999460634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5604656727999460634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/03/eu-nao-sou-cachorro-nao.html' title='Eu não sou cachorro não'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzudveF63ZI/AAAAAAAAAe8/TKmpqZS9sp8/s72-c/Slumdog4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-2651981480794463727</id><published>2009-03-01T12:09:00.014-03:00</published><updated>2009-12-30T16:35:30.155-02:00</updated><title type='text'>Guns and roses</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzudXrOYBII/AAAAAAAAAe0/mP56JwEhpk8/s1600-h/the+wrestler2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 365px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421099606536094850" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzudXrOYBII/AAAAAAAAAe0/mP56JwEhpk8/s400/the+wrestler2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SaqoNrglQNI/AAAAAAAAADM/o-6VT1URVDY/s1600-h/the+wrestler2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Randy “The Ram” Robinson, personagem central de &lt;em&gt;O lutador&lt;/em&gt;, é um gente-boa: trata com atenção os fãs, trabalha dignamente para pagar as dívidas, é querido pelos amigos, protege e corteja (com delicadeza atrapalhada) uma dançarina de boate, brinca boa-praçamente com as crianças, tenta humildemente se reaproximar da filha. Aquela velha história da fera sensível, o gigante de bom coração. E, como na velha história, o coração – em todos os sentidos – é o fraco da fera. Só não existe, nesta fábula, o mundo que trai e persegue o pobre “monstro”, nem o Adversário que incorpora o mal a ser vencido. Humana, demasiadamente humana, a narrativa é pós-moderníssima: Randy assume, ao mesmo tempo, os papéis de protagonista e de antagonista. Tal qual um Rei Midas às avessas, ou um &lt;em&gt;serial killer&lt;/em&gt; de si mesmo, vai estragando progressivamente as próprias chances. Não por má intenção ou inconsciência; antes por distração, por fraqueza, por inabilidade. Humano – demasiadamente humano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muitíssimo tentador comparar o longa a outro recente exemplar dos ringues: &lt;em&gt;A luta pela esperança&lt;/em&gt;. Enquanto o filme estrelado por Russell Crowe aposta na estrutura de conto de fadas redentor (a começar pelo título original, &lt;em&gt;Cinderella Man&lt;/em&gt;), a história de Randy “The Ram” detona a lógica da Carochinha. Em &lt;em&gt;A luta&lt;/em&gt;..., o espírito do herói garante a eficácia dos sopapos; a eficácia dos sopapos tem por objetivo a vitória e a sobrevivência digna do herói; os sopapos se destinam (pelo menos uma vez) ao verdadeiro inimigo: o combatente malvado. Em &lt;em&gt;O lutador&lt;/em&gt;, a eficácia dos sopapos reside justamente em garantir o espírito do herói, que, através dos sopapos, deseja fugir da mera sobrevivência digna. Os sopapos se destinam sempre a amigos – e é engraçado vê-los combinando docemente a “coreografia” da luta, que pode incluir apetrechos de dar inveja ao psicopata Jigsaw. Terminada a carnificina, todos se cumprimentam e parabenizam, amicíssimos. Não há combatentes malvados. A vitória? é o que menos importa. Ao contrário de Jim Braddock (o “Cinderella Man”), Randy Robinson não luta para viver – em nenhum dos sentidos que possa ter essa afirmativa. Randy Robinson luta apenas para conviver consigo mesmo enquanto vive. Dá a si próprio o destino kamikaze dos incompetentes – aqueles que não veem infelicidades como estímulo para o nado, mas como desculpa para o afogamento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Triste e demasiadamente humano, palpável, crível, “The Ram” é personagem que “existe de se pegar”, conforme diria Drummond. Homem de armas e de rosas (para combinar com a trilha sonora que o acompanha na luta final); homem de brutalidades e ternuras, de ringues farpados e de cartões para a amada. É fácil ter-lhe simpatia, é fácil torcer por ele. Difícil é construí-lo na medida certa, no pequeno espaço que desvia tanto da pieguice quanto da truculência. Golpe certeiro de Mickey Rourke, que detonou o rosto, mas bombou o talento. Apesar dos muitos pesares, surras e nocautes do meio do caminho, o moço mostra que continua (ou passou) a ser um ator &lt;em&gt;tough enough&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-2651981480794463727?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=2651981480794463727&amp;isPopup=true' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/2651981480794463727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/2651981480794463727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/03/guns-and-roses.html' title='Guns and roses'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzudXrOYBII/AAAAAAAAAe0/mP56JwEhpk8/s72-c/the+wrestler2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-6761324245033600024</id><published>2009-02-25T17:59:00.021-03:00</published><updated>2009-12-30T16:34:07.735-02:00</updated><title type='text'>E o Oscar vai para...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Szuc5Mdq_MI/AAAAAAAAAes/Eyma_W4dNMk/s1600-h/Oscar4.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 230px; DISPLAY: block; HEIGHT: 180px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421099082882677954" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Szuc5Mdq_MI/AAAAAAAAAes/Eyma_W4dNMk/s400/Oscar4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SaXg3VWA6mI/AAAAAAAAAQM/d4VFoUg0pQw/s1600-h/Oscar3.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SaXgri9R7MI/AAAAAAAAAQE/qH9FEyLXHkY/s1600-h/Oscar2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SaXgDPpTIJI/AAAAAAAAAP8/HPPIMgPznrQ/s1600-h/Oscar1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SaXfxsfBNFI/AAAAAAAAAP0/laQN0VXj5Pc/s1600-h/Oscar1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SaXfp5vRSxI/AAAAAAAAAPs/jfQoCmu0Zcs/s1600-h/Oscar1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;1) ... o mutante Hugh Jackman, que apresentou, cantou, dançou, fez graça... Se ele pretendia mostrar todas as suas garras e impressionar tio Spielberg, conseguiu!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;2) ... a simpática ideia de convidar cinco atores/atrizes já vencedores do Oscar para prestar sua homenagem aos indicados da vez – foi ótimo ver a Whoopi Goldberg, a irmã Mary Clarence de &lt;em&gt;Mudança de hábito&lt;/em&gt;, como "madrinha" de Amy Adams, a irmã James de &lt;em&gt;Dúvida&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;3) ... o número moulin-rúgico que juntou no mesmo cabaré pop &lt;em&gt;A noviça rebelde&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Cantando na chuva&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Grease&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Chicago&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Hairspray&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Dreamgirls&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Mamma mia!&lt;/em&gt; e tantos outros musicais inesquecíveis. Um bravo-bravíssimo para Baz Luhrmann, que criou e dirigiu o espetáculo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;4) ... Ben Stiller imitando Joaquim Phoenix, que cismou de largar a carreira de ator para lançar um álbum de hip hop (?!). A barbudice, os óculos escuros, o chiclete... impagável!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;5) ... Tina Fey e Steve Martin, que anunciaram os indicados e vencedores aos prêmios de roteiro original e adaptado. A dupla estava entrosadíssima, com o &lt;em&gt;timing&lt;/em&gt; cômico à flor da língua.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;6) ... o prêmio póstumo concedido a Heath Ledger. A atuação dele como Coringa foi tão, tão, tão... que não era possível imaginar outro resultado. Mais do que merecido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;7) ... o prêmio quase-póstumo concedido a Jerry Lewis. Antes tarde do que depois... Ainda que o troféu honorário celebrasse seu trabalho humanitário com portadores de necessidades especiais, valeu a homenagem ao ator que formou dezenas de comediantes e fez rir muitas gerações.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;8) ... a proximidade entre o palco e a plateia, o que nos fez lembrar que aquela é uma festa entre colegas – de atores, diretores, roteiristas etc. para atores, diretores, roteiristas etc.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;9) ... a elegância de Kate Winslet, Meryl Streep, Penélope Cruz, Anne Hathaway, Amy Adams, Natalie Portman... E há quem diga que essa turma do Oscar é cafona, pode?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;10) ... a garotada-feliz-da-vida que saiu da Índia diretamente para o tapete vermelho do Kodak Theatre – e ainda levou para casa o Oscar de melhor filme por &lt;em&gt;Slumdog millionaire&lt;/em&gt;. Jay ho!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-6761324245033600024?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=6761324245033600024&amp;isPopup=true' title='40 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6761324245033600024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6761324245033600024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/02/e-o-oscar-vai-para.html' title='E o Oscar vai para...'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Szuc5Mdq_MI/AAAAAAAAAes/Eyma_W4dNMk/s72-c/Oscar4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>40</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-1487983161966472443</id><published>2009-02-21T08:42:00.013-03:00</published><updated>2009-12-30T16:32:15.587-02:00</updated><title type='text'>Hoje é dia de folia</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Szucl1iVTdI/AAAAAAAAAek/LsrGaeFeIhE/s1600-h/Carnaval1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421098750310698450" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Szucl1iVTdI/AAAAAAAAAek/LsrGaeFeIhE/s400/Carnaval1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SZ_o4YSwUaI/AAAAAAAAAOs/2xjmoRWSviI/s1600-h/Carnaval1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Alguém pode me dizer como escapar do Carnaval? Não importa o telejornal que você assista: a maior festa popular do Brasil é onipresente. Irritantemente onipresente. Até o Renato Machado, apresentador do &lt;em&gt;Bundinha, Brasil&lt;/em&gt; – conhecido por seu gosto &lt;em&gt;sofistiquê&lt;/em&gt; do sul da França –, virou apreciador de bateria de escola de samba.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é que eu odeie Carnaval. Eu até já curti botar uma fantasia. Já fui índio, Superman, Batman e até Change Dragon, o líder vermelho dos Changeman. Mas o lance era justamente o figurino, não a batucada, os dias de vale-tudo, o porre de felicidade. Brincar de ser outro personagem, que não aquele menino magrelo e sem graça do resto do ano, já me satisfazia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje estou crescidinho demais para me vestir de Fantasma da Ópera, como a Fernanda imagina, ou de Willy Wonka, como eu sonho (na verdade, meu sonho é ter aquela fantástica fábrica de chocolate com jeitão de parque temático) – a não ser, é claro, que me convidem para uma festa à fantasia, o que ainda não aconteceu...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também não me convidaram para ver o desfile das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro de camarote. Com ar-condicionado, comidinhas à vontade, massagem &lt;em&gt;digrátis&lt;/em&gt; e alguns vips do lado, eu ia ao sambódromo na boa, sem problemas. Só alegria e Apoteose. Ah, só não vale chamar a Luma de Oliveira e a Ângela Bismarck, que são vips só durante o Carnaval...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Blablablá, esquindô, esquindô, e ninguém me disse como escapar do Carnaval. Bom, é provável que até a Quarta-Feira de Cinzas eu não consiga escapar dele. De algum modo, o Rei Momo afeta nossas vidas; a minha, com certeza ele já afetou. Ora, não estou eu escrevendo sobre o famigerado Carnaval? E, "inadvertidamente", não transformei &lt;em&gt;Bom dia, Brasil&lt;/em&gt; em &lt;em&gt;Bundinha, Brasil&lt;/em&gt;? Bumbum paticumbum prugurundum...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-1487983161966472443?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=1487983161966472443&amp;isPopup=true' title='37 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1487983161966472443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/1487983161966472443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/02/hoje-e-dia-de-folia.html' title='Hoje é dia de folia'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Szucl1iVTdI/AAAAAAAAAek/LsrGaeFeIhE/s72-c/Carnaval1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>37</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-5257808485267635410</id><published>2009-02-15T12:52:00.020-03:00</published><updated>2009-04-05T14:31:23.475-03:00</updated><title type='text'>Quando a cobra fumava</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-64cfbef8a1fcf3e9" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v23.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3D64cfbef8a1fcf3e9%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3EB2693C516195FAFDCBA506389E505D513F65D2.19E51901FF2BB5BC75DA2B87FAEE9544F1613F65%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D64cfbef8a1fcf3e9%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D8m4VaNPmchveBA0WoNCclAHCcXk&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v23.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3D64cfbef8a1fcf3e9%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331612239%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3EB2693C516195FAFDCBA506389E505D513F65D2.19E51901FF2BB5BC75DA2B87FAEE9544F1613F65%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D64cfbef8a1fcf3e9%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D8m4VaNPmchveBA0WoNCclAHCcXk&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Completa hoje 53 anos o apresentador de tevê Carlos Massa, mais conhecido como Ratinho. Fora do ar há algum tempo, sem um programa que faça jus ao seu inegável talento de comunicador, o moço – que chegou a incomodar a audiência do horário nobre global – começou a mostrar que tinha café no bule em setembro de 1997, quando estreou na Record o polêmico &lt;em&gt;Ratinho livre&lt;/em&gt;. O sucesso do seu "show de variedades" foi tão grande que logo despertou o interesse de Sílvio Santos. O homem do Baú abriu o cofre da felicidade e, um ano depois, dava as caras no SBT o &lt;em&gt;Programa do Ratinho&lt;/em&gt;, que ficou no ar até 2006.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A atração tinha "alguns" quadros apelativos, em geral fantasiados de “prestação de serviços”, e os (hoje) clássicos exames de DNA, apimentados e hilariamente dramatizados com muita baixaria, nenhuma vergonha e altas doses de humor &lt;em&gt;nonsense&lt;/em&gt;, em que a única regra era não ter regras. Tudo, mas tudo mesmo, podia acontecer no picadeiro do Ratinho. Não era à toa que o cenário do programa, em sua última fase, lembrava um grande circo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Os ácidos comentários dos bonecos Xaropinho e Tunico, a voz impostada do Sombra, as imitações do Róbson Bailarino, os trotes do Santos, as caretas do Rodela, as performances do Marquito e do Bola, a banda do maestro Pica-Pau, a plateia inflamada pelos gêmeos Caroço e Azeitona, as reportagens mais esdrúxulas da tevê brasileira – condensadas num aqui-e-agora intitulado &lt;em&gt;Jornal Rational&lt;/em&gt; –, se já não fossem mais que suficientes para garantir o imprevisível à próxima cena, ainda podiam ser interrompidos, acreditem!, por um desavisado entregador de pizzas, que certa vez adentrou o palco sem qualquer cerimônia.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Como os leitores podem ver, minha saudade daquele &lt;em&gt;Late show&lt;/em&gt; carnavalescamente brasileiro – que desafiava todos os limites do politicamente incorreto e do "bom gosto" – é grande e não tem culpa. Então, para matá-la um pouquinho, garimpei um vídeo no Youtube que traz uma pequeníssima amostra do que acontecia na ratoeira de Carlos Massa. Ah, detalhe: prestem atenção nas participações especiais do Homem-Aranha e do Nacional Kid! É coisa de louco!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-5257808485267635410?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=64cfbef8a1fcf3e9&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=5257808485267635410&amp;isPopup=true' title='39 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5257808485267635410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/5257808485267635410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/02/quando-cobra-fumava.html' title='Quando a cobra fumava'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><thr:total>39</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-2974977702014534097</id><published>2009-02-09T19:38:00.012-02:00</published><updated>2009-12-30T16:30:50.961-02:00</updated><title type='text'>A vida secreta das palavras</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzucSHZv1vI/AAAAAAAAAec/og5Mvz513eY/s1600-h/the+reader.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 242px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421098411509143282" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzucSHZv1vI/AAAAAAAAAec/og5Mvz513eY/s400/the+reader.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SZFXrki6hmI/AAAAAAAAAOU/JxP8gkTGK_w/s1600-h/the+reader.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;O leitor&lt;/em&gt; não é filme de muitas novidades. Ainda mais porque as circunstâncias deram um outro sentido para sua classificação de “filme de época”. O trabalho de Stephen Daldry chegou justinho numa safra de histórias-relativas-à-Segunda-Guerra (junto com &lt;em&gt;Um homem bom&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O menino do pijama listrado&lt;/em&gt;, o iminente &lt;em&gt;Operação Valquíria&lt;/em&gt;) e também numa leva de grandes-atuações-de-Kate-Winslet (junto com &lt;em&gt;Foi apenas um sonho&lt;/em&gt;). Conseguiu pegar duas correntes marinhas ao mesmo tempo. Em nenhuma das duas, porém, o longa se destaca significativamente. Com relação ao tema da guerra, não cria tanta empatia quanto &lt;em&gt;O menino&lt;/em&gt;..., por exemplo; quanto à performance de Kate, coloca a pulguita atrás de nossa orelha: afinal, por que o papel de Hanna Schmitz – e não o de April Wheeler – foi o escolhido para concorrer ao Oscar? Aliás, a dúvida vai bem mais longe: por que &lt;em&gt;O leitor&lt;/em&gt; – e não &lt;em&gt;Foi apenas um sonho&amp;shy;&lt;/em&gt; – foi o escolhido para concorrer ao Oscar??...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que Miss Winslet merece um crédito balofo por seu trabalho em &lt;em&gt;O leitor&lt;/em&gt;, merece, sem pontinha de dúvida. O olhar de Hanna tem vazios, silêncios e raivas muito diferentes dos que há no de April, e, apesar das barbaridades cometidas, é possível sentir até piedade da ex-oficial nazista – que, sem grandes perspectivas senão a da obediência, se apega sem reflexão e sem paixão ao “cumprimento do dever”. O filme, de sua parte, merece crédito por isso: não justifica (é claro) os homicídios cometidos por quem “apenas cumpria o dever”, não tira a carga de Hanna, mas também a torna crível, capaz de demonstrar humanidade e fragilidade em seu próprio orgulho. O “reino das palavras”, como diria Drummond, cumpre um papel interessante no processo de descoisificação da ex-carrasca, especialmente quando o relacionamento – com as palavras mesmas, e não com o leitor, Michael – se torna mais íntimo. Não é, porém, a estrada de tijolinhos amarelos. Sabe-se que letras e artes ajudam no degelo, preparam a terra, mas é preciso estrutura própria para pescar daí algum fruto feliz. Consumir páginas abre a janela para o beabá do mundo; uma coisa, no entanto, é olhá-lo e finalmente vê-lo – e outra é saber o que semear na descoberta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embora tudo isso possa ser observado e pensado em cima de &lt;em&gt;O leitor&lt;/em&gt; (que nasceu, exatamente como &lt;em&gt;Foi apenas um sonho&lt;/em&gt;, para ser discutido e não sentido), a superioridade do outro filme de Kate é visível. Ambos os enredos são densos, tristes e certamente não servem para quem procura &lt;em&gt;Sessão da tarde&lt;/em&gt;. Mas enquanto a saga de Frank e April Wheeler é redondamente contada num roteiro que se basta, sem outros artifícios que não a habilidade de escritor e atores, a vida de Michael Berg e Hanna Schmitz nos é apresentada de um jeito meio sonolento – e, não à toa, o longa parece precisar lançar mão de outros, hum, &lt;em&gt;recursos&lt;/em&gt; para prender a atenção do espectador (e posar de cult-oscarizável). Kate Winslet também não carece estar na pele de uma ex-SS-quase-boazinha para mandar ver na interpretação: “cumpre o dever” admiravelmente, como sempre, mas é muito mais exigida – consequentemente, mostra muito mais serviço – em seu endereço classe-médio na Revolutionary Road. As atenções da Academia certamente se voltaram para a Kate errada, para o lado errado. Faz mal não. A menina chega lá. Tanto quanto as palavras, há milhares e milhares de Kates; e, como continuaria dizendo Drummond, “cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra”. Pode não ser ainda desta vez, mas o careca douradinho não tarda. Quem melhor do que uma inglesinha para entender de reinado?...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-2974977702014534097?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=2974977702014534097&amp;isPopup=true' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/2974977702014534097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/2974977702014534097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/02/vida-secreta-das-palavras.html' title='A vida secreta das palavras'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzucSHZv1vI/AAAAAAAAAec/og5Mvz513eY/s72-c/the+reader.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-6775216969119757528</id><published>2009-02-04T08:57:00.024-02:00</published><updated>2009-12-30T16:28:53.607-02:00</updated><title type='text'>Nova velha estória</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzubzhN09lI/AAAAAAAAAeU/6xpL5ZOt8jg/s1600-h/revolutionary+road.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 258px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421097885862524498" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzubzhN09lI/AAAAAAAAAeU/6xpL5ZOt8jg/s400/revolutionary+road.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SZFXBd0rr-I/AAAAAAAAAOM/D9pZUu8LLa4/s1600-h/revolutionary+road.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Revolutionary Road, o endereço de April (Kate Winslet) e Frank (Leonardo DiCaprio) depois de casados – e título original do novo filme de Sam Mendes, &lt;em&gt;Foi apenas um sonho&lt;/em&gt; –, me fez lembrar de uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam – todos com juízo, suficientemente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa aldeia fica num conto de Guimarães Rosa, "Fita verde no cabelo (nova velha estória)", e nela mora uma menininha ainda sem juízo, de nome Fita-Verde, a que por enquanto. A que por enquanto tem sonhos, planos, desejos. A que por enquanto prefere o caminho louco e longo, em vez do encurtoso. A que por enquanto se diverte com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar as borboletas nunca em buquê nem em botão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;April e Frank também imaginavam uma estrada com flores princesinhas e incomuns à sua frente, toda em technicolor. Ela queria ser atriz; ele, descobrir o que queria ser. Queriam o caminho louco e longo, queriam um presente e um futuro extra – e além do – ordinário, longe da mediocridade, do conformismo, da vidinha mais ou menos a que muitos de nós se submetem, por necessidade e/ou covardia de querer algo mais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas eles mesmos, ou o Destino (com &lt;em&gt;D &lt;/em&gt;maiúsculo, se desejarmos fingir que a culpa não é deles), escolheram aquela ruazinha ironicamente nada revolucionária, o caminho encurtoso, mais óbvio, reto, chato e sensato, tão "perfeito" quanto aqueles bons e velhos comerciais de Doriana. Desistiram de sua Paris, a metonímia-luz para a vida em preto-e-branco que levavam – se deixaram vencer pelo Lobo, se deixaram engolir pelo Lobo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fita-Verde, no decorrer do conto, perde sua fita verde e se torna uma pessoa de juízo. Como April e Frank, de um jeito ou de outro, perderam as suas também, e a vontade de viver, de se jogar no mundo, de se arriscar nele, de fazer de cada dia, de cada escolha, uma nova revolução, e não a mesma nova velha estória.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-6775216969119757528?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=6775216969119757528&amp;isPopup=true' title='34 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6775216969119757528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/6775216969119757528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/02/nova-velha-estoria.html' title='Nova velha estória'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzubzhN09lI/AAAAAAAAAeU/6xpL5ZOt8jg/s72-c/revolutionary+road.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>34</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-4916221805745289241</id><published>2009-01-30T09:06:00.015-02:00</published><updated>2009-12-30T16:27:13.991-02:00</updated><title type='text'>O clone</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzubaZdoZ0I/AAAAAAAAAeM/YK2J6uIsO3E/s1600-h/Caminho+das+%C3%8Dndias.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 268px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421097454284597058" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzubaZdoZ0I/AAAAAAAAAeM/YK2J6uIsO3E/s400/Caminho+das+%C3%8Dndias.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SYLfUnvdRYI/AAAAAAAAAOE/4l1vd-ZsrV8/s1600-h/Caminho+das+Ãndias.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Flora, Dodi, Silveirinha e cia. se despediram há duas semanas e ainda não consegui voltar meus olhos e ouvidos para a “nova” novela das oito, a bollywoodiana &lt;em&gt;Caminho das Índias&lt;/em&gt;, de Glória Perez. A sensação (ou será a certeza?) de &lt;em&gt;déjà vu&lt;/em&gt; é tão grande que o controle remoto acaba não sossegando um minuto sequer. A trama tem a mesmíssima fórmula de outras histórias da autora, como &lt;em&gt;América&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O clone&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Explode coração&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se hoje os indianos são o povo/cultura da vez, ontem tivemos os americanos/mexicanos naquela Miami bem Projac, de uma rua só; os marroquinos sob o sol avermelhado de Jayme Monjardim; e os ciganos conectados à então incipiente internet (pelo menos no Brasil). Se hoje Bahuan e Maya são o casal de castas diferentes que vive o-romance-com-sérias-restrições-casamentárias, ontem Tião e Sol, Lucas e Jade, Júlio e Dara foram os pombinhos que sofreram horrores e amores por causa de seus mundos distantes. Se hoje o merchandising social (digno de todos os aplausos, embora esteticamente questionável, por ser às vezes didático demais) mira os esquizofrênicos, ontem foram alvo dele os deficientes visuais, os viciados em drogas e as mães à procura de seus filhos desaparecidos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Além dessas "meras coincidências", não vai demorar muito para que típicas expressões indianas se tornem bordões nacionais, como aconteceu com os inshalás! e ialas! de &lt;em&gt;O clone&lt;/em&gt;. Acredita que já ouvi marmanjo dizendo por aí que está "louco para amarrar seu magala sutra" na vizinha gostosa? Calma, gente! O magala sutra é apenas um colar de casamento, que corresponde às alianças que os noivos trocam deste lado do mundo... Are, Baba!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bobices linguísticas à parte, prometo bancar o heroico Vasco da Gama (o que, convenhamos, não será difícil para um cruzmaltino, né?) e descobrir esse novíssimo caminho para as Índias. Afinal de contas, pelo pouquinho que espiei, as cores fortes de cidades como Jaipur, a imponência do Taj Mahal e a boa companhia dos sempre excelentes Tony Ramos e Osmar Prado devem valer a passagem. Chalo!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-4916221805745289241?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=4916221805745289241&amp;isPopup=true' title='50 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4916221805745289241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/4916221805745289241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/01/o-clone.html' title='O clone'/><author><name>Fábio Flora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-KqgP253LFjc/TwtZQ2L7edI/AAAAAAAAA10/nSvN55V8meM/s220/F%25C3%25A1bio%252C%2B26-11-11.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzubaZdoZ0I/AAAAAAAAAeM/YK2J6uIsO3E/s72-c/Caminho+das+%C3%8Dndias.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>50</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-3007811410130704865</id><published>2009-01-26T16:39:00.011-02:00</published><updated>2009-12-30T16:25:54.946-02:00</updated><title type='text'>Blablablá do BBB</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzubGqLEiDI/AAAAAAAAAeE/lb6xtV7-Ynw/s1600-h/BBB9.bmp"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421097115172767794" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzubGqLEiDI/AAAAAAAAAeE/lb6xtV7-Ynw/s400/BBB9.bmp" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SX4DrO40XnI/AAAAAAAAACk/mVoo3Aa1ToM/s1600-h/BBB9.bmp"&gt;&lt;/a&gt;O problema não é o programa em si. Quer dizer, é – porque a premissa, a gente sabe, não pode dar em muito boa coisa (desconhecidos reunidos e ociosos fazem o quê? Besteira, lógico). Mas até que a produção da Globo se esforça para tornar tudo mais interessante. Inventa e reinventa obstáculos, torturas, misturas, pegadinhas; edita bem-humoradamente, capricha na trilha sonora e (principalmente) alinhava tudo com as hilárias charges de Maurício Ricardo, perfeito na caricatura e na paródia. Ok, a Globo é ótima de produção. Ruim, mesmo, é o elenco do folhetim. Tem-se a impressão de um aparato de Broadway a serviço de personagens (e roteiro) de novela mexicana. Desperdício total.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todo mundo que passa pelo &lt;em&gt;Big Brother&lt;/em&gt; é muito chato. Provavelmente, na vida real, são pessoas legais, fofas e comedidas. Ou, pelo menos, irritantes em nível normal, sem que os amigos pensem em estrangulamento. É só entrarem na Casa que pronto: lá vem cantilena – a mesma! Paira alguma maldição sobre o famigerado domicílio, que impede os moradores de variarem o comportamento e o discurso. Como em filme de terror japonês, quem passa por ali está condenado a repetir gestos e frases &lt;em&gt;ad nauseam&lt;/em&gt;. Há fantasmas de meninas cabeludas que sussurram, pelos corredores, o que deve ser dito. É a explicação mais razoável para o fato de os participantes, que já viram uma caçambada de edições do programa (e já deveriam, portanto, ter aprendido o que enche o saco do espectador), continuarem a insuportável ladainha. Na semana inaugural, paraíso: todos se amam, querem se conhecer, conversam sobre amenidades. Até aí, tudo bem. Após a primeira liderança – e, notadamente, o primeiro paredão –, os fantasmas cabeludos são libertos e atormentam o povo da Casa (e de casa) com DRs sem fim. Sem ter mais o que fazer, os confinados sentam em grupinhos nas poltronas, na piscina, enrolam-se chorosos nos edredons e cochicham, numa seriedade tragicômica, cada um dos eventos da Casa e os respectivos efeitos em suas parcerias. Discordâncias sobre o uso de manjericão ou tomilho no almoço podem gerar catarses inenarráveis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que irrita não é simplesmente a fúria emo dos participantes, mas a &lt;em&gt;emice&lt;/em&gt; com sentimentos e frases de plástico: “Fulano disse que eu estou jogando” (oh! calúnia! Não é realmente horrendo entrar em uma competição para jogar?), “Não é só pelo dinheiro, estar aqui é uma superação” (claro que não é o dinheiro! É o que ele pode comprar!), “O Brasil está vendo” (saio da Casa para entrar na História!), “As máscaras estão caindo” (Beltrano, quem diria! gosta de manjericão!...), “Vou votar em Sicrano, mas não é nada pessoal: é questão de afinidade mesmo” (não precisa comentar, precisa?). Dá engulhos. Por que pessoas em princípio inteligentes, espertas, mergulham nesse teatrinho Troll em vez de dizerem – serena, objetiva, original, respeitosamente – o óbvio? Não estão elas ali por um prêmio, não precisam votar anyway, não são adversárias pela própria essência do programa? Por que confundem a necessária sensibilidade com uma hipocrisia choramingante? Por que acham que polidez exige discursos políticos, que carinho pede uma cena de &lt;em&gt;Dama das camélias&lt;/em&gt;? Por que overatuam, se sabem que a tevê não é palco, se sabem que cada câmera os devassará em busca de contradição? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois é: o problema (todo) não é o programa em si. O problema é que ele, talvez, seja muito sofisticado para os competidores. Para a humanidade em geral. Ele é, afinal, uma lupa enorme na vida de sempre: em maior ou menor escala, nem estamos preparados para que gostem de nós gratuitamente, nem conseguimos fazer isso de propósito. Tem de ter muito coração e tutano para ser um bom si-mesmo em voz alta – e ser igualzinho ao cara que se é quando não há ninguém dando nenhuma espiadinha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/605487914376438562-3007811410130704865?l=ultramuito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=605487914376438562&amp;postID=3007811410130704865&amp;isPopup=true' title='51 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3007811410130704865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/605487914376438562/posts/default/3007811410130704865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultramuito.blogspot.com/2009/01/blablabl-do-bbb.html' title='Blablablá do BBB'/><author><name>Fernanda Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03700692016793550970</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_IJYWyaDeDq4/SeCvr3_VIqI/AAAAAAAAADo/Jv0kvGASFJs/S220/Docinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/SzubGqLEiDI/AAAAAAAAAeE/lb6xtV7-Ynw/s72-c/BBB9.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>51</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-605487914376438562.post-3780948480990506389</id><published>2009-01-21T08:34:00.054-02:00</published><updated>2009-12-30T16:23:50.071-02:00</updated><title type='text'>The bitch is back</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Szualm5lt3I/AAAAAAAAAd8/0jPB1fc0j9k/s1600-h/Elton+John.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 324px; DISPLAY: block; HEIGHT: 273px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421096547358455666" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_v_YKFBWfm-E/Szualm5lt3I/AAAAAAAAAd8/0jPB1fc0j9k/s400/Elton+John.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;Voar de balão, ver uma(s) peça(s) na Broadway, conhecer Paris, fazer um cruzeiro, assistir a um jogo da Seleção na Copa, montar uma casinha bem aconchegante e viver lá o resto da vida com a pessoa amada etc. etc. etc. A lista de sonhos a serem realizados é tão grande que não cabe nem nesses três etcéteras. Felizmente, na última segunda-feira, um deles deixou essa relação e se tornou realidade – o show de Elton John. É, eu fui!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E fui muitíssimo feliz desde os primeiros dedos no piano, quando aquele "senhor" de 61 anos, fraque preto e atitude ultracolorida começou a festa com "Funeral for a friend". A música estava bleeding in my hands, existia de se pegar! Eram dez da noite na Praça da Apoteose – apontava o relógio da Central do Brasil, naquela noite com um jeito de Big Ben. A contagem regressiva havia acabado britanicamente. O Rocket Man estava decolando. Take me to the pilot!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Sempre) do meu lado, arquibancadamente, minha tiny dancer, blue-jeans baby, a companheira dos momentos inesquecíveis, minha Fernanda, registrando cada instante com sua mad câmera across the show. Nossa, you're beautiful! Por isso é dificílimo dizer em palavras how wonderful life is since you're in my world. Anyway, the thing is, what I really mean – I believe in love, it's all we got, e ponto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com "Goodbye yellow brick road", nosso Honky Cat chegou à estratosfera. Dali em diante, era para o alto e avante, ao infinito e além, como os cartoon balloons de Levon. Ninguém escutaria mais os vendedores gritando cachorro-quente!, cerveja!, água!. Só o público acompanhando clássicos como "Daniel" e "Sacrifice" – até o solão dar o ar da graça e explodir amarelamente em "Don't let the sun go down on me". Although I search myself, it's always someone else I see...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acompanhar mesmo, com letra e tudo, sem embromation, acompanhei "I guess that's why they call it the blues", o refrão cantado com pulmão e alegria imensa, laughing like children, living like lover, rolling like thunder under the covers. Apenas os olhos fixos no espaço sideral – o palco. Living for each second, cantando cada verso, without hesitation.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Elton ainda emendou duas miserable songs, "Sorry seems to be the hardest word" e "Candle in the wind", antes de levantar a plateia com "Bennie and the Jets" e transformar a Sapucaí numa grande discoteca com "Sad songs (say so much)", "Philadelphia freedom", "I’m still standing", "Crocodile rock" e "Saturday night's alright (for fighting)". Os embalos de uma segunda-feira à noite nunca foram tão animados! Láááááááá... lalalalaláááááá...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A essa altura, eu já era um dos vários skyline pigeons que faziam rasantes no sambódromo – contentes da vida! Eu tinha voado to distant lands, over green fields, trees and mountains, flowers and forest fountains, home along the lanes of the skyway! Tinha riscado da lista dos desejos a serem realizados um sonho dos maiores – para reescrevê-lo na lista dos desejos realizados! Agora, cá entre nós, sou ou não sou um cara de muita sorte por ter visto Sir Elton John e sua banda ao vivo, vivíssimo – sou ou não sou a really son of bitch?&lt;/div&gt
